.
seus domínios
.DF
  
 
..
 
.

 

Artigos
Principal
Roberto de Castro Neves

 

Trabalho & Negócios

Artigo: Negociando com o chefe

Como você vê seus clientes?
Mundo dos negócios
Relacionamento dentro da pequena empresa
Conflitos
Um amor de empregadora
Abrindo precedentes
Idéias
Oportunidades
Trabalho & Negócios

 

 

 

 

Volta para a principal

 

      Leia
      antes de estrangular o repórter

      Roberto de Castro Neves
      Publicado no Domínio Feminino
      10, Janeiro/2003


No processo de uma edição, as "notícias" competem entre si por espaço e posição no jornal; no rádio e na televisão, por tempo e horário da divulgação. A rigor, pode ser uma excelente notícia na abertura dos trabalhos do jornal e não significar mais nada no fechamento. A "notícia" não só é uma mercadoria altamente perecível como também sua importância está subordinada a uma hierarquia temporal. O que é uma grande notícia —, e certamente de primeira página às duas horas da tarde — pode virar bagaço às oito da noite.

O processo de gestação da notícia começa com o jornalista extraindo da realidade o que lhe interessa, ou, o que, na sua opinião, interessa ao público. Nem toda a realidade é interessante para todo mundo. Normalmente até a realidade in natura é profundamente sem graça. Portanto, a primeira estação de tratamento da "notícia" é o aproveitamento da parte útil da realidade, isto segundo critérios absolutamente subjetivos.

Em seguida, vêm as estações de apuração, pesquisa, correção e concisão. Nestas etapas, a "notícia" pode crescer ou, simplesmente, morrer. Se sobreviver, sai das mãos do repórter e passa para os domínios do editor. São as estações de comparação e de seleção. É o editor quem decide se a "notícia" vai ser publicada, a abordagem, o tamanho, onde deve ser publicada. Ele tem sua agenda própria, ideologia, preconceitos, visão do mundo, top of mind, interesses, responsabilidades, etc., todas elas, na maioria das vezes, diferentes da do repórter. Pode ampliar um evento pequeno, transformar um rato num tigre, como pode fazer o inverso (downplay).

O leigo não conhece esse processo darwiniano. Muitas vezes, ao conceder uma entrevista, o executivo avisa a secretária que não está para ninguém, se tranca em seu gabinete com o repórter, fala horas sobre tudo, tira fotografias, enche o visitante de biscoito e cafezinho, dá — na sua opinião — "a melhor entrevista de sua vida". O repórter, por sua vez, se mostra entusiasmado com o que está ouvindo, faz quilômetros de anotações, tem todas as suas perguntas respondidas, dá boas gargalhadas e vai embora feliz da vida, não sem antes dizer como está agradecido pela atenção, pelo tempo despendido, pelo cafezinho, por tudo. O executivo também vai para casa feliz, orgulhoso de sua competência, do seu senso de humor , da sua presença de espírito - que nem imaginava que tinha — de seu desembaraço espetacular, do "nó que deu na cabeça do jornalista quando ele perguntou algo sobre um segredo de estado que não podia falar".

Entusiasma-se ao antecipar a reação do mercado, pensa nos telefonemas de elogio que receberá dos clientes, avisa a família, o cunhado invejoso, os amigos, os vizinhos, que amanhã estará nas páginas. Conta para a mulher, em detalhes, como foi a entrevista. Suas tiradas magníficas. Repete os melhores momentos. A bem da verdade, não foi exatamente assim como ele está contando agora, mas é um exagerozinho de nada que ele se permite, afinal a mulher não está entendendo nada mesmo e a entrevista não teve testemunhas. Nem o whisky, costumeiramente relaxante, funciona. Está excitadíssimo, quase não dorme.

No dia seguinte, acorda antes de todo mundo, antes até do entregador, tem taquicardia ao pegar o jornal e, de um só golpe, vê toda a primeira página e ... nada! Outro golpe de vista, agora com mais atenção e... nada! E a segunda página, talvez agora; e a terceira, e a quarta, e a quinta, e ver todas aquelas horas de conversa regada a números e frases de efeito - que infelizmente nem se lembra mais delas -, reduzidas a uma mísera notícia, do tamanho de um cartão de visitas num canto da penúltima página, junto com o obituário. E ainda saiu com o seu nome errado.

Nenhuma foto foi publicada! E, preparando-se para a entrevista, tinha até cortado o cabelo, um corte moderninho...E foram tantas as poses... Agora chega a duvidar se tinha filmes na máquina.

— Vigarista! Aquele reporterzinho de merda me paga!

Ele não sabe que o repórter não tem nada com isto. Na realidade, o coitado fez o seu trabalho direito e suas intenções eram as melhores possíveis. Se dependesse dele, você hoje seria primeira página, com foto e tudo, apesar - ou por causa do - corte de cabelo horroroso. Ele também ganharia prestígio com a primeira página. Mas as coisas não são bem assim. Apareceu uma crise no governo, caiu um avião no oceano, um médico inglês descobriu mais uma cura do câncer, um maluco engoliu uma granada, e — pior — o seu concorrente - que estava na moita até agora - deu uma coletiva de apenas dez minutos anunciando uma nova fábrica e afogou os repórteres em números, breaking news, tudo como o diabo deles, jornalistas, gosta.

Não vá concluir que o jornal recebeu grana do concorrente. Foi não. O que aconteceu é que você perdeu este páreo. Você só falou em rebimboca da parafuzeta, cara, dançou. Hoje, a rebimboca dele, concorrente, era mais "notícia". Não deu. Fica para próxima.

 

         Visite

         www.imagemempresarial.com

 

 

DF
Interativas
Amizade
ClubeDF
CtrlQuaalidade
Participe
Expats

Onça

Amor
Seguros
Separação

Moda

ElesPorEles
Viagens
NetColuna
Humor via e-mail
Cultura
Por aqui, senhores
Entrevista
Lar&Casa
Serviços
Socorro
Sociedade
Mulher
Lazer
JovensElas
NoivasNoivos
Perfume
Saudável
Temáticos
Editora
Internacional
Editorial
Opinião
DF

[ Domínio Feminino © 1999 -2003. Todos os direitos reservados. ] Brasil -Brazil - We speak brazilian Portuguese