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   A volta para casa
   

 

    

    Maria Luiza Curti ( * )
    Psicóloga clínica – crp. 14/01733-1
    Comunique-se
    04, Novembro/2004

Ela retornou!!

 

          Os filhos que se casaram ou saíram do convívio diário com os pais para viverem suas próprias vidas, em certos momentos, empreendem uma volta para a casa dos pais ou daqueles que os criaram.

          Não é aquela volta de mala e cuia, nem por muito tempo; às vezes só por alguns minutos. Geralmente, é quando estão com problemas, com aqueles problemas que parecem dar um nó na cabeça. Pode ser financeiro, amoroso, profissional ou todos juntos. É quando você diz: "Pára o mundo que eu quero descer!". Nessa hora, meus amigos, você só não toma o caminho da casa dos pais, apenas se for completamente inviável chegar lá.

          Alguns pais, por não entenderem a atitude do filho, podem comentar ou apenas pensar: "Lá vem aquele problemático jogar tudo para cima de mim. Quando está bem nunca aparece...".

          Se essas pessoas pararem para pensar um pouquinho, vão recordar que antes de serem pais, já foram filhos e, atire a primeira chinelada, aquele que em algum (ou muitos) momento da vida nunca foi ou teve muita vontade de estar lá junto de sua mãe.

          Nesses dias atribulados que levamos atualmente, onde os desejos estão sempre se conflitando com as necessidades e exigências pós-modernas, há ocasiões em que a única coisa que queremos é um oásis de paz.

          Quando o filho ou filha chega com a cabeça quente na casa dos pais, alguns, falam, desabafam, às vezes choram, outros ficam por ali quietinhos. Geralmente, eles não vêem para que os pais resolvam seus problemas, mas é certo que saem dali aliviados, emocionalmente recarregados para voltarem para os embates da vida. Mas, por que vêem, por que os filhos sentem essa necessidade?

          Não importa o tipo de relacionamento entre filhos e pais quando eles se separaram, mas a certeza é que no passado, pelo menos em alguns momentos eles se sentiram amados, felizes, seguros e em paz perto daquelas pessoas e é a lembrança inconsciente desse passado que os trazem de volta.

          Quando ele chegar, acolha-o com carinho e simpatia, ofereça uma água, um café. Esqueçam as críticas, se puderem dar bons conselhos, dêem. Se não tiverem o que falar, fiquem calados, num silêncio acolhedor. É só disso que eles precisam, de provarem um pouco daqueles sentimentos tão remotos, mas que dão tanta força para retornarem para a vida e continuarem a lutar.

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