.
.
..
.
.
;
.
.

 

Ir para Principal

 

 

 

 

 

 

 

FOME ZERO =
DEMOCRACIA DE MERCADO?

Itamar Perenha - Jornalista
29 de Janeiro/ 2003

 

Os livros escolares apontam a Grécia (em particular Atenas) como o berço da democracia. As assembléias (reuniões) aconteciam na Ágora (praça). Era o palco das discussões onde o povo decidia diretamente seu destino. É bom lembrar que nem todos eram "cidadãos" (os escravos e as mulheres, por exemplo, não votavam) mas isso não impediu os progressos da "representação direta".

Este era o modelo administrativo das "cidades-Estado" até o desembocar de organizações territoriais mais amplas, involuídas, sob o ponto de vista democrático, para formas absolutistas e suas variantes feudais.

A França é o mais emblemático caso de absolutismo que durou até a burguesia, esgotada em sua capacidade de suportar os ônus da corte, perpetrar a tomada do poder (a tomada da Bastilha é um símbolo) e exercitá-lo mesmo regado ao sangue das guilhotinas.

Nessa condição revolucionária emergiram os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade que conquistaram o mundo e consagraram a escolha de representantes para cuidarem da "res publica" apesar da história registrar diversas recaídas.

A democracia representativa é fruto de uma evolução que funcionou razoavelmente até o período das "corporações de ofício" que foram definhando ante as novas formas de produção ensejadas pelas I e II Revoluções Industriais. A tecnologia foi se sofisticando e, de forma concomitante, propiciando cada vez maiores apropriações e, em conseqüência, gigantescos processos de acumulação de capital através das "companhias"(macro-atores ou atores globais).

A moeda deixou de ser um instrumento de facilitação das trocas comerciais e ultrapassou de longe o papel simplificador do escambo. O dinheiro ganhou vida própria e o gigantismo das companhias ultrapassou as bases territoriais a ponto das horizontalidades sociais prevalecentes no Estado nacional passarem a ser submetidas pelas verticalidades impostas pelos novos processos e tecnologias de produção.

O dinheiro, graças às tecnologias de informação, transpõe as fronteiras e transgride as regulações do Estado e se impõe, sem restrições, em qualquer local que seus detentores desejem. Caso encontre resistência, fomenta guerras seja para apropriação de matérias-primas aos processos que pretende manter ou introduzir e até pela simples conquista de mercados.

E assim o Estado se coloca a serviço das corporações ainda que, teoricamente, disponha do monopólio do exercício da força para sobrepor sua vontade. Essa contrafação, muito além do discurso do livre-comércio, esconde a hegemonia que impulsiona o grande capital segundo sua própria vontade.

Fala-se em inserção global – um discurso repetitivo e monótono para alienar consciências (inclusive esclarecidas) com a cumplicidade das mídias – mas o que se tem, na verdade, é o aumento da exclusão social.

Nunca se teve tanta prosperidade aparente e tantos objetos (mercadorias e respectivos fetiches) enquanto se amplia a multidão de deserdados.

Isso só é possível pela manipulação da democracia representativa gerando um incrível paradoxo: o exercício da cidadania na escolha dos representantes pelo voto esgota-se no próprio dia da eleição pois os "eleitos", a partir dela, passam a agir em função de seus grupos de interesse e legislam, preponderantemente, a favor do capital.

O "Fome Zero", apesar de seu indiscutível alcance social (verdadeiramente universal), não passa de simples política compensatória. A fome é mera conseqüência, não é causa. Assim, não é possível considerar "cumprida a missão em 4 anos de mandato" apenas se, ao final dele, os excluídos conseguirem comer 3 vezes por dia.

É de se esperar que este governo vá além das conseqüências e faça a inflexão necessária, bem mais que "superávit necessário", e ouse enfrentar o "mercado" que vota, privilegiadamente, todo o dia através das Bolsas e da cotação das moedas.

Se o novo Governo só se preocupar em administrar os "humores do mercado" e sucumbir às verticalidades do sistema global, transformando o "Fome Zero"num generoso mas inútil "mea culpa" dos macro-atores, será o fim da democracia representativa que ainda resiste só no aspecto formal.

Para se saber que "a esperança venceu o medo" é indispensável que a "representação" supere a "democracia de mercado" e re-estabeleça um legítimo Estado nacional e isso é muito mais do que convencer (?) o velho e conhecido "balcão de negócios do Congresso".

 

 

 

DF
Interativas
Amizade
ClubeDF
CtrlQualidade
Participe
Expats

Onça

Amor
Seguros
Serviços
Trabalho &

Negócios

JovensElas
ElesPorEles
Viagens
NetPoesia
NetColuna
Humor via e-mail
Cultura
Por aqui, senhores
Entrevista
Moda
Separação
Socorro
Lazer
Sociedade
Mulher
NoivasNoivos
Perfume
Compras
Lar & Casa
Saudável
Internacional
Temáticos
Opinião
Editorial
Editora
DF

 

[ Domínio Feminino © 2000 -2003. Todos os direitos reservados — Brasil - We speak Portuguese