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Pesquisas
como estas seriam de muita utilidade se apresentadas periodicamente.
Cada órgão de classe, cada sindicato deveria
encomendar pesquisas para avaliar o desempenho, por conseguinte,
a credibilidade da classe. A partir dos resultados obtidos,
o órgão teria dados para trabalhar a imagem,
melhorando cada vez mais ou revendo seus pontos negativos
sob o olhar da sociedade.
Uma pesquisa feita recentemente sobre
“PROFISSIONAIS MAIS CONFIÁVEIS segundo os brasileiros” apresentou
alguns resultados interessantes. Abaixo, informamos as categorias
e os percentuais obtidos, bem como nossos comentários:
BOMBEIROS (96%)
- Campeoníssimos! A instituição sempre teve boa imagem. Aqui
e em qualquer lugar do mundo. Coragem, desprendimento, solidariedade,
são atributos associados à atividade. Eles merecem a boa reputação.
PILOTOS DE AVIÃO (89%)
- É a primeira vez que vejo a categoria ser ranqueada. Estreou
muito bem. Sobretudo, porque, para as empresas aéreas, no
mundo todo, o mar não está pra peixe.
DENTISTAS (78%) – A imagem
desses profissionais sempre esteve mais associada ao chamado
“medo de dentista” – que nos é apresentado na nossa infância
- do que à sua competência e importância social. Que bom que
a imagem deles esteja melhorando! É possível que as modernas
aparelhagens – substituindo aquelas de tortura medieval -
e o fortalecimento da auto-estima através dos tratamentos
estéticos estejam contribuindo para isso. O resultado deve
ser comemorado pela categoria.
PROFESSORES (77%) – O
resultado é uma surpresa. Pela importância social da categoria,
a avaliação é baixa. Numa sociedade, os educadores têm que
receber a nota máxima. Mas pela qualidade do nosso ensino,
pelo número de greves, o resultado está muito alto. Sugere
a existência de outro problema, mais grave ainda: a sociedade
não é exigente com os educadores ou está satisfeita com o
que tem.
MÉDICOS (75%) – De certa
forma, também é uma surpresa. Positiva. A imagem dos médicos
é perseguida por fortes e históricos preconceitos. “Máfia
de branco”. Corporativismo. Além disso, erros médicos são
bastante explorados pela mídia.
ENGENHEIROS (67%) - Coitados
dos nossos engenheiros!... Sem emprego e com uma imagem que
não é barro nem é tijolo.
ENFERMEIROS (66%) – Esperava
uma avaliação melhor. Mas confesso que não há base científica
para esta minha expectativa. Será reflexo daquele enfermeiro
da Clínica Santa Genoveva que andou detonando os velhinhos?
FARMACÊUTICOS (52%) –
Interessante, esse resultado. Para a maioria da população,
os farmacêuticos operam como se fossem médicos. A avaliação
ruim será porque empurram remédios pra cima dos fregueses?
Valeria a pena conhecer mais a fundo essas razões.
JORNALISTAS (51%) – É
uma má notícia para quem acredita na democracia. Quando a
mídia perde a credibilidade, abre-se o caminho para atentar-se
contra ela. E certamente a pesquisa não foi afetada pelo episódio
do Gugu Liberato.
PSICÓLOGOS (50%) – O que
andam fazendo os psicólogos pra merecerem tamanha desconfiança?
Problema de formação? Preços praticados? Resultados?
MOTORISTAS DE TÁXI (37%)
– O resultado também me surpreende. Se a pesquisa fosse feita
entre turistas, até acharia normal. Mas entre brasileiros...
Não será implicância? Pessoalmente, não os avalio tão mal,
embora faça distinção entre profissionais do Rio de Janeiro
e de São Paulo. No Rio, os táxis são mais confortáveis, têm
ar condicionado, as tarifas são absurdamente mais baratas,
o trânsito é melhor e os motoristas conhecem as ruas.
POLICIAIS (18%) – É uma
avaliação pra lá de contaminada. Claro que existe a corrupção,
a ineficiência, a truculência, etc, etc. Mas por outro lado,
os policiais ganham mal, não têm recursos para enfrentar o
crime organizado, sofrem campanhas diárias da mídia e das
organizações ligadas aos direitos humanos. Morrem diariamente
mais policias do que bandidos. Se fossem avaliados, os narcotraficantes
teriam uma imagem melhor. Seriam julgados pela qualidade dos
produtos que fornecem. Parece que as reclamações não são muitas.
Pelo menos, no PROCON não há registros.
ADVOGADOS (12%) – Não
tem jeito. No imaginário popular, “advogado” é mesmo uma categoria
“do mal”. Enquanto isso, nesse aspecto, a OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil) repete o sucesso das paradas: “Tô nem aí!...”
AGENTES IMOBILIÁRIOS (11%)
– Coitados dos corretores de imóveis. O setor está em crise,
ralam, levam cano dos clientes, e morrem na praia.
POLÍTICOS (1%) – Outra
surpresa. Esperava menos.
[Fonte: Pesquisa Marcas de Confiança
– revista Seleções – publicada na edição 280 da Época, Setembro
2003]
Roberto
de Castro Neves,
www.imagemempresarial.com
Sobe
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