Dominio  Feminino, o primeiro Portal Feminino brasileiro
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Sobre a profissão do Sr. Tadeu, e do irmão Diego. Veja onde você poderá ajudar, se conhecer melhor o potencial da família do Thiago.

 

 

 

 

 

 

 
Chore, você está no Brasil II

Maria da Penha Vieira
24, Janeiro/2003

Professor Ricardo Bergamini

Regina, vinte e 28 anos residindo na Alemanha. Casou e teve um filho com um delegado da polícia alemã.

Vou antes dizer que o que, conhecemos como delegado de polícia aqui, no Brasil, não é nada parecido como o povo alemão tem como delegado. Basta dizer que o marido de Regina conhecia a obra toda de Whalt Whitney, por exemplo, Göethe, então "foi amigo de infância dele". Também, não era citar um verso, era conhecer mesmo. Literatura pura, filosofia. Meu queixo caiu. Iria cair mais ainda.

Ressalto que minha intimidade com a Alemanha não chega a nenhuma vivência local sobre a qual pudesse escrever. Conclui-se que só alguém que mora, vive e conhece profundamente o sistema de um país para traduzir para nós terceiro-mundistas.

Facilmente as pessoas se orgulham de dizer : ah, conheço a Alemanha, adoro e sempre que posso viajo para lá. E contam alguns nomes de cidades turísticas. Como a maioria do "conhecedores" de países de primeiro mundo. Ouve coisas sobre o país, sobre a cultura etc, mas não ouve os relatos do cotidiano, nem se preocupam em conversas sobre assuntos banais como estes.

Minha amiga Reguina ( como o nome dela é pronunciado pelos alemães ), relatou-me o seguinte e emblemático caso.

Um cidadão alemão, munido de uma mesinha improvisada, uma cadeira e um cartaz . No cartaz estava escrito um pedido de doações para que ele pudesse comprar um carro importado de marca americana. Ele não queria nenhum Mercedes ou Audi ou Volkswagen. O sonho ele era um carro estrangeiro. Do que ganhava no trabalho dele, o dinheiro jamais chegaria a permiti-lo tamanha extravagância, mesmo com o Estado garantindo-lhe o tanto que já garantia e até hoje garante aos seus cidadãos. E olhem, que é de pasmar.

Todos os dias, durante algum tempo o cidadão pôde ficar em sua cadeirinha recolhendo as doações. O cartaz dele dizia claramente qual o objetivo, para onde iria o dinheiro.

Passado algum tempo, um cioso guardião do Estado concluiu que o homem estava mendigando. A mendicância é crime, na Alemanha. Não poderia ser diferente, com o Estado cuidando dos seus cidadãos como o faz, não com paternalismo, mas por saber que esta é sua função. Se o Estado não puder oferecer condições de trabalho para que seus cidadão tenham dignidade, neste caso, é ele quem tem que assumir.

O "pedinte" foi denunciado e julgado. Por fim, pelas argumentações da Defesa mostraram que o direito à realização do sonho e do desejo dele jamais poderia ser visto como mendicância e, cerceando a liberdade daquele homem, isto sim, constituía-se em crime contra a liberdade do cidadão. O homem não estava pedindo para comer ou pagar aluguel ou qualquer dívida ( os bancos de lá existem para emprestar dinheiro, atividade-fim ), nada daquilo que o Estado cobria em caso de necessidade.

Encurtando, o homem não apenas foi absolvido como veio a processar o Estado por danos morais.

Conclui-se então que, ele chegou a um ponto de poder comprar não apenas um carro, mas vários.

O marido de Reguina estava presente na hora desse relato e apenas sorria. Bom, ele não entendia português mas ela ia contando a ele e ao mesmo tempo pedindo informações sobre detalhes que ela não mais se lembrava, mas ele como policial e delegando conhecia o caso muito bem. Outras centenas de caso interessantes, também. Naquela época meu alemão era razoavelmente suficiente — nós foi nós vai nós era, mas era suficiente — para saber se o que ela falava com ele tinha relação com o caso.

Outro casinho, este mais recente, contado por um brasileiro que a qualquer momento poderá chegar até o Portal Domínio Feminino. Se ele ainda não chegou, o que eu duvido, a certeza que tenho é que quase uma dezena de pessoas que o conhecem estão sempre aqui conosco. Alô AnaCrist, Paulinha, Cris, Binder. Essa pessoa vocês conhecem.

Um jovem brasileiro, alto bonito, fortão e trabalha com animação, morou na Alemanha por um bom período de tempo.

Buscando trabalho lá, na Alemanha, ele acabou trabalhando como uma espécie de enfermeiro de pessoas idosas. Não é bem enfermeiro, porque ser enfermeiro lá não é fácil Era sim, uma espécie de baby-sitter, só que para idosos.

O Estado Alemão garante aos seus idosos ou impossibilitados, cuidados para quem não tem quem os atenda. No caso do jovem brasileiro, ele me afirmou que a senhora idosa para a qual ele trabalhava, de quem ele cuidava, tinha um filho que "não estava nem aí para a mãe". A ponto que ele, um dia teve que dar "uma dura no cara" porque ele só ia ver a mãe para tirar algum dinheiro dela.

Nos horários certos, nosso jovem brasileiro que vou chamar de Roberto, ia até a casa da senhora que ele cuidava, para dar-lhe banho e nos horários de refeição. A última refeição ele cuidava para já deixá-la na cama. Ela por não poder locomover-se usava cadeira de rodas. Cuidava das roupas e da higiene dela e do apartamento, tudo que ela precisasse, ele devia fazer e bem feito. Mas como bom brasileiro, ia junto uma pitadinha de carinho. Tanto ia, que ele "deu uma dura" no filho dela.

Isto é Estado responsável, sem paternalismos. É assim que o Estado assume possíveis falhas do sistema. É assim que o Estado deve penitenciar-se de em algum momento ter falhado com seus donos.

Professor Ricardo Bergamini

 

 
 
 
 
 
 
Artigo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobe

 

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