|
Luiz
Inácio, que o PT ardilosamente transformou no símbolo do “humilde
operário”, passando assim a idéia subliminar de que ele é
uma vítima do sistema, um representante autêntico dos trabalhadores
explorado pelos patrões, ou seja, a imagem viva da luta de
classes, mostrou claramente o vezo autoritário que, aliás,
é inerente a seu partido. Com estilo palanque em fúria ele
atacou as vaias sofridas primeira vez e ameaçou os movimentos
sociais que estão brotando espontaneamente. Pontificando sobre
democracia, conceito que é alheio a um partido como o PT,
ele afirmou: “ninguém neste país sabe colocar mais gente na
rua do que eu”.
A
advertência autoritária era uma resposta à manifestação havida
em São Paulo, quando 6.500 pessoas protestaram contra o caos
aéreo e se solidarizaram com as quase 200 vítimas do airbus
da TAM. Servia também de ameaça aos que pretendem em várias
capitais brasileiras se manifestarem no dia 4 de agosto contra
a incompetência governamental, os impostos abusivos, a corrupção
deslavada, a violência que vitima inocentes, principalmente
no Rio de Janeiro que voltou a sua guerra civil depois que
acabou o PAN. Sobretudo, as palavras raivosas do presidente
visaram movimentos como o do Grupo “Cansei”, da OAB de São
Paulo.
Mas
quem Luiz Inácio pretende por nas ruas para esmagar esses
impertinentes e poucos brasileiros que parecem estar acordando
do estado de catalepsia mantido pela massacrante propaganda
enganosa do governo, e pelo culto da personalidade em torno
do chefe? Será o numeroso exército pára-militar formado pelo
MST? O braço sindical petista, a CUT? A UNE, quem sabe, que
alguns acusam de estar a soldo do governo? Qualquer milícia
à moda fascista-chavista poderá servir para intimidar os poucos
que Alexandre Garcia em magistral artigo comparou aos 300
de Esparta.
A
retórica enfurecida do presidente Luiz Inácio que nada mais
é do que a repetição das palavras de ordem convencionadas
pelo PT, ou seja, o discurso unificado que Olavo de Carvalho
conceituou como “imbecil coletivo”, pode assustar, impressionar,
mas não resiste a um exame em que predomine a lógica e uma
revisão da história recente. E note-se que ele usa a velha
e conhecida tática petista que primeiro desqualifica o adversário
e depois ataca com uma espécie de terrorismo de intimidação.
“Golpismo”, “oposição mascarada”, “oportunismo da direita”,
“conspiração da elite branca de Campos do Jordão”, “marcha
da família com Deus”, são repetidos como mantras pelo presidente,
pelos dirigentes do partido, pelos devotados militantes.
|
|
|
Maria Lucia Victor Barbosa
|
|
A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
leitura
|
|
|
Afinal,
insurgir-se contra o poderoso pai Lula, que confessou em público
ter dado mais lucros aos ricos do que esmolas oficiais aos
pobres é um crime de lesa majestade porque atinge o símbolo
que mantém privilégios, cargos, imunidades da companheirada
espalhada pelo latifúndio estatal por um dos arquitetos do
regime petista, o ainda poderoso José Dirceu. Seria inconcebível
aos “mandarins” do PT e a seus seguidores mais privilegiados
perderem a posição arduamente conquistada de “elite branca”
do poder político e econômico. Daí o ardor com que se blinda
com uma cortina de aço aquele que possibilita e mantém as
delícias da corte.
Os
termos usados por Luiz Inácio e seus companheiros para desqualificar
e intimidar os poucos opositores que ousam se insurgir contra
a majestade do “pobre operário” soam, porém, inteiramente
falsos. Quando Luiz Inácio, como deputado federal, propôs
o impeachment do presidente Collor e o PT soltou nas ruas
suas hostes de cara-pintada ou não, José Dirceu não achou
que isso desestabilizaria o Brasil. E durante oito anos o
PT berrou “Fora Fernando Henrique”, assim com fez suas greves
selvagens e vaiou a valer tudo e todos que acharam merecedores
de sua estridente e implacável oposição. Brizola dizia que
“o PT vaia até toque de silêncio”. Agora não pode, o que demonstra
medo e insegurança dos que não fundo sabem muito bem o que
se oculta nas entranhas de um Estado por eles dominado.
O
PT acabou com os partidos de oposição, corrompeu todas as
instituições e entidades da sociedade civil, chamou para seu
lado os ricos que sustentaram as campanhas do “pobre operário”,
agraciou os pobres com as esmolas que os manterão sempre pobres.
O PT jamais foi democrático nem nunca o será, mesmo porque
está ligado a Fidel Castro e a Hugo Chávez formando com estes
o “Eixinho do Mal” latino-americano.
Mas
tantas ele fez que a sociedade está ficando cansada de perdoar.
Era inevitável que alguma oposição surgisse. Ao PT no poder
seria melhor ter um mínimo de autocrítica e humildade, analisar
em profundidade seus erros e tentar corrigi-los ao invés de
ficar ameaçando, mentindo, ostentando comportamento ditatorial.
Quanto a nós, os “espartanos”, resta repetir com convicção
a estrofe de um dos nossos hinos mais belos: “Liberdade, liberdade,
abre as asas sobre nós”. E de tudo fazer para conquistá-la
em plenitude, porque, depois da vida, a liberdade é nosso
dom maior.
*
Maria Lucia Victor
Barbosa é socióloga.
Alto
Opinião
|