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jPMENDONÇA,
( João Paulo Mendonça )instrumentista e produtor
musical, apresenta o Hip-Hop à badalada Zona Sul
do Rio de Janeiro. jPMENDONÇA parece ser dos
poucos a reconhecer a sofisticação musical
vinda do rap, por isso mesmo merece ser registrada bem como
parabenizada a visão musical e pioneira de jPMENDONÇA.
Vale mesmo dizer que João Paulo, no melhor dos sentidos,
ousou. A ousadia marca a diferença entre a mediocridade
que grassa geral.
A
festa do lançamento do CD da Nuth foi comemorada
em grande estilo juntando o que parecia tão distante.
O jazz de jPMENDONÇA e o rap de Shawlin . Com certeza,
ainda há quem não tenha entendido nada.
Grande sacação
do jPMENDONÇA e da Nuth ao convidar o rapper Shawlin,
Marechal e grupo de break, GBCR - Gang de break consciente
da Rocinha, representando o Hip Hop do Rio.
Zona Sul do Rio de Janeiro
mostrou-se refratária ao funk, forró e outros
ritmos de épocas e acabou até dançando
na boquinha da garrafa.
Apaixonou-se pela lambada velha de guerra, a primeira paixão.
Agora é a vez
do rap, marcado pela linguagem de rua em rimas. Com letras,
quase sempre, de protesto social, lembrando os ideais dos
idos de 60, vestidos da mais pura realidade vivida e, quando
não, presenciada ao vivo e em cores.
A força das músicas está na riqueza
das rimas, boas bases e conteúdo das letras. A busca
por bons samplers para bases, faz com que os rapers tenham
necessidade de muita pesquisa musical, que acaba por enriquecer
na cultura musical de cada um. Enveredam por todas as vielas
onde possam encontrar um velho vinil. Essas pesquisas os
impelem a navegar pelo cancioneiro popular brasileiro, pelo
jazz, canto gregoriano, MPB ( clique
para ouvir Shawlin
"As
verdades", plena de crítica social
do cotidiano vivenciado e presenciado ), Bach e Mahler,
em busca do que é bom.
Produtores
profissionais ainda não despertaram para o gênero
"voz da rua". Uns poucos, no Rio de Janeiro, como
Elza Cohen, jPMENDONÇA e o novato Edmilson ( fabricante
de roupas para rapers ) apostam todas as fichas, pra valer.
Entre as gravadoras, a Trama, é investidora conhecida
e respeitada.
A cultura do Hip-Hop
vem conquistando espaço muito lentamente, porque
travada por um público pouco informado sobre o gênero,
embora seus adeptos sejam organizados e corajosos para viver
em guetos tal como os pioneiros do jazz ,
sobrivivendo dentro das rádios comunitárias.
Por enquanto.
Para entender a Cultura do Hip-hop
A cultura hip-hop é
formada por quatro elementos de expressão:
MCs, conhecido como rapers,
compositores e cantores propriamente dito, e
DJs, que só trabalham
com vinil e gastam pequenas fortunas na aquisição
dos bolachões. Esses dois são representantes
da expressão musical dentro do hip-hop;
Necessário ressaltar o free
style ou improviso. Para Shawlin, raper que não
sabe improvisar não pode ser chamado de raper. O
improviso equivale a um solo no instrumental. É no
improviso que o raper mostra a rapidez do racioncío
e sua capacidade de construir o pensamento hiphoper. Em
geral o improviso acontece entre dois ou mais MCs ( mestre
de cerimônias, o que canta e alegra ) como um duelling
banjos ou como os repentistas nordestinos.
Break, represetando a dança
ou expressão corporal;
Grafiteiro, expressão
nas artes plásticas. (
não confundir com pixador! )
O rap, como expressão
musical do hip-hop está aberto a todos que sejam
conscientizados política e socialmente. Há
uma forte reação por parte dos autênticos
rapers quanto ao excesso de comercialização.
O grupo ou os grupos mais respeitados vêm do underground.
Recusam-se a cantar letras comerciais, ou seja, que não
demonstram a profundidade da conscientização
de seus autores. Outro ponto que requer não transigir
é a boa levada, onde a métrica ou rima torna-se
o ponto exato para estabelecer um estilo próprio
de cada MC. Não se espere ouvir a métrica
formulada pela poesia tradicional. Nem a encontrada na poesia
concretista, etc.
O ponto universal de
encontro é a internet tendo em vista as dificuldades
geográficas que não favorecem os encontros
pessoais. Nela, todos se reúnem com freqüência,
trocam MP3 de suas autorias, sonham com seus demos, fazem
parcerias de letras e bases e, ainda se entendem.
Os nomes artísticos, arte à parte, são
irreverentes, em geral. Lombriga Tremosa, Matéria
Prima, Xará, Cavalo Banguela, Marechal, Caramujo
Sonolento, Gato Congelado, DJKink, Xis, BNegão e
por aí vai.
Apologia ao crime não é considerada uma "necessidade
brasileira" e, para Shawlin "é burrice".
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