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Quando criança ouvia a seguinte referência,
por parte dos adultos, a uma pessoa que era, por eles, considerada
má: “Fulano tem o coração cabeludo”.
Hoje, alguém duvida que o líder Saddan
Hussein tenha um “coração cabeludo”, depois de todas arbitrariedades
e atrocidades que já cometeu contra seu próprio povo e adjacências?
E o que dizer de Bush, o pretenso “salvador do mundo”?
Que o líder iraquiano aja da maneira
que veio se conduzindo até hoje, não é compreensível nem desculpável,
como não o é, o desvario de um presidente de um dos paises
que detêm a vanguarda tecnológica e com um leque imenso de
cabeças pensantes, que teima, contra a maioria mundial que
é contra a guerra e a favor da paz, em invadir o Iraque para
destituir outro insano que faz do seu povo, seu próprio escudo.
Muitas são as hipóteses levantadas
pelos que querem entender as motivações que movem Bush a escrever
sua história e a dos EUA, com sangue e terror, quando poderia
e teve tudo para escrever uma bela e louvável página, aproveitando
a linha de seu antecessor, Jimmy Carter, Nobel da Paz 2002,
pela defesa dos direitos humanos e esforços em prol da paz
mundial.
Mas, voltando às hipotéticas motivações,
alguns arriscam no petróleo; no desejo de desarmar o inimigo;
na satisfação do desejo do pai; na competição com o pai (“eu
consegui, você não!”); na vingança pelo ataque a New York;
na demonstração de poderio e força...
Pode ser qualquer uma ou todas juntas
e outras mais, só não pode ser, como ele cinicamente costuma
dizer: ajuda humanitária. Em forma de bomba? Repetir o que
fez no Afeganistão? Despejar bombas, comida e remédio, é patético
e um deboche à cognição mundial.
Nesse momento, dia 21/03/03 à tarde,
olho a TV e vejo o que Bush quer que o mundo veja: Bagdá sendo
arrasada pelas bombas. É um horror feérico...
O que sinto? Coloco-me no lugar daqueles
homens, mulheres e crianças que estão embaixo daquele inferno
e é horrível... é uma Guernica terrivelmente ampliada...
O espetáculo que Bush nos proporciona
faz a destruição das Torres Gêmeas parecerem filminho de terceira
categoria; a grande diferença está na surpresa do ataque às
Torres que, arrepiou o mundo. Essa destruição, a de Bagdá,
foi uma tragédia anunciada, portanto, sem aquele impacto da
surpresa, que faz, à saturação de propaganda, com que muitas
pessoas aceitem, digiram e até lhe dêem razão. Mas, a crueldade
é a mesma.
Agora, Osama Bin Laden, Saddan Hussein
e Bush se igualaram, pois têm “corações e mentes cabeludos”.
É o medo e o terror diante de seu poderio
bélico que queria impingir ao mundo. Creio que, em parte,
conseguiu, porque muitas nações de agora em diante vão temer
discordar do “grande senhor da guerra” e receber como resposta,
comprimidos de Tomahauk.
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Maria Luiza Curti Artigos
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