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Em
todas as competições esportivas internacionais de que Cuba
participa, atletas daquele país escafedem-se da concentração,
desaparecem por algum tempo e depois pedem asilo político
ao país que organiza o evento. Nos Jogos Pan-Americanos recentemente
realizados no Rio não foi diferente, a ponto de o ditador-irmão-substituto
Raúl Castro, após mais algumas dessas fugas e com medo de
novas deserções, ter ordenado que a delegação antecipasse
o seu retorno ao país, antes mesmo de receber as medalhas
do basquete, embora, naturalmente, negasse com veemência a
medida. É óbvio que precisava negar, para não passar recibo.
Até um obstinado
carrapato agarrado a um esquálido jegue pastando placidamente
em Garanhuns sabe a razão das fugas, mas os pretensos intelectuais
tupiniquins e uma parte de nossa mídia teimam em apresentar
a ilha-presídio comandada há meio século pelo mesmo ditador
como um paraíso caribenho, um exemplo de "democracia popular",
a ser imitado e implantado não apenas no Brasil mas em toda
a América Latina. Conforme os documentos do Foro de São Paulo
e as ações da atual política externa de Amorim e do obsceno
senhor Garcia estão aí para atestar, o sonho-pesadelo do risível
Hugo Chávez, sorrateiramente acalentado pelas chamadas cabeças
pensantes (sic) do petismo e das esquerdas latino-americanas,
é remontar aqui uma réplica da antiga URSS. Parecem torcedores
do São Cristóvão, campeão carioca de 1926...
Assim é que
nossa intelectualidade ballantines continua pintando o regime
decrépito e comatoso de Cuba com as cores do paraíso, quando
na realidade é um inferno, ao qual cabe perfeitamente o dístico
de Dante: Llasciate ogni speranza, voi ch'entrate. Hayek,
em Intellectuals and socialism, e Mises, em diversos artigos
e livros, esquadrinharam essa doença que acomete muitas pessoas
bafejadas pela fama e o sucesso, o que as leva a adotarem
o socialismo como um escudo, para simularem que, "apesar"
de ricos (resultado que apenas reflete sua aptidão natural),
preocupam-se com os "excluídos". A explicação está muito mais
nos meandros da psicologia do que nas frias escolhas da teoria
econômica, despida da capacidade de mergulhar na alma humana.
Sentindo-se, de alguma forma, culpadas pelo próprio sucesso,
quando deveriam estar felizes com os resultados de seu trabalho
e talento, essas pessoas precisam dar uma explicação para
o seu êxito, até mesmo para que possam continuar a usufruir
as delícias mundanas da fama, e o fazem apoiando o socialismo
e, naturalmente, o cruel regime cubano. Assim, a massa ignorante
- que não sabe discernir igualdade de oportunidades de igualdade
por decreto - os vê com bons olhos.
Os atletas de
Cuba podem ser mal-educados, mas são, em geral, excepcionais.
Não mais do que os nossos, só que, como em qualquer ditadura
que se preze, lá o Estado trata os esportes como uma questão
política, de afirmação da pretensa superioridade do regime.
Daí o seu sucesso e as suas medalhas. Mas quem se apropria
de suas suadas vitórias, a não ser os que mandam no país?
De que adianta você, amigo leitor, bater um recorde mundial
em sua modalidade, se, ao retornar à sua casa, mesmo tendo
comprovado o seu talento e vendo coroado de êxito o seu esforço,
vai continuar a ter direito aos mesmos quatro ovos de galinha
mensais que o governo estabelece como cota para todos? É óbvio
que, na primeira oportunidade, após pesar custos e benefícios
da decisão de pedir asilo no exterior, muitos decidem que
o custo de ficar longe da pátria, da família e dos amigos
é inferior ao benefício da liberdade e do êxito que podem
obter no estrangeiro. Estes são os motivos das fugas. Não
há outros. Se alguém com memória melhor do que a minha conseguir
apontar algum caso de um vietnamita do sul que fugiu para
o Vietnã do Norte, de um ex-alemão ocidental que se evadiu
para a antiga Alemanha comunista, de um coreano do sul que
escapou para o norte ou de um norte-americano que buscou asilo
em Cuba, darei o braço a torcer.
Porque o paraíso
cubano - a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso.
Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do
Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico! .
Ubiratan Iorio é Economista. Escreve para o Jornal do Brasil.
http://www.ubirataniorio.org - O presentea artigo foi publicado,
originalmente, no JORNAL DO BRASIL.
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