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A Máscara de Capelle

 

 

Fim de ano


Maria Luiza Curti
mlcurti@uol.com.br
21, Dezembro/2002

22 de Setembro/2002

Esse tempo causa a impressão de que, se ficarmos muito tempo parados no mesmo lugar, brotaremos, de tanta chuva. É tempo chuvoso e de constatarmos se apareceu goteira nova ou se permanecem apenas as antigas e teimosas a infernizar os nossos dias desse tipo de verão.

Assim como o levantamento das goteiras, é tempo, também, de balanço estudantil, profissional e pessoal.

É nessa época que o estudante verifica se durante o ano estudou o suficiente para não se descabelar, ou se no final ficou careca de tanto estudar e jurar por todos os santos que no próximo ano será diferente.

É tempo, também, de promessas como esta: como vai ser dado o troco, no próximo ano, ao chefe ou colega de trabalho que passou o ano todo limpando os pés na sua auto-estima.

A mãe que trabalha fora, garante que no ano que vem dará um jeito de arrumar mais tempo para acompanhar a vida dos filhos e chegará ao próximo final de ano mais leve de culpa.

As ponderações também recaem sobre aquele relacionamento amoroso que tem gerado mais perdas do que ganhos e está num “balança-mas-não-cai” a ponto de desconfiar que no próximo ano alguém vai dar uma volta no espaço...

Os “compulsivos de carteirinha” prometem, de pés juntos, não comprar, não jogar, não comer, não “cheirar”, não beber, não mentir, não desejar a mulher(homem) do(a) próximo(a)...

Pois é... o final de ano é tempo de reflexão, ponderação e decisões que podem dar um giro total na vida das pessoas mais à frente. É o tempo, também, de promessas de mudanças que, podem se perder com o espocar dos fogos de artifícios da comemoração do novo ano que começa.

Fazer planos para o ano vindouro é essencial para quem deseja ter as rédeas da própria vida nas mãos, desde, é claro, que não sejam planos mirabolantes.

Para que o próximo ano não seja uma coleção de imprevistos e para não se surpreender a cada esquina da vida e até mesmo para saber lidar com o imprevisto (eles existem, sim), é necessário um mínimo de método se não quiser ficar atolado num ano caótico.

Para não ficar atarantado o tempo todo sem saber o que fazer, é preciso: primeiro, ter conhecimento daquilo que se quer; ou seja, definir os objetos de desejo; segundo, avaliar os recursos que se dispõe para chegar lá; terceiro, aguardar o momento próprio para começar a agir rumo ao que se quer, seja esse desejo a casa dos seus sonhos, um filho ou mais um, um novo amor ou o antigo recauchutado, ou, mesmo, consertar os buracos do telhado, caso contrário, no final do próximo ano estará apenas contabilizando mais buracos...

Ah!... também, é bom rezar, porque uma dose de sorte sempre ajuda.

Feliz Natal e Ano Novo!.

 

 

 

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