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Quem tem um discurso
todo depurado de preconceito contra o negro e quando lê notícias
sobre injustiças sofridas por pessoas dessa raça, também acha
um absurdo e uma indignidade qualquer atitude preconceituosa,
mas fica furiosa e inconformada se seus filhos ou outro membro
da família namora ou casa-se com negros, está sendo mendaz.
O dicionário diz
que mendacidade é hipocrisia, falsidade. A sociedade é pródiga
em mendacidade. Ao longo da história, e no dia-a-dia, atitudes
hipócritas proliferam em todos os segmentos sociais. Exemplos
de falsidade é que não faltam.
Quando os seguidores de Hitler diziam aos judeus que eles
iam tomar banho por uma questão de higiene e saúde e soltavam
gás pelos chuveiros, estavam sendo, além de mendazes, criminosos.
O que dizer do governante que se elegeu prometendo proteger
a poupança do povo e como primeira atitude, depois de empossado,
confiscou toda a poupança de um país? O marido e pai ao exigir,
dentro de sua casa, que a própria família se paute por atitudes
dignas, retas e, no entanto, lá fora, trai descaradamente
a mulher e trata seus negócios com total falta de escrúpulos,
também é mendaz. A mãe que mantém um louvável e saudável diálogo
contra o uso de drogas com os filhos, mas não passa sem suas
anfetaminas para manter a forma e não dorme sem seus “abençoados”
barbitúricos, é outra mendaz.
A criança que prefere brincar a fazer seus deveres escolares
ou de casa e mente dizendo que já fez ou simula estar doente
para não cumprir sua obrigação, está incorporando os rumos
da mendacidade com seus familiares, já que a família é sua
primeira experiência social e certamente essas distorções
serão ampliadas na sua futura vida amorosa e profissional.
Muitos pais, nem
se dão conta de que, estão passando para os filhos, subjetivamente,
os caminhos da hipocrisia, pois também apreenderam dos seus
próprios pais esse jeito incoerente de ser no mundo, que por
sua vez, também, se apropriaram dos moldes dos seus, portanto,
mesmo que às vezes sintam um mal-estar por estar atuando em
freqüências diferentes, não conseguem identificar onde está
a incoerência. Fica tudo muito normal porque, em princípio,
não conhecem outro modo de ser. É assim que se transmitem
os preconceitos e as hipocrisias sociais. Digo subjetivamente,
porque ninguém ensina aos filhos: pense de uma forma, fale
de outra e faça de outra; isso é assimilado por percepção
subjetiva.
Quem se encontra
desarmônico nas faculdades de pensar, falar e fazer, está
num desequilíbrio que o faz injusto, infeliz e suscetível
a doenças psicossomáticas.Quanto mais nos aproximamos da coerência
entre nossos pensamentos, discursos e maneira de agir, mais
verdadeiros e saudáveis seremos conosco e com os outros. Só
assim, harmonizando uma linguagem sincrônica para o eu, a
sociedade vai se tornar menos mendaz! .
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Maria Luiza Curti Artigos
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