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    A dor como espetáculo

     27, Abril/2008

 

Um mínimo de controle emocional seria muito útil em situações como a população ensandecida tem reagido contra o casal Nardoni suspeito de terem assinado a criança Isabella Nardoni.

Em nenhum momento se pode deixar passar a possibilidade de que o pai da criança possa ser culpado. Perfil psicológico e histórico de violência leva a não acreditar que ele merece tanta certeza de inocência. Um homem estressado e capaz de ameaçar de morte como o fez com a sogra e que foi registrado numa Delegacia de Polícia de São Paulo.

A expressão dos olhos de Nardoni não merecem confiança. O biótipo também não. Parece do tipo marrento. Mas, e daí?

Daí que não será com bases em hipóteses mal iniciadas e mal finalizadas que se produzirão peças materiais concretas que justifiquem a incriminação.

Tão pouco pode se confiar na competência dos policiais sejam militares ou civis quando se trata de lidar com a cena do crime. E nisto ficou bem patente a incompetência pelo que foi informado através da imprensa.

Neste quebra-cabeças ficam faltando peças elementares que fariam com que Sherlock Holmes torcesse o nariz. Além do uso indevido de informações dos laudos periciais usadas nos.interrogatórios, necessidade de encontrar logo o bode-expiatório como no caso do casal donos da escola em são paulo que foram acusados de pedofilia e que até hoje amarguram dores que jamais cicatrizarão.

Nossas perguntas são simples para que as polícias vejam o quanto são irresponsáveis ou despreparados.

Sem respostas

1 - Qual a motivação para o assassinato?
2 - Por qual motivo, de imediato, o local do crime não foi lacrado impedindo que qualquer pessoa entrasse até o início das perícias? E somente os peritos poderiam ter acesso e responder pela descaracterização do local?
3 - Por que não foram encontradas as ferramentas utilizadas para cortar a tela de proteção se elas estavam exatamente no parapeito da janela onde depois facilmente foram encontradas ? Inicialmente desconhecia-se, apesar da presença da polícia, o local onde estavam as ferramentas utilizadas para cortar a tela de proteção. Ninguém viu e foi o que a imprensa noticiou por mais de dois dias.
4 - Por que com base em testemunhos de colegas e ex-colegas de trabalho, amigos, conhecidos, vizinhos da residência anterior e outras pessoas próximas não foi montado um perfil psicológico dos acusados?
5 - O depoimento do vizinho do apartamento da frente que garante ter ouvido a criança gritar pedindo ao pai que parasse: pára pai...pára...pai. não corresponde à fração de tempo comparada com a afirmação de que a criança já havia chegado desmaiada ao apartamento.
6 - Se a criança já estava ferida e desmaiada, por que asfixiá-la?.

Pensando na afirmação da perícia de que a criança havia sido agredida já no carro, todos devem ter pensado na dificuldade que o pai teria para isto tendo em vista que o encosto do banco do carro vai até a cabeça de acordo com o que foi publicado em imagens desenhadas. A possibilidade da agressão estaria com a madrasta. Considerando que a criança vitimada nunca revelou agressão ou maus tratos à mãe, fica difícil compreender todo o quadro sem que se apresente a motivação para a agressão primeira.

Estranha-se a velocidade com que a polícia encaminha o fato. Quantos brasileiros mortos em São Paulo, nas mesmas circunstâncias trágicas são mortos e mal passam do rodapé de jornal imaginem tanto aparato tecnológico com os quais reduzidíssimo número de policiais sabem operar.

Justiça? Que justiça? O "Caso Escola Base" é uma das maiores vergonhas para a mídia brasileira. Em 1994, indefesos empresários, donos de uma pequena escola em São Paulo, são acusados de abusarem sexualmente de seus alunos. Duas mães psicologicamente desequilibradas, um delegado exibido e irresponsável e a mídia sensacionalista, juntos, jogaram a Opinião Pública contra os pobres coitados, destruindo sua empresa e suas vidas. Oito anos depois, o Superior Tribunal de Justiça condena o Estado de São Paulo a pagar uma indenização por danos morais de R$ 250 mil a cada um dos 3 empresários. Nem as caluniadoras, nem a mídia foram molestadas. A conta vai ser paga pelos contribuintes. Justiça tarda e falha. [Vários jornais em 20/11/02]. www.imagemempresarial.com.

Não que a vítima, uma criança, não mereça que se encontre seu assassino ou assassinos, mas causa revolta em saber que todos os brasileiros vítimas inocentes de tanta violência não mereçam o mesmo. Também não se entende que a população não reaja com tanto furor para proteger uma pessoa sendo assaltada na frente de todos e ninguém demonstra revolta. Vêem e saem indiferentes.

Domínio Feminino gostaria de acreditar que os Nardoni não praticaram o crime. Preferível, mil vezes, saber que o pai foi acusado injustamente por incompetência das polícias e destrambelhamento do Ministério Público a ter assassinado a própria filha, ou cúmplice.

Também seria muito bom que todos os casos recebessem tratamento espetacular dos veículos de comunicação, mas a doce Isabella se foi em hora muito suspeita para a Nação brasileira. Deve haver quem esteja devedor por ela ter se esvaído pela cortina de fumaça da janela.

Perdão Isabellas e Isabellas, por este Brasil que não cuida de seus filhos. Isabella você nem chegou a saber que quando tragédias, assim como a sua, acontecem em hora que para muitos é propícia, eles tem um jeito estranho de comemorar. Eles dizem: top-top. E a Constituição brasileira fica te devendo a vida que prometeu e não cumpriu.

Neste domingo, o espetáculo chegou ao ápice com a reconstituição do crime que poderia ter acontecido à noite no mesmo horário do crime. Mas a falta do holofote maior, o sol, impediria a pujança do absurdo.

Sobe

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