|
Pantagruel
é um personagem comilão criado por Rabelais.
Pois bem, o governo de Lula da Silva tem fome pantagruélica
de impostos. Parece que as arrecadações cada
vez maiores, os impostos elevadíssimos que pagamos
em todos os produtos não satisfazem o apetite do nosso
guloso Estado Pantagruélico. Nada chega. Nada satisfaz.
Na corte luxuosa os gastos são cada vez maiores, as
contratações de companheiros cada vez mais numerosas,
o desperdício mais abundante e a incompetência
ou a má fé torna o governo incapaz de eleger
prioridades para a aplicação dos pesados tributos
no sentido de alcançar o bem comum, fim último
da política. Além disso, esbanja-se dinheiro
público com os tais cartões institucionais,
as viagens constantes e nababescas do presidente da República,
os presentes generosos para outras nações. Portanto,
não há imposto que chegue para o Pantagruel
estatal.
|
|
|
Vera Cruz, Santa
Cruz, Brasil
|
|
A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
leitura
|
|
|
Para
manter a imagem de salvador dos pobres e oprimidos, colada
em LILIS através de primoroso marketing, o governo
simula ajudar a classe mais baixa com bolsas-família
em vez de geração de trabalho. O paternalismo
governamental alcança, então, duas metas importantes:
mantém os pobres sempre pobres, portanto dependentes
dos benefícios do pai Estado e garante votos nas próximas
eleições para o magnânimo partido presidencial.
A propaganda faz o resto e o discurso que cultiva ódio
e revanche por contas das diferenças sociais alimenta
subliminarmente a doutrinação relativa à
luta de classes, o que dá aquela tintura socialista
tão simpática e importante na América
Latina a qualquer governo.
Foi a fome pantagruélica do
governo petista que o impeliu a lutar com unhas e dentes pela
manutenção da famigerada CPMF. Todas as armas
foram usadas: compra de votos através da moeda dos
cargos, ameaças, terrorismo baseado num hipotético
caos econômico caso o imposto caísse, apelo sentimentalóide
pelos pobres.
O presidente da República entrou
de cabeça na guerra do imposto do cheque
e mostrou todo seu lado autoritário. Acostumado a ser
obedecido por um Congresso subserviente, ele despejou sua
ira contra aqueles que chamou de sonegadores. Vociferou, gritou,
ameaçou em palanques ou diante de câmaras e microfones
sempre à sua disposição. Era a postura
despótica idêntica a um desses caudilhos que
agora infestam a América Latina, e que LILIS tanto
admira.
Todas as cartadas foram jogadas no
momento da votação no Senado. Na Câmara
subalterna tudo correra conforme seo Lula mandou. No Senado,
nem a carta presidencial convenceu a oposição.
Como acreditar num presidente que se diz uma metamorfose ambulante
e que realmente não tem cumprido sua palavra? Hoje
ele diz uma coisa e amanhã se desdiz.
Mas, então, de repente, não
mais que de repente, aconteceu algo inédito: aos Democratas,
que vêm apresentando uma oposição firme,
sem vais vens ou dubiedades, uniu-se o PSDB. Num partido marcado
por vacilações, onde poucos se destacam pela
coerência e pela coragem, como o senador Álvaro
Dias, se viu pela primeira vez uma inédita resistência.
Inclusive, o líder do PSDB, Arthur Virgílio,
ameaçou renunciar se seu partido caísse no canto
da sereia do Executivo. Fortes pressões não
faltaram, inclusive, dos governadores José Serra, Aécio
Neves e Yeda Crusius, também sequiosos pela CPMF.
Ao final da nervosa reunião
em que não faltaram os rompantes teatrais do senador
Pedro Simon, ganhou a sociedade brasileira. Foram 45 votos
a favor da continuidade da CPMF e 34 contra. O governo precisava
de 49 votos. Naturalmente o senador Arthur Virgílio
sabia que se os tucanos não mostrassem união
e firmeza na batalha da CPMF estariam cometendo suicídio
político.
A derrubada da CPMF fez exultar todos
os brasileiros que possuem percepção política.
Finalmente tínhamos oposição capaz de
barrar os abusos do Executivo, o que permitiria melhor funcionamento
da democracia. Mas felicidade tem a vida breve. Notícias
dão conta que o PT e o PSDB podem se unir na reforma
tributária e recriar uma CPMF com alíquota de
0,20%, apesar do presidente da República negar. O combativo
senador Arthur Virgílio e governadores do PSDB estão
de acordo com a recriação do imposto e a mais
combativa ainda senadora Ideli Salvati quer que o imposto
sucessor da CPMF seja permanente.
No momento é de se perguntar
ao PSDB, considerando-se as honrosas exceções
dos que procedem na defesa dos interesses da Nação,
se mais esse apoio ao PT, na recriação da CPMF,
não traduz a intenção de nos fazer de
completos idiotas, de nos trair, de enxovalhar as esperanças
daqueles que viram pela primeira vez, desde que o PT alcançou
o poder, elevar-se uma oposição que nos pareceu
real e não um amontoado de homens submissos, acovardados
e rastejantes diante das ordens do chefe Lula.
Queremos, senhores políticos,
menos impostos. Chega de derrama. Onde estão os novos
inconfidentes?
*
Maria Lucia
Victor Barbosa Graduada em Sociologia e Política
e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB.
É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista
de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia
de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área
acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder"
e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino". Criadora do Departamento
de Desenvolvimento Social em sua passagem pela Companhia de
Habitação de Londrina. É autora de obras como "O Voto da Pobreza
e a Pobreza do Voto: A Ética da Malandragem" e "América Latina:
Em Busca do Paraíso Perdido".
Alto
Opinião
|