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Basta de ecumenismo,
abraços e pedidos
de Paz
Angela Riore
22, Janeiro/2002
Até
quando vamos abraçar a Lagoa ( no caso do Rio de Janeiro),
o Ibirapuera (são Paulo), Pampulha ( Belo Horizonte ) e outros
símbolos de nossas cidades, pedindo Paz e providências
aos nossos dirigentes? Quantas vezes já fizemos isto e aconteceu
o quê? As estatísticas demonstram claramente que aumentaram
os índices de violência e no caso de São Paulo
o crime que mais aumentou (300%) foi o de seqüestro. Então
pergunta-se: que fazer ? Não sei a resposta 100% certa, mas
sabendo o que ocorre em outros países, creio ter uma pista.
E, para gáudio de uns e revolta de outros, tenho que recorrer
aos Estados Unidos, para dar uma direção do que pode
ser efetivamente feito, com resultados a longo prazo — mas com resultados
—, o que não ocorreu até agora com nossos abraços
( devem estar frouxos) e atos ecumênicos.
A primeira
providência seria acabar com esta atrofia organizacional que
é termos Polícia Militar e Polícia Civil.
Feita a
unificação, o próximo passo seria municipalizar
a polícia. Afinal, quem tem que cuidar da cidade é
o prefeito e para isto ele foi eleito pelos seus concidadãos.
O Governador tem todo o Estado para ocupá-lo com mil reivindicações
e pedidos de verbas para os pobres deputados estaduais e prefeitos,
sempre para obras urgentes e do interesse do povo de suas cidades
e currais eleitorais. Dessa forma, não tem tempo para cuidar
de uma cidade-estado como Rio ou São Paulo por exemplo, no
que tange a segurança, que fique claro.
Municipalizada
a Polícia, caberia a prefeitura organizá-la como segue:
A) Segundo
Grau no mínimo para entrar nos quadros da polícia
b) Admissão
na Policia só por concurso público
c) Obrigatoriamente,
os concursos seriam somente para admissão de soldados. Isto
é, todo mundo que entrar na Polícia terá que
ser obrigatoriamente fardado. Irá cuidar do trânsito,
sinais serviços administrativos ou outros também necessário.
Após 3 anos de impecável conduta , mediante concursos
internos ele poderá ser promovido, passando então
a auxiliar de investigação ou outro título
qualquer e passando a usar terno e gravata. Sempre tendo presente
os níveis educacionais necessários (3. grau acima
de soldado)
d) Quadro
de Carreira com todos os níveis hierárquicos e salariais
previamente estabelecidos e do conhecimento de todos, inclusive
do público. Salário mínimo de 05 salários
mínimos regionais iniciais
e) Delegados
não mais seriam indicados pelo chefe da Polícia, mas
sim eleitos pela comunidade onde irá servir, preferencialmente,
que seja morador do bairro, o que seria o ideal
f) Seguro
de Vida e Previdência para todos os policiais. O capital segurado
mínimo seria de 24 salários do policial. No caso de
morte em trabalho, o capital seria em dobro e a viúva em
qualquer caso teria direito a pensão vitalícia equivalente
ao último salário do policial. Hoje o que ocorre,
é que policiais que morrem no desempenho da função
deixam suas famílias a morrer de fome.
Tenho certeza,
que com o quadro acima nossas polícias seriam bem melhores
e o grau de corrupção seria quase zero, pois se sentiriam
valorizados e com salários dignos e com a tranqüilidade
sua e de sua família assegurada. Fora isto, é balela,
pois querer que um policial ganhando R$550,00 — morando na mesma
favela do bandido, quando os filhos desses policiais brincam com
os filhos dos bandidos — suba morro para prendê-lo é
chamá-lo no mínimo de imbecil e/ou suicida.
Curioso
é que o povo brasileiro nunca fez ato ecumênico em
defesa das condições infelizes daqueles que deveriam
cuidar da nossa segurança. Policiais em greve é inadmissível,
vai contra as Leis, mas nós, o povo, podemos exigir por eles.
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