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É impressionante a capacidade da esquerda
jurássica latino-americana de dissimular fatos, esconder a
verdade e erigir falsos mitos. O filme "A Cidade Perdida",
de Andy Garcia, exilado cubano (só ditaduras geram "exilados"),
esteve apenas uma semana em exibição em nossos cinemas, vítima
do boicote do silêncio da mídia. Não mereceu as páginas de
louvação que os cadernos ditos "culturais" dedicaram a lixos
socialistas, como aquele que apresenta o assassino Che Guevara
como um herói sobre uma moto, ou aquele outro sobre a comunista
Olga Benário, ou esse, mais recente, sobre a vida do dinossauro
Evo Morales. Mas pode ainda ser encontrado em locadoras não
"engajadas" ou baixado da internet.
Decididamente, a mídia militante detesta
que se mostrem os horrores e a falência do socialismo. O ódio
ideológico ao filme de Garcia que, sem ser uma obra
prima, é, certamente, uma produção bem cuidada e que reconstitui
com realismo os primórdios da tomada do poder em Cuba por
Fidel e seus comparsas , deve-se à dessacralização de
Che Guevara e dos barbudos de Sierra Maestra e à revelação
do colaboracionismo de boa parte da população cubana.
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Estrelando:
Andy Garcia, Dustin Hoffman, Tomas Milian, Bill Murray,
Jsu Garcia, Inés Sastre, Enrique Murciano, Nestor Carbonell,
Victor Rivers, Steven Bauer, Dominik García-Lorido,
Juan Fernández. Dirigido por: Andy Garcia Produzido
por: Andy Garcia, Frank Mancuso Jr
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Garcia, diga-se a bem da verdade, retrata
fielmente tanto as barbaridades da polícia secreta de Fulgencio
Batista como as do novo regime de Castro, naquele período
de transição para o socialismo. Mostra confiscos de propriedades
privadas, como o de uma fazenda que plantava fumo e produzia
charutos, por um jovem revolucionário, de família influente
e sobrinho do proprietário, o qual morre de um fulminante
ataque cardíaco. Há uma cena em que o cabaré mais conhecido
de Cuba é proibido, por uma militante tão raivosa e gorda
quando carente de neurônios, de manter saxofonistas na orquestra,
pois o instrumento de Charlie Parker seria uma "invenção capitalista"...
Revela "São" Guevara matando friamente resistentes, sob as
barbas literalmente de Fidel. Enfeixa, também,
uma bonita história de amor, devidamente destruída pelo marxismo.
Andy Garcia interpretou o boicote ao seu
filme na América Latina como uma tentativa de manter o culto
a Che como um idealista bonzinho. De fato, o socialismo vive
de mitos, como de resto todo e qualquer regime totalitário:
Hitler e Goebbels também os souberam cultivar e, hoje, os
"esquerdopatas" já tentam beatificar Saddam. Mas as maritacas
marxistas omitem que Cuba, por 50 anos, tem sido campeã em
desrespeitar direitos individuais e em cometer atrocidades.
Deixo aqui um duplo convite ao leitor inteligente, a quem
dedico sincero apreço. O primeiro é procurar, em uma boa locadora,
o DVD sobre Cuba e Havana a "Cidade Perdida"
, "Disneylandia" de nossa esquerda "ballantines".
O segundo é uma exortação à reflexão.
Chávez, o desmiolado presidente da Venezuela, declarou que
pretende, neste seu novo mandato, transformar de vez o país
em uma república socialista "bolivariana" ou, nas palavras
do próprio mastodonte, que pretende lá implantar o "socialismo
do século XXI". Para tal, não ousará rasgar quantas páginas
forem necessárias da constituição que ele mesmo escreveu,
inserindo em seu lugar quaisquer garatujas, a título de pretensos
respaldos legais, para o seu intento totalitário. Vai nacionalizar
empresas "estratégicas", retirar a autonomia do Banco Central
e isto é de pasmar! retirar do ar o canal privado
de TV.
O ministro de Relações Institucionais
do governo do PT, formado em boa parte por gente que rasteja
diante do carniceiro do Caribe e o trata carinhosamente de
"El Comandante" e que se tem acovardado diante das bravatas
de Chávez e de Morales - desonrando a tradição do Itamaraty,
de que tanto nos orgulhávamos - declarou que a grande questão
é se as novas agressões à liberdade que o "Chapolim de Miraflores"
pretende perpetrar são "constitucionais" ou não... Sem comentários.
Ontem, Havana; hoje, Caracas; mas "pó parar"
Brasília, não!
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)Ubiratan Iorio Ubiratan Iório Doutor em Economia
pela FGV, escritor, articulista (RJ). Conselheiro do Instituto
Federalista
http://www.ubirataniorio.org/
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