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Idosos
Maria
Luiza Curti
Psicóloga
clínica – crp. 14/01733-1
Comunique-se
09,
Outubro/2003
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“Como são difíceis
e dolorosos os últimos dias de um velho! Fica mais fraco a cada
dia, os olhos quase não vêem, os ouvidos ficam surdos; a força
desfalece; o coração não conhece mais a paz; a boca silencia
e não diz palavra. O poder da mente diminui e hoje não pode
lembrar como foi ontem. Todos os ossos doem. Coisas que até
pouco tempo eram feitas com prazer são dolorosas agora; e o
paladar desaparece. A velhice é a pior desgraça que pode afligir
o homem.” Ptá-hotep – filósofo-poeta
egípcio – 2500 a.C.
riste a sociedade
que precisa de leis e penas para respeitar seus idosos.
De que massa
foi feita, quais componentes foram usados na formação dessa consciência
social tão desrespeitosa e cruel para com seus velhos?
Desde que o
mundo é mundo, se nasce, cresce e envelhece. Então, por que certas
sociedades não se acostumam com essa realidade e tratam as pessoas
que já foram jovens com rigorosa injustiça? Pois, não foram eles
que quando dispunham de pleno vigor produtivo, contribuíram com
seu trabalho, ajudando na produção dessa modernidade que hoje desfrutamos
em todos os campos?
Até a pouco
tempo atrás, era comum ouvir dizer: “O mundo é dos jovens!”. Já
não dizem tanto, mas ainda se comportam como se essa máxima fosse
o supra-sumo da verdade. Mas, aos poucos, muito sem-graça, vão se
dando conta que o mundo está envelhecendo.
A meticulosa
está sempre colocando ordem no conteúdo de sua bolsa. Em geral escolhe
aquelas com várias repartições e mantém o acessório impecavelmente
ordenado.
O controle
da natalidade, fazendo com que diminua a taxa de nascimento, e o
avanço científico melhorando as condições de saúde, estão fazendo
com que nossa expectativa de vida aumente cada vez mais. Conseqüência:
num futuro bem próximo, fatalmente teremos um boom de idosos.
Mas, a pergunta
persiste, por que a sociedade de um modo geral, englobando a própria
família, trata com tanta desconsideração seus velhos?
Particularmente,
para a família, velho bom é velho quieto, daqueles que ficam sentados,
meio que transparente, num canto em silêncio, evitando atrapalhar
o bom andamento da casa. Quem tem tempo para escutá-lo? Fala devagar
e, haja paciência para ouvir aquelas histórias do tempo que se “amarrava
cachorro com lingüiça”. Para eles a única coisa boa do idoso é seu
salário no final do mês. Os planos de saúde gostavam dos idosos
porque pagavam mais. Gostavam, agora, é mais um a engrossar a lista
dos que têm horror a velhos.
Há grande incidência
de depressão entre os idosos. Pudera! Já não bastasse o grande número
de perdas que ele tem que amargar, como: das pessoas amadas, de
trabalho, do status, da auto-estima, do controle e das escolhas,
há também a gradativa perda da saúde, o que o predispõe a males
como: artrite, doença de Alzheimer, catarata, doenças cardíacas,
câncer, derrame, etc. O único ganho que o idoso tem é uma lista
crescente de incapacidades: incapaz de dirigir no trânsito, de andar
com agilidade, de controlar a urina, de ser independente, de tomar
banho e vestir-se com rapidez...
Junte-se a
tudo isso, a discriminação social e teremos a resposta do porquê
à grande incidência de depressão em idosos. Todo profissional de
psicologia sabe que a depressão é raiva contida e voltada para dentro,
e essa raiva aparece como tristeza e melancolia.
Mas, a pergunta
ainda persiste: por que a sociedade discrimina os idosos?
A resposta
é simples e está no espelho que o idoso representa para os que ainda
não envelheceram. Sabedores de todas as perdas, incapacidades e
discriminação que o idoso enfrenta, não suportam olharem para o
velho e se verem amanhã.
Vamos torcer
para que chegue o dia em que as pessoas não se traumatizem tanto
diante de um estágio da vida que fatalmente nos atingirá a todos
e passem a encarar a velhice com mais tranqüilidade e aceitação.
Se assistirmos
à pessoa idosa com compreensão, carinho e atenção, quem sabe, se
num futuro bem próximo, quando chegar nossa vez, nossos filhos e
netos não precisem de leis e sanções para obrigá-los a nos proporcionar
uma velhice mais digna, suave e amorosa.
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