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Dia
destes, assisti pela TV a um documentário que mostrava possíveis
cenas do Apocalipse. Muitas eram as possibilidades de nosso
pequeno planeta ser destruído: vulcões, maremotos, terremotos,
degêlo, meteóros, invasões alienígenas, Colisor de Partículas
e muitos mais riscos rondam a minúcula Terra. Tudo é tão perigoso
que é de se perguntar como ainda não fomos catapultados para
o espaço sideral onde nossas insignificantes cinzas passariam
despercebidas na vastidão cósmica.
Conclui,
porém, que o maior perigo que ronda o homem é o próprio homem
cuja psique jamais evolui. A humanidade como um todo continua
ignorante, avara, ganaciosa, invejosa, hipócrita, mentirosa,
egoísta, hedonista, cruel, violenta. Estes atributos aparecem
de forma inequívoca nos jogos do poder político, intimamente
ligado ao poder econômico. Mas, existem também nas relações
interindividuais que se processam no meio familiar ou do trabalho
onde de forma micro assomam as canalhices, os golpes de esperteza
ou mesmo a violência que presenciamos no campo macro das governanças.
Ao
mesmo tempo, existe uma tendência inata no ser humano, com
as exceções de sempre, que o induz a se inclinar para o que
é mau, abjeto, pérfido e uma necessidade visceral de se submeter
á alguma pessoa ou entidade para se comprazer na igualdade
que escraviza. Daí o nasce o amor a mentira, a necessidade
de crer em lendas e mitos para fugir da mediocridade do cotidiano.
Estas
características sempre presentes desde que o homem se pôs
de pé e usou as mãos, se acentuaram ao longo do século passado
e se aprofundaram nessa era de vulgaridade na qual valores
e comportamentos estão massificados, confusos, difusos e a
busca pelo sentido da vida se perde na pressa, no imediatismo,
na superficialidade das ações e dos relacionamentos.
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Maria Lucia Victor Barbosa
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A Teologia da
Libertação, incorporando a teoria marxista
à religião, dispensa o sagrado em nome da
utopia final do Reino de Deus aqui mesmo
na Terra. Este reino deve ser alcançado
não exclusivamente pela via sacramental
ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre
o é, pela violência, pois se fundamenta
na luta de classes.. Prosseguir
leitura
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O
repúdio a Israel, que durante anos suportou homens-bomba e
foguetes disparados pelo Hamas sobre sua população é prova
do que ocorre nos tempos atuais. A perseguição aos judeus,
seu sofrimento nunca despertaram comiseração. Muitos negam
até o holocausto, um dos piores horrores cometidos contra
um povo. E assim como a multidão preferiu perdoar Barrabaz
a Jesus, agora a maioria presta solidariedade ao terrorismo,
o que demonstra o gosto humano pelo totalitarismo que esmaga
a liberdade, pela distorção da verdade, pelo fanatismo que
é o lado malígno das religiões.
Todos
se apressam a palpitar sobre tema de tal complexidade, condenar
Israel embalados pelo que se diz na mídia, imersos em feroz
antissemitismo que, por sua vez, se liga ao raivoso antiamericanismo.
Entretanto, não só os incautos das boas intenções que se apiedam
dos pequenos mártires de Alá, escudos humanos do Hamas, vítimas
do fundamentalismo islâmico, mas também os espertalhões ideológicos,
não se dão conta do cerne da questão que foi bem apresentada
por Yossi Kleim Halevi e Michael B. Oren, em matéria publicada
no The Los Angeles Times e transcrita pelo O Estado de S.
Paulo (08/01/2009).
Halevi
e Oren mostram claramente a verdadeira natureza do conflito
ao afirmar que o Hamas, assim como o Hezbollah, no Líbano,
não passa de uma forma avançada do verdadeiro inimigo com
o qual Israel se confronta: o Irã. Desse modo, a atual operação
de Israel contra o Hamas representa um golpe estratégico ao
expansionismo iraniano que engloba a "Arábia Saudita até o
Líbano, por meio do Hezbolah, a Síria e os emirados do Golfo".
Recorde-se que o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, mais
perigoso para o mundo do que um meteóro ou terremoto, e que
tem como meta destruir Israel, contrariou a pressão internacional
e evoluiu rumo ao arsenal nuclear. "Dotada de armas nucleares
a hegemonia iraniana no Oriente Médio seria completa". Portanto,
não é difícil concluir, que uma das bestas do Apocalipse está
solta.
Entrementes,
nosso chanceler de direito, Celso Amorim, parte para o Oriente
Médio com o fito de apresentar "ideias brasileiras". Não ficou
claro se nosso chanceler de fato e responsável pela nossa
desastrada política externa, Marco Aurélio Garcia, irá também.
Em todo caso, as "idéias brasileiras" já são conhecidas. O
Itamaraty deplorou os ataques de Israel à Faixa de Gaza em
vários comunicados e o próprio presidente da República criticou
asperamente os Estados Unidos e a ONU por não terem evitado
a crise, como se isso fosse possível.
Quanto ao partido
de Luiz Inácio, o PT, por conta de seu pendor autoritário
não podia deixar de condenar Israel. Seria, então, conveniente
que Berzoine e seus correligionários, para ser mais coerentes,
começassem a treinar para homens-bomba e as companheiras petistas
envergassem a burka. Caso contrário, poderiam ser chamados
de infiéis, o que é muito perigoso.
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Maria Lucia Victor
Barbosa é socióloga.
Graduada em Sociologia e Política e Administração
Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da
Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários
jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências,
Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com
trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de
Nicolau Maquiavel Florentino". Criadora do Departamento de
Desenvolvimento Social em sua passagem pela Companhia de Habitação
de Londrina. É autora de obras como "O Voto da Pobreza e a
Pobreza do Voto: A Ética da Malandragem" e "América Latina:
Em Busca do Paraíso Perdido".
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