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Esse tempo causa a impressão de que,
se ficarmos muito tempo parados no mesmo lugar, brotaremos,
de tanta chuva. É tempo chuvoso e de constatarmos se apareceu
goteira nova ou se permanecem apenas as antigas e teimosas a
infernizar os nossos dias desse tipo de verão.
Assim como o levantamento das goteiras,
é tempo, também, de balanço estudantil, profissional e pessoal.
É nessa época que o estudante verifica
se durante o ano estudou o suficiente para não se descabelar,
ou se no final ficou careca de tanto estudar e jurar por todos
os santos que no próximo ano será diferente.
É tempo, também, de promessas como
esta: como vai ser dado o troco, no próximo ano, ao chefe ou
colega de trabalho que passou o ano todo limpando os pés na
sua auto-estima.
A mãe que trabalha fora, garante que
no ano que vem dará um jeito de arrumar mais tempo para acompanhar
a vida dos filhos e chegará ao próximo final de ano mais leve
de culpa.
As ponderações também recaem sobre
aquele relacionamento amoroso que tem gerado mais perdas do
que ganhos e está num “balança-mas-não-cai” a ponto de desconfiar
que no próximo ano alguém vai dar uma volta no espaço...
Os “compulsivos de carteirinha” prometem,
de pés juntos, não comprar, não jogar, não comer, não “cheirar”,
não beber, não mentir, não desejar a mulher(homem) do(a) próximo(a)...
Pois é... o final de ano é tempo de
reflexão, ponderação e decisões que podem dar um giro total
na vida das pessoas mais à frente. É o tempo, também, de promessas
de mudanças que, podem se perder com o espocar dos fogos de
artifícios da comemoração do novo ano que começa.
Fazer planos para o ano vindouro é
essencial para quem deseja ter as rédeas da própria vida nas
mãos, desde, é claro, que não sejam planos mirabolantes.
Para que o próximo ano não seja uma
coleção de imprevistos e para não se surpreender a cada esquina
da vida e até mesmo para saber lidar com o imprevisto (eles
existem, sim), é necessário um mínimo de método se não quiser
ficar atolado num ano caótico.
Para não ficar atarantado o tempo todo
sem saber o que fazer, é preciso: primeiro, ter conhecimento
daquilo que se quer; ou seja, definir os objetos de desejo;
segundo, avaliar os recursos que se dispõe para chegar lá; terceiro,
aguardar o momento próprio para começar a agir rumo ao que se
quer, seja esse desejo a casa dos seus sonhos, um filho ou mais
um, um novo amor ou o antigo recauchutado, ou, mesmo, consertar
os buracos do telhado, caso contrário, no final do próximo ano
estará apenas contabilizando mais buracos...
Ah!... também, é bom rezar, porque
uma dose de sorte sempre ajuda.
Feliz Natal e Ano Novo!.
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