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   O Autólatra e
   o Papa


 

      Berta Ataíde
      Colaborou: Maria da Penha Vieira
      
14, Maio/2006

 

Leia: Editorial

               Clama como arrogância da mediocridade a bravata do autólatra presidente do Brasil ao anunciar que iria “engajar” o Santo Padre Bento XVI na luta pela erradicação da fome no mundo ou no Brasil, seja lá como tenha sido expressado.

No discurso de saudação de boas-vindas ao Papa Bento XVI, o apedeuta e autólatra atual presidente do Brasil, não se dando por convencido nem vencido, insiste em envolver o Santo Padre no engajamento político ideológico. Sem nenhuma precaução em esconder que a redação do discurso obedeceu aos conselhos das eminências pardas da teologia da libertação. Adocicado e falsamente humilde Lula segue seu papo-de-cerca-BentoXVI.

Lula — ‘Nessa ocasião tão especial de júbilo, não posso deixar de mencionar também a nossa cooperação em âmbito internacional, ressaltando o apoio firme e entusiasmado do Vaticano à ação global contra a fome e a pobreza, iniciativa que tem empolgado, no mundo inteiro, líderes governamentais e representantes da sociedade civil, possibilitando avanços concretos e novas esperanças para os povos oprimidos e marginalizados.’

O Santo Padre responde às insistentes retomadas do presidente Lula para inserção de caráter político e ideológico da Igreja Católica e dá reforço à função do pastoreio espiritual, ou seja o caráter essencialmente religoso, o único e verdadeiro motivo de sua visita ao Brasil:

Bento XVI — ‘Sou grato, Senhor Presidente, à Divina Providência que me concede a graça de visitar o Brasil, um País de grande tradição católica. Já tive a oportunidade de referir o motivo principal da minha viagem que tem um alcance latino-americano e um caráter essencialmente religioso.’

Bento XVI ‘Saúdo igualmente os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os seminaristas e os leigos comprometidos com a obra de evangelização da Igreja e com o testemunho de uma vida autenticamente cristã. Enfim, dirijo a minha afetuosa saudação a todos os brasileiros sem distinção, homens e mulheres, famílias, anciãos, enfermos, jovens e crianças. A todos digo de coração: Muito obrigado pela vossa generosa hospitalidade!’

Bento XVI A minha visita, Senhor Presidente, tem um objetivo que ultrapassa as fronteiras nacionais: venho para presidir, em Aparecida, a sessão de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho. Por uma providencial manifestação da bondade do Criador, este País deverá servir de berço para as propostas eclesiais que, Deus queira, poderão dar um novo vigor e impulso missionário a este Continente.’

Bento XVI ‘A Igreja Católica - como coloquei em evidência na Encíclica "Deus Caritas Est " - transformada pela força do Espírito é chamada para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho"

Mais adiante, Lula:

Lula — ‘Tenho certeza de que prioridades como essas, que marcam o nosso empenho pessoal à frente do governo brasileiro, são particularmente caras a Vossa Santidade, e certamente contarão com a corajosa contribuição, sempre elevada e eficaz, da Igreja Católica.’

Não satisfeito: Lula pontua fatos estarrecedores como a velha estória do “tenho dito”

Lula — ‘Tenho dito e repito que o avanço da sociedade brasileira no rumo da justiça e da fraternidade passa necessariamente pela revitalização dos laços familiares, do papel ético e educativo da família. ‘

O novo item elencado ao “tenho dito” surgiu no marketing bem antes da chegada do representante da Igreja Católica Apostólica Romana. Jamais, em nenhum dos períodos de governo algum brasileiro ouviu exortações do presidente nesta direção.

Os parágafos a seguir seriam digno de um processo de tão pleno de inverdades:

Lula‘Atenção muito especial temos dado à nossa juventude, principalmente às suas parcelas mais pobres e sofridas, e vamos ampliá-la cada vez mais. Sabemos que não há como afirmar os valores perenes da pessoa humana, a exemplo do que faz vossa santidade de modo tão iluminado, sem oferecer aos nossos jovens um futuro digno, em todas as suas dimensões, materiais e espirituais.’

Lula‘Outra área fundamental que nos apaixona e mobiliza é a da educação. Estamos convencidos de que uma educação de qualidade e para todos é vital para a consolidação da democracia política, econômica e cultural em nosso país, gerando novas oportunidades para o conjunto da população.’

A compreensão do que seja a espiritualidade da Igreja Católica passa bem longe do presidente Lula e sua turma, sem contar qual seria o significado espiritual de “dignidade coletiva”:

Lula‘O Estado brasileiro e a Igreja Católica têm uma longa e profícua trajetória de respeito mútuo e de cooperação, que se traduz em inúmeras parcerias de ação social e de promoção humana, melhorando a vida de nossa gente e ampliando o seu horizonte de dignidade coletiva.’

Coletivo de população é ótimo:

Lula'Outra área fundamental que nos apaixona e mobiliza é a da educação. Estamos convencidos de que uma educação de qualidade e para todos é vital para a consolidação da democracia política, econômica e cultural em nosso país, gerando novas oportunidades para o conjunto da população'.

Daria, o torneiro mecânico, uma de joni-cotus ( joão-sem-braço ) em cima do Sumo Pontífice? Claríssima, era a intenção de Lula pegar carona na força da Igreja Católica no mundo por meio de seu representante Bento XVI. Se referendado pelo Papa, Lula estaria feito na vida, reconhecido como homem maior do que Cristo que não conseguiu pôr fim a miséria, não fez uso das imprerfeições humanas como a capacidade de mentir, capacidade de camuflar, de enganar já que o Pai determinou o livre arbítrio. Por que Ele desfaria o determinado pelo Pai?

Descobre-se o sonho beatlotiano de Lula em ser mais famoso que o Cristo e mais piedoso que o Papa. E para fechar este tema discurso do Lula:

Lula — 'A sua visita ao Brasil é, para todos nós, uma bênção. Os brasileiros e brasileiras hoje lhe dizem a uma só voz: seja bem-vindo papa Bento 16'.

Sem dúvida alguma o presidente Lula teria escrito Bento 16 em arábico, em vez de algarismo romano, como está sendo transcrito o discurso na maioria dos meios de comunicação. Neste caso o pobre homem não tem culpa nem direito ao erro porque ele não escreve nada.

 

Meu Reino não é deste Mundo
(S. João, cap. XVIII, v. 33, 36 e 37)

Sermão da Montanha

‘Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto á vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao.vosso corpo com o que haveis de vestir. Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento? Olhai para as aves do céu: Não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?

Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo:

"Que comeremos nós, que beberemos, ou que vestiremos?". Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Seu reino e a Sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho.‘

Permeia o encontro de Lula com o Sumo Pontífice Bento XVI o incontestável desconhecimento, por parte do primeiro, e a diferença entre os objetivos dos respectivos reinos. Lula desconhece aos dois pela maneira como tem conduzido, na constante camuflagem de variação de objetivos de projetos de governo, A prática de proselitismo, religioso, inclusive. Desconhece o reino que não é deste mundo e cujo alimento é para produção da elevação do espírito, combatendo a miséria moral.

O alimento para o corpo é dever do Estado promover sua possibilidade de trabalho ( Ler Sermão da Montanha ) e produção com a mesma autonomia com a qual a Igreja Católica premia suas representações permitindo-lhe as oportunidades de trabalho

‘Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho.’ ( Sermão da Montanha )

Vera Cruz, Santa Cruz, Brasil

A Teologia da Libertação, incorporando a teoria marxista à religião, dispensa o sagrado em nome da utopia final do Reino de Deus aqui mesmo na Terra. Este reino deve ser alcançado não exclusivamente pela via sacramental ou espiritual, mas, se for preciso, e sempre o é, pela violência, pois se fundamenta na luta de classes.. Prosseguir leitura

 

O porre hiperbólico

 

O Autólatra e o Papa

Desde um simples Convento que deve ser capaz e prover-se internamente e de se auto-regular disciplinadamente seguindo o estabelecido pelas regras da Igreja Católica. Entende-se assim, o porquê de os monges serem os responsáveis pelas hortas, fabricação de pães, fabricação de vinho, impressão, tecelagem, licores etc que não são apenas para consumo de seus membros, mas, também, como fonte de receita com fins autonômicos. Apenas o que excede pode ser destinado para Roma.

Economicamente não existe a centralização do Vaticano sobre as representações católicas fora do Estado do Vaticano. Este exemplo deveria ser suficiente para o rei tupiniquim pensar em alguma coisa mais avançada e evitar que uma população não vivesse sob o tacão do peso do Estado brasileiro. Bom mesmo seria, como diz o presidente Lula, que o coletivo de população ( conjunto da população ) pudesse livrar-se do fardo que ele, o Lula no reino de Brasília, representa, ao alimentar bocas que não deveriam ter o direito de sobreviver a custa do contribuinte.

O Santo Padre representa o Reino que Lula jamais conseguirá compreender. Representa o Cristo que não veio para cuidar do estômago, mas da alma. Todavia, não demorará para que nosso presidente autólatra ( o seu presidente ) queira ter o poder de multiplicar o pão e o peixe por milagre. Se der corda ele reclamará o Poder Divino. E enquanto este momento não chega — rezemos todos para que demore , nosso dinheiro continuará à solta em Brasília, reino da liberação da libertinagem mesmo que em nenhum instante de seu discurso de saudação, tais passagens tenham sido reveladas ao Santo Padre pelo próprio Lula.

Nenhum pedido público de absolvição foi feito, pelo presidente, por ter provocado e permitido tanta libertinagem, enganação e bandidagem, mesmo tendo-se dito cristão, no pressuposto de católico. Lula acredita que lá do Vaticano Sua Santidade não tenha conhecimento de absolutamente nada dos desmandos que ocorrem nestes dois períodos de seu governo. É o próprio Macunaíma encarnado, regente da velhacaria ditatorial em marcha. Praza os Céus que a vinda do Santo Padre tenha sido, exatamente, pelas ocorrências desregradas na América Latina, como uma maneira de alertar os indivíduos por meio da verdadeira cristandade.

Essa alerta à cristandade seria para trabalhar pelo freio da imoralidade, da pobreza moral e dos resgates dos valores intrínsecos à consciência humana evoluída, que esses já se perdem, desfiados pelo discurso das esquerdas. O tema “acabar com a fome” é bem apropriado ao engodo, pois, se entendermos que o fim da fome representa a morte do ser vivo. Dessa maneira, sabendo-se que todo ser vivo necessita de alimentação a mentira continuará até que consigam os objetivos ideológicos da tirania planejada.

A presença do Santo Padre certamente é para dizer aos clérigos que eles devem estar na labuta pegural das almas e não dos estômagos. Do último, que cuidem os representantes políticos do povo.

 

Berta Ataíde

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