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Professor Ricardo Bergamini

 

 
 
     
 

Sobre a profissão do Sr. Tadeu, e do irmão Diego. Veja onde você poderá ajudar, se conhecer melhor o potencial da família do Thiago.

 

Professor Ricardo Bergamini

 

 

 

 

Thiago


Maria da Penha Vieira
Reportagem fotográfica:

Flávia Mendonça
22, Janeiro/2003

 

A certeza da impotência diante do risco de vida dos pais do sofrimento dos irmãos. A falta total de perspectiva lançou o jovem Thiago, de apenas 18, anos no mais completo desespero. Desespero que deu início, possivelmente, a uma atitude diferente de viver a Rede, a internet brasileira, principalmente. Thiago dá um exemplo de amadurecimento, raro em nossos jovens. Ofereceu a maior oportunidade de refletirmos a Rede e as relações interativas que pretendemos viver.

Thiago não é tão diferente de tantos jovens de classe média brasileira. Classe média intelectual, mais. Ainda quase menino em seu jeito meigo e tímido surpreende pela aparente contradição da sua iniciativa.

Quando pergunto em como ele teve a idéia de jogar a garrafa no mar da Rede, ele responde que ao certo, ele não sabe, só sabe que a cada vez que olhava para a mãe e a via chorando em silêncio, pensava

"deve haver alguma saída" e comecei a escrever um texto de mensagem sem saber bem porque eu estava escrevendo, era como se fosse um desabafo e no incio foi assim mesmo. Depois, de madrugada, fiquei pensando o quê fazer. Pensei, se escrevi uma mensagem é para mandar para alguém. Quem?

Foi aí que abri a caixa de postal e comecei a receber aquele monte de SPAM comercial. Pensei porque se alguém envia mensagem para vender e eu não posso pedir socorro". Mas não foi assim, uma coisa que demorasse horas. Foi tudo muito rápido entre o tempo que eu escrevi e o que eu decidi. Só precisava consultar a meus pais.

O único senão era com respeito à mentalidade brasileira. Também não se preocupou com nenhum sentimento de humilhação porque o desespero era muito maior. "Pior do que estava não podia ficar".

Depois que começaram a chegar as primeiras mensagens, chamando-o de estelionatário, mensagens obscenas, ameaças e tudo mais, como mostram algumas poucas mensagens aqui reproduzidas, a tortura psicológica da família tem-se tornado grande fonte de mais tensões. Muitas mensagens de calor humano começaram oferecendo um pouco mais de equíbrio da situação emocional; mas Thiago e sua família nos contam, também que, a quantidade de mensagens que chega é imensa e dentre tantas, muitas são mensagens penosamente constrangedoras; algumas outras provocam situações de delicadeza moral, como propostas chocantes feitas por mulheres e homens.

Muitas pausas foram feitas durante nossa conversa. Pausa para criar coragem para revelar determinadas situações e mais pausas para conter as lágrimas. Thiago repetia, desculpando-se, com muita freqüência que estava nervoso e suas mãos tremiam, de fato. Por fim, ele consegue tranquilizar-se, diante da delicadeza da movimentação da nossa repórter fotográfica e da quietude da câmera operada por Flávia Mendonça.

Thiago espera verdadeiramente que algum milagre aconteça às pessoas e que as faça acreditar que elas podem ajudar a sua família a recompor-se. Espera, também, que um advogado consiga ser mais resistente do que o poder da TELEMAR e que através da persistência, conseguir que se faça justiça. Refere-se aos danos causados pela Telemar, ao retirar o instrumento único de trabalho que estava permitindo com que seus pais, trabalhando, comprassem os medicamentos eles precisam para manter a vida e um pouco de alimentação para todos.

O que desespera Thiago é a saúde da mãe, Sra. Maria José, muito fragilizada. Percebe-se, pela voz entrecortada, que o medo é uma constante, já por algum tempo, companheiro muito próximo.

Estamos falando de um jovem de 18 anos que não vai ao cinema, não sai de casa por falta de uns trocados para locomoção. As saídas dele são para ir à escola e para distribuir os cds de pedidos de telemensagem, que precariamente, quase sem clientes, vez por outra, aparece pelas redondezas do bairro de Santa Rosa, Niterói, Rio de Janeiro.

Após o envio das mensagens de pedido de socorro, a maior preocupação de Thiago é que sua mãe abra as mensagens de retorno por temer as agressões e pelas quais ela tem imediato reflexo na pressão arterial e na taxa de glicose. Os telefonemas agressivos representam mais um risco para ela, tanto quanto para o pai. Também teme pela ansiedade dela na espera da ajuda.

Mas o sorriso de Thiago aparece quando se fala em emprego para ele, lidando com computadores, coisa que aprendeu sozinho, partindo da necessidade de, ele próprio, ter que fazer os consertos da máquina da família.

A vida dele, percebe-se, tem sido forjada de carências, preocupações incessantes. Perda: muito cedo, bem menino um acidente provocou surdez em um dos ouvidos. Para o Sr. Tadeu, que brinca com o filho, diz sorrindo que com outro ouvido "ele ouve até demais".

 

Thiago
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobe

 

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