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             Coração cabeludo

 

             Maria Luiza Curti*
             Psicóloga clínica – crp. 14/01733-1
             Comunique-se
             22, Março/2003

 

            Quando criança ouvia a seguinte referência, por parte dos adultos, a uma pessoa que era, por eles, considerada má: “Fulano tem o coração cabeludo”.

            Hoje, alguém duvida que o líder Saddan Hussein tenha um “coração cabeludo”, depois de todas arbitrariedades e atrocidades que já cometeu contra seu próprio povo e adjacências? E o que dizer de Bush, o pretenso “salvador do mundo”?

            Que o líder iraquiano aja da maneira que veio se conduzindo até hoje, não é compreensível nem desculpável, como não o é, o desvario de um presidente de um dos paises que detêm a vanguarda tecnológica e com um leque imenso de cabeças pensantes, que teima, contra a maioria mundial que é contra a guerra e a favor da paz, em invadir o Iraque para destituir outro insano que faz do seu povo, seu próprio escudo.

            Muitas são as hipóteses levantadas pelos que querem entender as motivações que movem Bush a escrever sua história e a dos EUA, com sangue e terror, quando poderia e teve tudo para escrever uma bela e louvável página, aproveitando a linha de seu antecessor, Jimmy Carter, Nobel da Paz 2002, pela defesa dos direitos humanos e esforços em prol da paz mundial.

            Mas, voltando às hipotéticas motivações, alguns arriscam no petróleo; no desejo de desarmar o inimigo; na satisfação do desejo do pai; na competição com o pai (“eu consegui, você não!”); na vingança pelo ataque a New York; na demonstração de poderio e força...

            Pode ser qualquer uma ou todas juntas e outras mais, só não pode ser, como ele cinicamente costuma dizer: ajuda humanitária. Em forma de bomba? Repetir o que fez no Afeganistão? Despejar bombas, comida e remédio, é patético e um deboche à cognição mundial.

            Nesse momento, dia 21/03/03 à tarde, olho a TV e vejo o que Bush quer que o mundo veja: Bagdá sendo arrasada pelas bombas. É um horror feérico...

            O que sinto? Coloco-me no lugar daqueles homens, mulheres e crianças que estão embaixo daquele inferno e é horrível... é uma Guernica terrivelmente ampliada...

            O espetáculo que Bush nos proporciona faz a destruição das Torres Gêmeas parecerem filminho de terceira categoria; a grande diferença está na surpresa do ataque às Torres que, arrepiou o mundo. Essa destruição, a de Bagdá, foi uma tragédia anunciada, portanto, sem aquele impacto da surpresa, que faz, à saturação de propaganda, com que muitas pessoas aceitem, digiram e até lhe dêem razão. Mas, a crueldade é a mesma.

            Agora, Osama Bin Laden, Saddan Hussein e Bush se igualaram, pois têm “corações e mentes cabeludos”.

            É o medo e o terror diante de seu poderio bélico que queria impingir ao mundo. Creio que, em parte, conseguiu, porque muitas nações de agora em diante vão temer discordar do “grande senhor da guerra” e receber como resposta, comprimidos de Tomahauk.

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