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    Presidente estagiário

     21, junho/2009

 

Qualquer homem público que se preze, qualquer indivíduo que respeite seu pais, que tenha um mínimo de orgulho de sua pátria deveria sentir-se satisfeito ao final de um mandato como Chefe da Nação. Não é este exemplo que conhecemos.

Nunca soube de nenhum presidente do período militar que depois de exercer a Presidência da República viesse a ser senador ou deputado federal ou governador nem mesmo com as facilidades biônicas. Todos se retiraram para o recesso de suas vidas privadas, reconhecimento de que a função maior havia sido cumprida.

Reinstalado o pretenso sistema democrático, vemos a corroboração de que chegar a presidir o país não é o posto máximo que satisfaça o político brasileiro. Portanto, o desejo de chegar à chefia da Nação representa a maior oportunidade de manter-se marisco grudado no poder.

O caminho - sem querer - do Senador José Sarney é o mais puro exemplo que deveria provocar nos brasileiros a pergunta: deveria um ex-presidente, para manter o poder político, refazer a trilha que o levou até à presidência? Quais motivações e interesses que impeliriam um executivo que atingiu o posto máximo dentro uma empresa, após ter exercido a presidência, voltar a um cargo de gerente da mesma empresa?

Assim vemos que o posto não representa a coroação máxima da dedicação, competência e da honra.

No caso do ex-presidente José Sarney, mesmo que se reafirme que ele não foi levado até a Presidência por vontade própria e pelo voto direto, ainda assim, mesmo por uma contingência tanto quanto os presidentes militares, ele exerceu o cargo de Presidente do Brasil e, por isto, deveria preservar a honra e orgulho de ter representado o povo brasileiro, tal como fizeram aqueles.

Não foi suficiente; deduz-se que representar-nos não tem a menor importância. Representar a Nação brasileira não tem relevância alguma. O povo brasileiro deveria sentir-se humilhado, envergonhado em ver que o mais alto cargo político serve apenas como tempo de estágio para o poder maior.

Mais um presidente, como o Lula, pretendente à presidência da Petrobrás se a Dilma for eleita, demonstra a tradição pelo desapreço e a desonra do cargo de Presidente da República. Nestas próximas eleições a Sra. Dilma será a candidata ao estágio; por alguns anos, possivelmente, viverá na triste condição de Presidente do Brasil até que assuma o verdadeiro poder.

Não se pede que sigam o caminho dos exemplos dos presidentes da América do Norte, que ao final de seus mandatos - após reeleição se for o caso - , se retiram da vida pública; assim tem sido desde a fundação da mais antiga República, porém, nunca se esqueciam da importância de suas existências para a História do seu país e permaneciam em constante atenção até a morte. Não pedimos nenhum exemplo de John Adams, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, ou outro. Todo brasileiro gostaria, ao menos, de um modelo tropicalista menos desairoso.

O povo brasileiro não se dá conta do quão é humilhante não poder sentir orgulho e prestar o devido respeito a aquele que já foi Chefe da sua Nação, da Nação brasileira e aquele que rende o outro no turno do poder, não se lembra que cedo será apenas uma foto em preto e branco penduranda em um canto, desbotandos pelo caminho natural do tempo. Porém, deixar a honra manchada deveria ser vergonha, dessas que se transformam em maldição e se estendem por todas as futuras gerações.

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