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     Quinto Andar
     
Lançamento do CD Piratão

 
Informações
     Ana Louvado
     23, Março/2005
 
 

Crítica por quem sabe :
Carlos Albuquerque

 

Ouvir Melô do Vacilão - MP3

   
 

Ouvir Melô do Piratão - MP3

   
 

Para downloads no site da
Tomba Records

 

 

 

 

No cenário do RAP carioca, correndo por fora dos holofotes da mídia viciada, estavam uns poucos jovens, numa trilha independente e mais áspera, trabalhando dentro dos princípios meritocráticos. Desses poucos que corriam por fora nasceu o Quinto Andar que, mesmo com idas e vindas manteve-se teimoso e persistente, somando esforços para sedimentar os objetivos: um por todos e todos por um.

Muitos se conheceeram por meio da internet ou na Lapa, no Rio, centro nervoso do HipHop na antiga Zoeira de Elza Cohen. Do grupo, o primeiro a gravar CD solo foi o DELEVE projetando-se na mídia. Chamado de o Eminen brasileiro DELEVE não se incomoda e até acha que isto é reconhecimento, inclusive, porque é admirador do MC americano, país onde todos sabem, nasceu o HipHop.

O Quinto Andar surgiu como conseqüência das dificuldades individuais dos que o compõe. Dificuldades variadas como não conseguir, cada um, produzir seu próprio CD, dificuldades para encontrar espaço na mídia, espaços para shows e assim, colaborar com a sedimentação do gênero musical do HipHop.

Na verdade o coletivo Quinto Andar é uma espécie de escada onde cada membro é um degrau de forma que um serve de passagem para o outro. Assim se supõe e até aqui, seus membros vão, supostamente, seguindo unidos.

Bruno — acho que cada um é um degrau que compõe a escada que é o Quinto Andar, ponto. Acho que ninguém encara a coisa, o grupo, a união, de uma forma oportunista, pra se dar bem individualmente, e sim pra que todos se dêem bem juntos. Nos darmos bem individualmente é uma conseqüência.
Shaw — acho que a princípio o que a gente quer é fazer som, tentamos sim fazer do Quinto Andar um símbolo de qualidade e inovação no RAP, para que assim, os componentes do coletivo poderem se beneficiar com a credibilidade que construímos para nome.
Quanto à união tem que haver nem que seja à força .. rsrsrs : o Lombriga, o Gato Congelado, o King e o Primo ficaram fora desse álbum. Existe a intenção forte deles fazerem o CD do Quinto com os integrantes que ficaram de fora, mas não depende de nós e sim deles, já estão avisados de que contam com nosso total apoio e os ajudaremos no que for necessário, mas, a iniciativa tem que partir deles assim como a iniciativa desse álbum partiu do Quinto/Rio. Só não fizemos um álbum com o Quinto todo porque o Quinto Andar é uma zona ...rsrsrsrs... e seria quase impossível organizar e fazer os preparativos pra que um saísse um CD, além do mais sem dinheiro nenhum. Mas isso é mesmo uma coisa com a qual eu sonho muito que é ver um álbum de todos juntos. E isso é união porque ninguém fica esquecido. Tanto não fica esquecido que fiz questão de deixar isso registrado.

Quem afinal carrega o barco? E os atritos?
" um por todos e todos por um " até que ponto é mesmo confiável?

Bruno — Musicalmente todos têm sua contribuição e seu mérito, juro.
Na parte burocrática uns correm mais atrás que outros, mas acho isso natural. Rolam estresses e cobranças também, pois não temos um escritório, um patrão, ninguém pra ficar passando a mão na cabeça da galera. Corremos atrás de tudo. Somos amigos, esse é o ponto principal, primeiro veio a amizade, depois os interesses, o gosto musical em comum. Depois veio o 'trabalho'. só com amizade existe confiança. Nunca me envolvi musicalmente com pessoas que eu não tivesse amizade, confiança e empatia musical. Falando assim parece um conto de fadas, ou um depoimento de um global no faustão; é claro que rolam desentendimentos e brigas, mas são contornados.
Shaw — não tenho medo algum de levar rasteira de ninguém, até porque, se eu cair só não levanto se estiver morto, mas confio muito nos meus amigos e sei que antes de colegas de trabalho nós somos amigos de verdade, qualquer discordância é logo resolvida através do diálogo, teve uma época em que todos estavam levando rasteira, mas, logo descobrimos quem tava vacilando e resolvemos de maneira muito simples e pacífica. Quinto Andar tá aqui firme na paz. As opiniões diferentes, que não chegam a ser atritos, a gente resolve conversando mesmo que conte alguns decibéis a mais. No final dá tudo certo.
Nosso patrão é o Quinto Andar. Se por um lado nós temos flexibilidade, por outro a responsabilidade é muito maior. Assim, se eu não cumprir minha tarefa muito bem feita, no tempo certo, no prazo e com qualidade, eu sei que vou acabar prejudicando ou um ou todos. É aqui que eu me sinto no lugar de “um por todos”. No final, um trabalho mal feito acaba se voltando contra a imagem de cada um.
DELEVE — Não sei. O que sei é que cada um acaba, querendo ou não, contribuindo com um ponto em comum que é o trabalho dos demais. Querendo ou não o disco do Quinto vai contribuir com o meu disco que já foi lançado, porque vai nos colocar em evidência e eu vou estar ali no meio, e eu estando ali no meio também vou acabar, querendo ou não, divulgando minha "parada". A máxima “um por todos e todos por um” vale até quando todos agem como ela. O dia que isso acabar acaba a confiança. Não vou ficar paranóico, fazendo teoria da conspiração com meus amigos, o dia que acontecer, se acontecer, beleza, aí eu passo a pensar no assunto.

Para facilitar os custos com produção de CDs, divulgar o trabalho individual de seus membros, uniram-se ao último elemento do Grupo: um estúdio de gravação, o Tomba Records, de Bruno Marcus, ex-roqueiro, que compra a idéia e entra na parada.

Na divulgação, quase espontânea, admiradores do “coletivo” contribuem com a feitura do site, divulgação na imprensa impressa e virtual, rádios comunitárias e outras formas de comicação. Na internet, a comunidade no Orkut, onde o Quinto Andar tem mais de 3.000 participantes, fiéis admiradores.

Os membros do Quinto Andar se espalham por outros estados do Brasil : Shaw, 21 anos, Tapechu, 22 anos (Rio de Janeiro ), Bruno Marcus, 29 anos, De Leve, 23 anos, DJ Castro, 27 anos (Niterói).  Kamau, 27 anos, Lumbriga Tremosa, 26 anos, (São Paulo), Matéria Prima, 25 anos, ( Belo Horizonte ) e Dj Primo, Paraná.

Encontro com o RAP, escolha e estrada

Bruno — comecei gravar e produzir RAP há uns 4 anos atrás, com 25anos, quando montei meu estúdio. Foi opção, opção de trabalhar com musica, fazer algo que me desse tesão, sem patrão, sem gravata, sem hora pra entrar e sair. O  envolvimento veio naturalmente, através dos amigos e o envolvimento com música 'alternativa', que rola desde moleque.
DELEVE — Comecei no hiphop de brincadeira e quando vi já estava gravando na casa do castro. Foi meio estranho ouvir minha voz gravada pela primeira vez mas depois acostumei-me. De minha parte foi opção primeiro, depois porque vi que tinha um potencial de entrar um dinheiro. Até porque trabalhar, fazer o que gosta e ganhar dinheiro com isso é a melhor coisa.
Shaw — num sei quanto aos outros, mas, eu estou há 10 anos já e sei que é mais do que o Lumbriga, o Congelado. o Primo, Matéria Prima, o De-Leve e o Tape. Acho que os que estão a mais tempo sou eu, Castro, King e Kamau.

Shaw não tem certeza do momento exato pois tudo convergia para o mesmo caminho. Rememora seu primeiro encontro com o HipHop quando ouviu o som do Biohazard com o Onix chamado Judgement Night (94) — 'nessa época eu tinha 10 anos de idade'.

Shaw — eu conheci o RAP através do skateboard, ( quando eu ouvi o Biohazard etc ) eu queria ser skatista PRO rsrsrsrs, mas logo comecei a gostar tanto do RAP que decidi fazer só isso da vida. Foi uma escolha, eu sabia que não queria um emprego fixo das 9 às 6 e de segunda a sábado. O único jeito de eu ser feliz pelo que estava vendo, seria sendo músico, quando me toquei já estava completamente comprometido com o hip-hop, já tinha até largado totalmente o skate (coisa que me arrependo hoje em dia, quero dizer, o totalmente). Mas com certeza minha decisão de permanecer no RAP aconteceu, definitivamente quando comecei a freqüentar a Lapa, no Rio de Janeiro, em 1998 e só respirava HipHop. Isso mais ou menos aos treze ou quatorze anos.

Fato foi que, aos 15 anos depois de participar de uma coletânea organizada por Elza Cohen e D2, Shaw contribuiu com a faixa nº8 do CD que foi lançado em encarte na Revista Trip nº 80. Da lembrança do som do Judgement Night, 'que foi quando comecei a compor, de lá para cá são 10 anos de estrada' — conclui.

E os pais?

Bruno — meus pais sempre me deram força, me ajudaram. Mas acho que não levavam muita fé que me desse bem na parte mais artística, levavam mais fé no trabalho de gravação, de técnico de estúdio. No fundo acho que eles estão bem orgulhosos.
DELEVE — Claro que quando você começa a fazer sucesso as pessoas passam a acreditar mais em você, mas nunca houve um impedimento, havia sim uma dúvida se aquilo ia, ou não, dar certo, já que os pais querem sempre que os filhos se dêem bem na vida, se já lá o que isso for.
Shaw – Eles têm respeito pela minha profissão.

 

 

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