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Ela retorna!


             Raiva

 

             Maria Luiza Curti
             Psicóloga clínica – crp. 14/01733-1
             Comunique-se

             31, Março/2001

 

Qual é sua maneira de sentir raiva? Você é daquelas pessoas "tipo" fera que vai direto na jugular do outro? Ou será que é daquelas que sabem disfarçar muito bem esse sentimento se esforçando por não demonstrá-lo, escondendo que está lilás de raiva?

Se pertencer ao primeiro grupo, certamente seu círculo de amizades deve ser bem restrito (ou nenhum amigo), e as pessoas que vivem à sua volta devem nutrir por você sentimentos mais próximos ao medo, pois pode lhes parecer um bicho preste a atacar.

Se o seu caso for o segundo grupo, possivelmente estará cercado de amigos que têm de você as melhores das impressões, assim como: uma pessoa cordata; nunca reclama de nada nem de ninguém; uma criatura doce que não reclama mesmo quando é alvo de injustiças; pode ser considerado fino e elegante.

Todos nós somos dotados de dois sentimentos básicos: amor e ódio. As coisas boas ou más que vamos vivenciando vão se encarregando de dosá-los em nosso interior e a forma com que cada um expressa esses sentimentos vai depender das experiências vivenciais de cada um.

Engolir a raiva não é saudável. Se isso acontecer, a pessoa poderá até sair bem na fotografia, mas há o perigo do sentimento eclodir internamente podendo emergir em forma de alergias, dores de cabeça, males do estomago, doenças de pele, câncer. Uma alegoria de doenças que pode ter como origem a raiva reprimida.

Então, como fazer para não parecer um "bicho-do-mato", ou não morrer de indigestão com a raiva engolida?

É fundamental reconhecer que está sentindo raiva e identificar sua origem. Por exemplo, se no trabalho seu chefe fez ou falou alguma coisa que o deixou botando fogo pelas ventas como um dragão, é necessário primeiro admitir que está furioso. Aquela velha contagem até 10, 100 ou 1000 (depende do tamanho da sua raiva), sempre resolve como pausa para dar uma elaborada no turbilhão que vai por dentro. Se puder peça para conversar, falar para ele sobre o quanto sua atitude o aborreceu.

O diálogo ainda é o melhor remédio para a raiva contida. Irá propiciar a oportunidade de ir colocando-a para fora num desabafo franco e controlado. De uma maneira civilizada a raiva represada encontra uma forma de sair sem prejudicá-lo e também não deixa uma impressão de fera sobre a sua pessoa.

Se o diálogo por um motivo ou por outro não for possível, há outras formas de desabafo, como por exemplo, as artes: pintar quadros, esculpir, trabalhos manuais, etc... os exercícios físicos também promovem grande alívio. Outra alternativa é colocar no papel; escrever sobre tudo que está sentindo, mesmo que depois você rasgue o papel e jogue fora.

Para vivermos em sociedade como pessoas "civilizadas" é necessário que desde pequenos aprendamos a dominar esse sentimento e dar formas aceitáveis à sua expressão. Os "não pode" que ouvimos de nossos pais desde a mais tenra idade vão nos educando para que futuramente não ataquemos o vizinho num momento de cólera. Dependendo da maneira pela qual a criança introjeta esse "não" é que será construída a forma de reagir à raiva quando adultos.

Mesmo depois de "civilizados" o "não" nos incomoda, não nos deixando muito à vontade, e é dele que provém esse "mal-estar na civilização" que Freud falou..

 

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