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O
presidente Lula da Silva para uso interno, ou seja, no Brasil,
é visto por companheiros e admiradores como uma espécie de
aiatolá, uma criatura dotada de poderes supremos. Ele paira
acima de qualquer suspeita, de qualquer lei, faça o que fizer,
diga o que lhe passar pelo bestunto. Frei Betto chamou Lula
da Silva de ‘luz do mundo”. A propaganda tratou de divinizar
o “pobre operário” no altar da pátria como um redentor capaz
de redimir pobres e oprimidos. Funcionou bem a religião de
Estado.
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Maria Lucia Victor Barbosa
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A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
leitura
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Em
tempos idos o PT foi uma espécie de seita religiosa com dogmas,
credos e auréola. Seus adeptos diziam orgulhosamente pertencer
ao único partido ético do Brasil e o fanatismo dos militantes
era tal que granjeou ao PT a alcunha de Partido do Taleban,
zombaria que os seguidores de Lula-lá reagiam com ira revolucionária.
Da
época da “santidade” petista nada restou, pois a chegada ao
poder sempre transforma revolucionários naquilo que sempre
foram contra. E eles costumam serem mais corruptos, mais aproveitadores,
mais gananciosos, mais apegados aos privilégios do que seus
antecessores, pouco se lixando para os que outrora disseram
defender. Ex-revolucionários costumam ir à forra sublimando
seus recalques, vingando-se da vida anterior medíocre, sem
brilho, sem a fascinante grandeza que os cobiçados cargos
conferem.
O
PT foi à forra quando na quarta tentativa emplacou o ex-sindicalista.
O grande sacerdote José Dirceu tornou o Estado território
sagrado dos companheiros. E do cargo mais alto da República
Sindicalista, com o aiatolá Lula, a sacerdotisa Dilma, ou
quem for eles não saem mais. Para manter a permanência, contudo,
é necessário que Lula garanta e proteja sua “guarda” nada
revolucionária que incorpora não só a elite dos companheiros,
como os “basij”, “reservistas” constituídos pelos adeptos
de outros partidos, de banqueiros, de grandes empreiteiros,
de grandes empresários, enfim, o eleitorado pouco mencionado,
mas vital para que o PT permaneça por pelo menos mais vinte
anos no poder, tempo sempre ventilado sutilmente.
Internamente,
segundo pesquisas de opinião, o prestígio de Lula da Silva
cresce não só na massa dos agraciados com as bolsas esmolas,
mas também em meio à elite financeira que sustenta as custosas
campanhas de Lula e dos petistas.
Externamente,
contudo, o bestialógico do presidente da República, constante
em suas numerosas viagens, além de incidentes diplomáticos
como o havido no caso do assassino e terrorista italiano,
Cesare Battisti, protegido do Ministro da Justiça, devem esta
minando a imagem do próprio país no exterior.
A
última conversa de botequim de Lula da Silva aconteceu na
ONU, quando comentou em forma de piada futebolística sobre
as eleições no Irã e os protestos de milhões de iranianos,
eleitores de Mir Hossein Mousavi, que alegam ter havido fraudes
no pleito que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad.
O
presidente brasileiro afirmou que as manifestações violentas
nas quais pessoas morreram e outras ficaram feridas, eram
apenas “coisa entre flamenguistas e vascaínos”, “choro de
perdedores.” Duvidando das fraudes grosseiras cada vez mais
evidentes na eleição iraniana, Lula da Silva contou que pretende
fazer mais uma viagem, desta vez ao Irã, e que Ahmadinejad
pode vir ao Brasil na hora que quiser.
Anteriormente
Ahmadinejad, o homem que odeia os Estados Unidos, prega a
destruição de Israel, nega o Holocausto cancelara sua vinda
ao Brasil por conta dos protestos de judeus e de movimentos
sociais. Contudo, o presidente brasileiro respalda também
as detenções arbitrárias e a brutal censura que se estende
no Irã aos partidários de Mousavi, inclusive, as feitas na
Internet.
Digamos
que para uso externo Lula da Silva não fez bonito diante das
críticas dos líderes europeus às eleições iranianas, e mesmo
perante a neutralidade norte-americana. Ele parecendo exultante
diante da vitória do companheiro Ahmadinejad e se uniu a Hugo
Chávez, a quem considera um democrata, e ao déspota da Coréia
do Norte, Kim Jong-il, nos cumprimentos ao iraniano reeleito,
o que evidencia a atual tendência da política externa brasileira
de se agregar à escória mundial. E o gracejo, “flamenguistas
e vascaínos”, traduziu mais um vexame internacional que fez
corar os brasileiros que prezam a democracia, a liberdade
e possuem respeito pelos direitos humanos.
Não
é à toa que ONGs internacionais deploram o papel que o Brasil
vem tendo no tocante ao apoio dado a países que não respeitam
os direitos humanos. Mas, para uso interno, o aiatolá Lula
da Silva provoca êxtases e ainda terá reforço considerável
na mídia que lhe dá azia, segundo sua afirmação. Além de não
sair da TV, de deitar falação no programa semanal de rádio,
Café com o Presidente, ele terá uma coluna de perguntas e
respostas em jornais e um blog especial – imitação do blog
do presidente Barack Obama – para comunicação mais coloquial
com eleitores.
Conforme
Franklin Martins, ministro da Comunicação Social: “em 2008
(as verbas de publicidade) alcançaram 5.297 órgãos de comunicação
em 1.149 municípios – um aumento da ordem de 961%” (O Estado
de S. Paulo, 16/06/2009). E, assim sendo, internamente, o
aiatolá Lula da Silva seguirá sendo um sucesso.
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Maria Lucia Victor
Barbosa é socióloga.
Graduada em Sociologia e Política e Administração
Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da
Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários
jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências,
Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com
trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de
Nicolau Maquiavel Florentino". Criadora do Departamento de
Desenvolvimento Social em sua passagem pela Companhia de Habitação
de Londrina. É autora de obras como "O Voto da Pobreza e a
Pobreza do Voto: A Ética da Malandragem" e "América Latina:
Em Busca do Paraíso Perdido".
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