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"Pô cara, é adrenalina
pura!"
Esta frase é comum
quando alguém tenta transpor os próprios limites em esportes
radicais ou mesmo depois de correr qualquer risco.
Adrenalina, é um
hormônio que está na moda.
Quando um animal
é ameaçado, as opções são, geralmente, ficar e lutar, ou correr.
A liberação de adrenalina é acionada, aumentando a velocidade
dos batimentos cardíacos, metabolização e respiração.
Com o animal homem
acontece o mesmo fenômeno. Quando levamos um susto, sentimo-nos
ameaçados ou praticamos esporte radical, a adrenalina é liberada
na corrente sanguínea "turbinando" o organismo para enfrentar
a situação de perigo ou alerta. A adrenalina é um estimulante
natural.
É um hormônio que
atua sobre o sistema nervoso simpático: coração, pulmões,
vasos sanguíneos, órgãos genitais, etc. É liberado em resposta
ao stress físico ou mental.
Geralmente, no passado
remoto, o homem fazia o possível para evitar situações que
desencadeassem esse quadro de stress, exceto nas ocasiões
em que, premido pelas necessidades de sobrevivência, ia à
caça ou defrontar seus inimigos.
Hoje, é moda, principalmente
entre os jovens, provocar descargas de adrenalina.
Nossos ancestrais
evitavam sair de suas cavernas quando um animal ameaçador
estivesse por perto. Com a evolução os homens foram se expondo
a mais perigos até com o auxílio propiciado pelas novas tecnologias.
Atualmente, os perigos
que rondam a nossa caverna, são os mais variados, até os de
ordem emocional.
Bungee Jump, paraquedismo,
alpinismo, rappel, paraglider (decolar de uma montanha e subir),
surf, skate. Na Califórnia há uma montanha russa: Lethal Weapon,
destinada a produzir o máximo de adrenalina; é uma montanha
russa invertida, com a primeira curva horizontal do mundo,
apelidada de Aussie Leop, no parque da Warner Bros. Descer
de buggies "com emoção", nas dunas do Ceará. Os gamemaníacos
e por aí afora...
Para quem não pode
ir às montanhas, há em algumas academias a "escalada indoor"
que reproduz as sensações e desafios de quem sobe montanhas.
A descarga de adrenalina é grande, pois a subida exige força
nos músculos além da atitude de desafio aos seus próprios
limites.
O desafio competitivo
do mercado de trabalho e para manter-se nele, provoca um estado
de stress e uma produção constante de adrenalina. Mais adrenalina,
também, para quem quer estar sempre na mídia.
São viciados em
adrenalina, por exemplo, quem anda na corda bamba no casamento.
Há, também, os viciados em apaixonar-se. A paixão, enquanto
dura, também libera adrenalina, mas como toda paixão, tem
prazo de validade. Os viciados vivem de paixonite em paixonite.
Os viciados em adrenalina
têm como característica a repetição. Mesmo podendo evitar
tais situações que levam a um quadro de stress, eles repetem,
repetem. Essas repetições lhes proporcionam um prazer momentâneo.
Tempos atrás, recebi
um paciente num estado lamentável de depressão, só chorava
e pensava em morrer.
No transcorrer da
terapia, contou que há alguns anos estava viajando por uma
auto-estrada em grande velocidade e, numa curva seu carro
capotou. Enquanto o carro girava nas várias voltas que deu
até parar, disse que sentiu um enorme prazer. Algum tempo
depois passou a pilotar uma moto, sempre em alta velocidade
e que, por várias vezes provocava acidentes, batendo de propósito
em carros no trânsito da cidade. Quando a moto batia no carro
ele rolava e sentia o mesmo prazer da primeira capotada.
Claro que essa prática
lhe rendia, além de inúmeros aborrecimentos, pernas, braços,
costelas quebradas, mas era só sarar que lá estava ele novamente
provocando outros acidentes. Ele sabia que corria risco de
morrer e foi pensando nisso que resolveu parar de provocar
essas situações. Depois disso entrou numa depressão profunda.
Mas, não é só o
hormônio adrenalina que vicia fazendo com que o sujeito busque
a repetição; há as endorfinas que são analgésicos naturais
que entram em cena logo após a adrenalina como uma resposta
a esse hormônio, causando uma sensação muito boa de entorpecimento
e bem-estar cessando as dores.
Por serem substâncias
naturais produzidas pelo próprio corpo, pode-se pensar que
são inócuas, porém, o constante estado de alerta pode levar
a uma "fase de exaustão".
O aumento da intensidade
do trabalho cardíaco, o estreitamento dos vasos ou a contração
de uma artéria que já tenha certo entupimento, pode evoluir
para um bloqueio total e causar um infarto.
A adrenalina é um
hormônio estimulante natural, mas como dizia minha avó: "Vamos
devagar com o andor porque o santo é de barro".
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