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O Xá do Irã e os
poetas
Danilo
Gomes - Escritor, jornalista, pesquisador,
vice-presidente da Associação Nacional dos Escritores
e assessor de imprensa no Palácio do Planalto.
Em 23, Junho/2001
Há cinqüenta anos,
em 12 de fevereiro de 1951, o jovem imperador da Pérsia
( ou Xá do Irã) Muhammad Reza Pahlevi casava-se
com a ainda mais jovem Soraya Isfandiari Bakhriari, educada
na Europa. O monarca usava uniforme de general, enquanto a noiva
trajava um vestido Dior, de lamê prateado, ornado por
centenas de diamantes, plumas de avestruz e marabu ( uma grande
cegonha ) e cauda plissada em tule francês. Bonita como
nunca. A cerimônia religiosa se realizou na mais completa
intimidade. Entre os convidados, o célebre Aga Kham e
sua famosa mulher, a Begum. Já a recepção
contou com cerca de mil personalidades, que foram recebidas
na Galeria dos Espelhos, entre tapetes, obviamente persas. Naquele
Palácio Golestan ( construído em mármore
rosa ), os ilustres convidados participaram de um banquete em
grande estilo Mil e Uma Noites, com iguarias européias
e asiáticas. Uma exibição de circo romano,
transportado em dois aviões.
Como se sabe, o casamento imperial
desfez-se anos depois, uma vez que a bela Soraya era estéril,
não poderiam gerar um herdeiro para o trono de dois mil
anos. O Xá se casou novamente e com a nova mulher e filhos
foi deposto, tempos depois, pela revolução dos
aiatolás do fundamentalismo islâmico. Os filhos
de Farah Diba não reinaram.
Estou lembrando esta história
com jeito de colunismo social porque escutei, recentemente,
do escritor e professor de jornalismo Afonso Ligório
Pires de Carvalho, aqui em Brasília, na sede da Associação
Nacional de Escritores — ANE —, um caso que tem como protagonista
o Xá Reza Pahlevi.
Certa ocasião, no gabinete
do soberano, entra o chefe do Cerimonial e diz:
— Majestade, estão na ante-sala,
aguardando audiência, dois grupos: o dos nobres e o dos
poetas. A que devo chamar primeiro?
— Chame primeiro os poetas.
— Perdão, Majestade, mas
os nobres não gostarão de esperar, em benefício
desses simples poetas. Vossa Majestade sabe como são
esses aristocratas e...
— Os nobres, quem fez fui eu ou
meus antepassados durante dois mil anos, passando por Harum-al-Rachid.
Mas o poetas que fez foi Deus. Mande entrarem os poetas, em
primeiro lugar.
Danilo
Gomes - Escritor,
jornalista, pesquisador, vice-presidente da Associação
Nacional dos Escritores e assessor de imprensa no Palácio
do Planalto.
O
escritor Danilo Gomes, um mineiro apaixonado pelo Rio
de Janeiro, é responsável por valiosa contribuição
à memória Histórica do Rio. Destacando-se
as seguintes obras de referências: Uma Rua Chamada
Ouvidor — inspirou a carnavalesca Rosa Magalhães
a criar o samba-enredo do Salgueiro, em 1991: "Me maço
se não passo pela Rua do Ouvidor", e Antigos Cafés
do Rio de Janeiro, com base em pesquisa de grande fôlego.
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