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Assim que o vi,
sentado de frente para a mulher de joelhos e sem qualquer
treliça impedindo que se olhassem, estranhei. E tive vontade
de me confessar também.
Estava emocionada
com a beleza da missa. Com o contato direto com peregrinos
apoiados em seus cajados, mochilas nas costas, rostos cansados,
concentrados. Pareciam felizes.
À frente do altar
padres e sacristães içavam o gigantesco incensório de prata
que espargia fumo e perfumava o ambiente.
Ela continuava de
joelhos, à frente dele, confessando.
Rezei, pedi, agradeci,
enquanto aguardava minha vez.
Agora ele está só.
Vou lá.
Jovem, todo de branco,
parecia alto, porte atlético.
Ajoelhei-me no mesmo
lugar onde estava a mulher e disse que queria confessar-me.
Ele me fez a primeira pergunta: "¿és española?
Diante da minha
resposta pediu-me para mudar de lugar, ir para a lateral
do confessionário com a tal treliça impedindo que eu o visse
diretamente.
Começou então a
me cravar de perguntas: "¿desde cuando no te confesas? ¿por
que?" Tentei alegar que me arrependia de meus pecados, conversava
com Deus, mas de nada adiantou.
"¿és casada?" Aí
é que complicou mesmo. Expliquei que tinha um companheiro,
amigo. "¿Pero hay momentos de matrimónio?"
"¿Sabes que estás
en pecado?" A essa altura já calculava o tempo que precisaria
ficar rezando na igreja para sair absolvida de meus pecados.
A hora da comunhão estava chegando e eu diante daquela figura
jovem e bonita a querer saber mais da minha vida, de meus
caminhos.
Até que ele sugere:
"¿Por qué no abandonas ese hombre y sigues a vivir con una
chica?"
Mas com uma mulher?
Poderia também estar em pecado, não?
Meu argumento pegou-o
de surpresa. Mas não deu por terminada a nossa conversa.
A confissão era
interminável. Queria saber mais e mais. E as pessoas já
estavam caminhando para receber a comunhão.
Diante das lacônicas
respostas às perguntas mais provocantes, finalmente ele
desistiu. Encerrou a confissão determinando:"No te absolveré.
Estás en pecado y no estás arrepentida."
Levantou-se e partiu
rápido para a sacristia.
Fiquei sem rumo.
Nada mais surreal.
Vaguei pela igreja
por alguns minutos. Mas logo, logo, entrei na fila dos peregrinos
a caminho da comunhão.
Sobe
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