O inocente na
terra da vaca louca
Por Caio
Martins
25, Maio/2001
- Não
fui eu! – essa afirmação infantil, no meio
do furacão energético ameaçando a brasileirada
com o holocausto elétrico nacional, mostra que o Presidente
é, das duas, uma: ou um tremendo cara-de-pau irreverente,
incoerente e insensível, ou um pobre ingênuo irresponsável,
inconsciente e incompetente, no comando de uma locomotiva desenfreada
correndo atravessada nos trilhos globalizados.
Vamos direto
ao ponto: o Brasil é um dos países que está
na rabeira dos consumidores modernos de energia elétrica
mesmo sendo potencialmente um dos mais promissores. A desorganização
estrutural do sistema de produção e distribuição
deve-se, em primeiro lugar, ao fato de o Presidente ter o coração
em Paris, ancorado nas mais belas, poéticas e intranscendentes
teorias humanísticas de uma intelectualidade improdutiva
e barulhenta, para a qual os destinos da humanidade é,
apenas, justificativa da própria existência.
Em segundo lugar,
devido o Presidente ter a cabeça em Manhatan, pólo
diretor do sistema financeiro internacional, do qual é
destaque do carro alegórico no carnaval financeiro botocudo.
Esta sucursal não pode dar certo, tem de estar subordinada
à matriz. E o Presidente, na verdade gerente da conta Brasil
para o sistema financeiro internacional globalizado, faz sua lição
de casa direitinho, incluindo os notáveis lances de "marketing"
capazes de desviar a população do nojo incontido
ante tanta sacanagem que assola o país, através
da criação de fatos políticos capazes de
levar-nos ao terror, especialmente quando algo de podre transparece
em suas bases de sustentação. O Tonico Marvadeza
que o diga....
É o "apagão"!
Não sincronizaram as redes de abastecimento, não
investiram na modernização do sistema, não
projetaram os índices de consumo a médio e longo
prazo alicerçados em medidas políticas, técnicas
e administrativas coerentes, e a crise anunciada há mais
de uma década veio... Então, o Presidente diz, com
ares de santa inocência socialdemocrática, que não
sabia de nada, não fora informado. O destaque
com lantejoulas francesas do carro alegórico presidencial
atravessou o samba na avenida, saiu cantando rock"n roll
em inglês e, ainda por cima, indignou-se com a galera...
Na verdade, tomando suas palavras exatamente como foram ditas,
não sabe de nada, nem da crise de energia, nem da crise
moral da política nacional, nem do Brasil desgovernado.
O que
levou dez anos para acontecer, porém, necessitou apenas
de uma semana para ser enquadrado e lançado ao público
com fúria genocida: nós seremos punidos e pagaremos
pelos pratos quebrados na festa de arromba nacional de Brasília,
a verdadeira terra da vaca-louca institucional.
Este
artigo expressa a opinião do autor, contudo, diante das
inúmeras e-mensagens que nos têm chegado consideramos
que é pertinente que seja aberto espaço para a opinião
pública. Ressaltamos que o Domínio Feminino isenta-se
de idelogias partidárias, atendo-se unicamente ao respeito
à opinião de todo cidadão, por respeito à
liberdade de expressão e de pensamento.