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ARIGATOO – É PENTA !
Maria Luiza Curti - Psicóloga
05, Julho/2002
mlcurti@uol.com.br
Temos
muito que agradecer aos países asiáticos, Coréia
do Sul e Japão, pelo retorno do desejo dos nossos jogadores.
Uma seleção
que fez uma campanha pré-Copa pra lá de sofrível
– por pouco não deixamos de participar (quase que a Venezuela
acaba com nosso sonho). Era uma seleção que não
se acertava, não desenvolvia e levava os torcedores à
loucura!
O brasileiro
(nem todos) tem por hábito escolher um jogador e o eleger
como a "salvação da lavoura". Dessa vez
foi o Romário e tome xingação no Luiz Felipe.
Ele lá, teimoso e empacado, nem é com ele...
Na Copa
passada o eleito foi o Ronaldo. Os torcedores, nacionais, estrangeiros
e até a própria Seleção colocaram
nos ombros daquele menino uma imensa carga de anseios e responsabilidade
de conquistar o penta.
O que
aconteceu todos viram: Ronaldo arriou... e com ele, toda a Seleção,
nosso sonho de ser mais uma vez campeão mundial, ao menos
no futebol.
O fenômeno
que acontece quando o Brasil joga na Copa é importantíssimo
para nós. São 90 minutos em que o Brasil praticamente
pára e se iguala. Tanto o rico como o pobre, o analfabeto
e o intelectual, enfim, todos estão unidos num só
desejo: ver o país chegar lá. No topo. Iguais, também
na ansiedade e no sofrimento da torcida e dos lances perdidos.
Os xingamentos ficam por conta do descarrego de tensões.
Quando se trata de futebol, somos absolutamente passionais (movidos
pela paixão).
Igualmente,
estamos unidos na explosão de alegria de um gol ou de uma
partida vitoriosa.
É
um momento em que há um deslocamento coletivo da nossa
realidade para um país bom, alegre, ufanista e igual. As
lágrimas e sorrisos são verde-amarelos.
Nossos
jogadores chegaram na Coréia do Sul desacreditados, todos
achavam que seria muito difícil passar da fase inicial.
No primeiro jogo, contra a Turquia, uma mãozinha providencial
do juiz mais o gosto da vitória, parece que foi despertando
aquela Seleção que estava em completude (em psicanálise,
completude é igual à morte).
O desejo
foi se instalando e a Seleção crescendo. O melhor
de tudo, e que pouquíssimos entenderam, foi o que o técnico
"Felipão" fez: uma equipe sem heróis e
com responsabilidade coletiva.
E, é
assim que não tenho dúvida que o Brasil tem tudo
para dar certo: com responsabilidade coletiva.
Arigatoo Gozaimasu, Japão!
Sayoonara e até à Alemanha
para o Hexa!
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