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Sobre
a Editora Corpo da Letra
Em 1988, quando
a Editora Corpo da Letra entrou para o mercado, já
vinha com uma filosofia definida, moldada nos inúmeros
modelos de pequenas editoras européias com a
mesma proposta, ainda que soubesse o modelo do Estado
brasileiro sem políticas efetivas para o mercado
editorial, contasse como dificuldade maior.
No Brasil, tanto
o mercado como a imprensa nos recebeu maravilhosamente
em que pesasse nossa proposta soar destonada com nossa
cultura empresarial no segmento de publicações
de livros.
Nossa proposta era
mostrar que uma editora de pequeno porte não
funcionaria diferente das de grande porte. A idéia
como funciona em muitos países onde o mercado
editorial é saudável, é forte,
usando a França como parâmetro: onde existem
os quatro grandes grupos multinacionais e quatro grandes
grupos nacionais e do total de mais de 3.000 publicadoras
de livros, 3.000 são pequenas, menores do que
a Corpo da Letra se propunha ser.
Pela cultura do
nosso segmento, uma editora com esta proposta não
se sustentaria por muito tempo, um ano no máximo,
sem volume de publicações. Entendia-se
que era necessário uma grande produção
e maior ainda deveria ser a variedade de títulos.
Essa filosofia baseada em quantificação
faz com que uma publicadora tenha 300 títulos
de ficção, por exemplo, brigando um com
o outro. Um autor terá que enfrentar dentro da
própria casa a concorrência de dezenas
ou centenas de outros, o que ocasiona dificuldades no
relacionamento publicadora/ autor.
Corpo da Letra Editora
entendeu que no Brasil pouco introduzido na cultura
da leitura, do consumo de livros, investir em autores
nacionais e com no máximo dois autores por gênero,
seria mais do que suficiente para desenvolver um trabalho
adequado à proposta escolhida, entendendo também
que, fechar seu catálogo em áreas específicas,
funcionando como segmentada, como livros didáticos,
aumentaria os riscos ao tentar concorrer com as especializadas
e outras publicadoras pequenas mas que já haviam
conquistado seu nicho.
Velhos
vícios
Lançar títulos
novos a cada semana ou a cada mês tornou-se um
vício ou compulsão na disputa pelo mercado
que não consegue absorver tanta demanda, isso,
sem trazer para a discussão os graves problemas
com a distribuição o nó
górdio do mercado editorial brasileiro
principalmente para as pequenas editoras que quase sempre
carecem de títulos que vendam aos milhares para
servir de barganha junto aos livreiros, como é
prática usual no mercado.
No quesito distribuição,
as dificuldades têm início pela falta de
distribuidores bem estruturados e atraídos por
um retorno financeiro equivalente ao retorno que têm
as livrarias cobrando percentuais equivalentes, mas,
sem que esses percentuais jamais ultrapassem os percentuais
da publicadora e do autor. Os percentuais praticados
pelo setor livreiro gira em torno de 35 a 60% do preço
de capa. Os percentuais mais altos são praticados
pelas grandes cadeias de livrarias.
Práticas
ausentes
Mesmo considerando
a ausência da participação do Estado,
que não tem práticas definidas para composição
de acervo das bibliotecas, escolas e universidades públicas
e outras fontes de incentivos, o Brasil ainda tem o
livro mais barato do mundo. Em países europeus,
a aquisição de livros pelo Estado, gira
em torno de 37% e outros incentivos.
Autor
nacional
Ter poucos títulos
e de boa qualidade trabalhando-os em todas as formas,
com bons autores nacionais é o objetivo da Editora
Corpo da Letra, ao mesmo tempo em que sabe e conhece
as dificuldades de trabalhar com novos autores nacionais.
O autor estrangeiro,
o título adquirido fora do Brasil ainda é
muito atraente pelo custo mais baixo e pela aceitação
já comprovada em seus países de origem,
além de outros atrativos, ao contrário
do autor brasileiro e novo, cujas dificuldades se iniciam
na necessidade de altos custos de investimentos nesse
autor desconhecido por não ter sido apresentado
nem testado no mercado.
Livro
não envelhece
Baudelaire, Machado de Assis, Virgílio,
envelheceram?
Por não haver
envelhecimento do conteúdo de uma publicação
literária, a não ser que ela seja datada
ou técnica, mesmo as científicas que tantas
polêmicas agregam, qualquer título pode
ser trabalhado e comercializado mesmo muito tempo após
sua primeira edição, em qualquer época.
Edição esta que pode ser revista e republicada.
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