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      Música :  
      Skol Manifesta

      Muito pano para muitas mangas

 

      Ana Louvado
      11, Janeiro/2004

    
Quando a Skol desceu quadrada

 

Em torno desse evento criou-se as maiores difamações graves. Movimentos contra e ridículos. Lia-se que o Manifesta estava sendo organizado por empresários do high society ( expressão usada pejorativamente, por inveja, só pra detonar ) como Alexandre Accioly, Marcus Buaiz, Pedro Paulo Diniz, Luiz André Calainho e Luciano Huck.

O que importa se o pessoal é do high society ? São profissionais? É isso que conta.

Verdade que esse pessoal nada entende de hip hop e aparece na cena apenas como empresários que sabem como fazer dinheiro para eles. São profissionais tateando o novo gênero que já provoca os muitos "pais do hip hop brasileiro ( carioca, no caso )" sem prova de DNA.

Contra todos e contra tudo o Manifesta parece que está dando certo e muito certo. Como experiência ou projeto piloto está dando certíssimo, só falta arredondar.

Agora, aqui pra nós, R$4,2 milhões de patrocínio é ...é...o que eu chamo de paitrocínio. Como foi mesmo que eles conveceram os patrocinadores?!!! Maluco, é grana pra'ca...

Com toda essa grana explicar o preço salgado de R$40,00 paus pelo ingresso é difícil e foi por aqui que muita gente disse cobras e lagartos sobre as verdadeiras intenções dos organizadores do Manifesta. Teve até calunista dizendo que era pra vender drogas, outros dizendo que era lavagem descarada. Enquanto isso o pessoal do verdadeiro início do hip hop da Elza Cohen, os desbravadores ganham 50,00 mangos pra botar azeitona na empada do dono de alguns sacos. Ninguém tem vergonha dessa exploração?

Os grandes rios só correm para o mar como produtor pequeno não consegue patrocínio grande. Verdade. Se a Elza Cohen tivesse tido um paitrocínio desses há alguns anos atrás. Nem precisava de tanto, só um tantinho e o Hip Hop carioca estava com tudo em cima, gerando empregos e difundindo a cultura de quem com olhos e vivência de periferia e de quem vive a periferia. Não tem diferença de sentido, na última frase.

Os festivais de música que só agora atentam para o Hip Hop, apresentam um sem número de ilustres desconhecidos do gênero, os MCs de última hora, que a imprensa transformou em "autênticos representantes do Hip Hop". Nomes que pouco se arriscaram ou se ouviu falar ou passar pela passarela da Zoeira-Lapa desde os primeiros eventos da pioneira Elza Cohen com seu Zoeira que nunca conseguiu trocadinhos decentes para os eventos que lançou o rap carioca.

Do pessoal "celebridade" do hip hop carioca só mesmo o recente adepto Marcelo D2, ele mesmo cria da Elza Cohen, mas não como cantor de rap. O resto que apareceu, é pessoal que do "de repente", não contando os estrangeiros. Mas o Marcelo D2 está certíssimo em ter aceito participar do Manifesta, do contrário, quando ele estiver na lona esquecido, como já esteve por longo tempo no esquecimento, quem vai pagar as contas dele? Aonde vão estar os "manos" do social ? Trabalho é trabalho e pronto.

Ora, ora povo sangue bom, essa história de ideologização-politico-partidária radical do Hip Hop é bucha. Música é arte e arte não é panfleto: é arte, só isso. Deve ser muito complicado entender tão pouco.

Para se entender essa briga entre as facções do "Rap do Bem" e "Rap do Mal" é preciso saber que nos Estados Unidos está havendo um trabalho de "conversão". Os "rappers do Mal" corporificados por nomes como Ja Rule e Snoop Dogg. Mesmo que essa diferença com cara de briga entre o Bem e o Mal, entre o pessoal do ganggsta ( traficantes e cafetões que fazem apologia à violência, à protituição e às drogas ) contra a nova ideologia que se instalou entre os rappers americanos esteja acontecendo lá, porque foi exportada para o Brasil ? O pessoal do MV Bill está do lado dos "convertidos" e portanto do Bem mas reclamou que o cachê dele era pequeno. Se fosse do mesmo valor dos Racionais MC’s ou parecido com o cachê dos americanos ficaria tudo bem e entendo que ele teria aceitado participar do SKOL Manifesta e o lance do Bem e do Mal, do social, ficaria para depois ser resolvido.

Até aqui tudo indo, porque apologia à violência nem rola defesa mas, ver o vereador do Rio de Janeiro que arranjou coisa para mostrar serviço pois não tinha mais nada para fazer com esse Rio de Janeiro pacífico, foi forte.

'Na quarta-feira, O MP recebeu ainda uma representação de Édson Santos, líder do PT na Câmara de Vereadores, contrário ao festival. Para ele, há o risco de nos shows de Ja Rule e Snoop Dogg serem praticados atos de apologia ao consumo de drogas ou de sexo explícito. Como provas, Édson entregou cópias de fitas de vídeo de shows dos cantores'.

Outra: a indústria fonográfica investe quanto$$$ no gênero? Um mercado inexistente fora da Internet.

Só tem o Marcelo D2 vendendo disco depois que se "converteu" ao hip hop porque, antes o carinha cantava aquela misturada hardcore e outras coisas e sempre fez apologia à ervinha. Depois que ele pegou carona com o pessoal bom do rap carioca da Lapa, se deu foi bem. ...mas cadê aquele pessoal que fez escada para o Marcelo D2?!!!

Resposta: Tá todo mundo cá em baixo olhando pro alto. Tendeu, fui clara ?

Curioso foi que o Marcelo D2 com essa história de escadinha acabou fazendo discípulos. Já teve neguinho copiando e, não é que deu certo ?

 

O Skol Manifesta deu grana até para quem falou mal. Ou se não levou grana, queria levar.

Quando a Skol desceu quadrada

Sobe

 

                    

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