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Com
quais valores se pode educar atualmente uma criança? É dever
ensinar aos filhos: sejam honestos, estudem, não mintam, tenham
brio, sejam respeitosos?
Em
tempos idos isso funcionava. Famílias geravam cidadãos capazes
de distinguir entre o certo e o errado, de repudiar o que
funcionasse mal. A escola mais que ensinar o alfabeto inculcava
desde cedo no indivíduo noções de sociabilidade que incluíam
o sentido de pátria. Mesmo a classe política tinha, pelo menos,
mais compostura.
Naturalmente
sempre houve desonestidade, malandragem, mentira, descaramento,
mas a parcela do Brasil que pensava, estudava, trabalhava
se distinguia a ponto de dar exemplo. E se costumava dizer
que o exemplo vinha de cima, dos pais e das autoridades. Tudo
isso ficou para trás.
Certamente
o Brasil evoluiu acompanhando a escalada do desenvolvimento
mundial, em que pese manter contrastes regionais e disparidades
de classe. Entretanto, sofreu brutal involução em termos de
valores. Com relação especialmente à classe política, com
as honrosas exceções que por ventura existam se pode dizer
que o Brasil acanalhou legando como exemplo às futuras gerações
mentira, desonestidade, descaramento, falsidade, corrupção.
Dirão
os defensores dos crimes e dos erros que se presencia, que
foi sempre assim desde que Cabral pisou a Ilha de Vera Cruz.
Sem duvida tivemos, para usar uma expressão de José Ortega
y Gasset, uma embriogenia defeituosa. Toco no assunto
longamente em dois de meus livros. Num curto artigo isso é
impossível.
Sobre
a sociedade seria necessária outra longa análise que avaliasse
as transformações mundiais nas quais o Brasil está inserido,
tanto para o bem quanto para o mal. Internamente teríamos
que pesquisar as mudanças pelas quais passaram a família,
a escola, a religião, enfim, nossos mecanismos de controle
social. Deixemos isso, talvez, para outro livro e nos fixemos,
ainda que rapidamente, no governo:
Em
termos governamentais vivemos um paradoxo, pois chegou ao
poder o partido que se dizia o único ético, ideológico, dono
da verdade. Na quarta eleição presidencial o PT conseguiu
colocar no cargo mais alto da República a figura cuidadosamente,
longamente trabalhada pelo marketing de um homem de origem
humilde. A criatura petista, se relembrada por sua veemente
oratória de esquerda simbolizava a redenção do país que, inclusive,
seria libertado dos políticos corruptos. Lula e seu partido
imaculado nos libertariam dos “300 picaretas”, do Sarney “ladrão”.
Nunca mais seriamos conspurcados por caçadores de marajás,
por oligarquias indecentes que no poder se locupletam descaradamente.
Mas
eis o paradoxo: no poder o PT, que dizia ter o monopólio da
ética, se tornou pior que os demais partidos, muito mais imoral,
despudoradamente amoral, de um cinismo abjeto quando trata
com a mesma naturalidade com que outrora defendia bandeiras
de moralidade, suas falcatruas, “mensalões”, dossiês, caixas
dois e todos os imorais da República aos quais se associaram.
Seus
figurões, como José Dirceu, Antonio Palocci, Gushiken e tantos
outros, assim como ministros companheiros ou agregados de
outros partidos foram caindo um a um por grossa corrupção.
Mas, o que se vê são petistas sempre voltando ao poder porque
são cidadãos acima de qualquer suspeita, indivíduos para os
quais a lei não funciona, pessoas incomuns eleitas por pessoas
comuns que dizem: “se eu estivesse lá faria a mesma coisa.
Vemos,
por exemplo, José Dirceu, a todo vapor na campanha de Dilma
Rousseff, a ungida de Lula da Silva, aquela que desfeiteia
em público com impropérios os que ousam desobedecê-la. O ex-ministro
da Casa Civil, deputado cassado, “chefe da quadrilha”, transita
com desenvoltura pelo mundo da riqueza que, por sinal, gosta
dos lucros que lhe trazem o “pobre operário” e seu partido
ex-ético. Dirceu continua a mandar. Faz parte da alta hierarquia
mafiosa da República dos pelegos. E Lula, poderoso capo que
comanda os três Poderes, ordena ao Senado a permanência de
Sarney, não importando o uso e o abuso da coisa pública que
vem fazendo indecentemente o oligarca do Maranhão. Afinal,
interessa o apoio do PMDB a Dilma Rousseff. É preciso impedir
a temida CPI da Petrobras. A ética que se lixe.
Aliás,
Lula da Silva tem se aliado também à escória mundial. Terroristas
e déspotas dos mais asquerosos são por ele louvados como seus
amigos, seus líderes, seus ídolos. Na América Latina está
irmanado ao tirano Fidel Castro, ao ditador Hugo Chávez e
seus asseclas. Agora Lula diz que o G8 não tem mais expressão.
Sonhará ele com outra ordem mundial? Nessa nova ordem é preciso
esmagar a pequena Honduras em nome de alegado golpe que não
passou de defesa constituição do país contra a ingerência
de Hugo Chávez, ditador de fato da Venezuela. Mas o tirano
Ahmadinejad com sua eleição fraudada no Irã tem todo apoio
de Lula da Silva e do PT.
E
que não se diga que é preconceito externar essas verdades.
Origem pobre nunca quis dizer mau-caratismo ou safadeza. O
rico presidente da República, criatura fabricada por seu desmoralizado
partido, tornou-se o capo da máfia governamental. Resultado:
no Brasil degradado em República dos Bananas, Il capo ha sempre
ragione. Tristes trópicos!
(
* ) Maria Lucia Victor Barbosa
é socióloga.
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