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Chore, você está no Brasil
Professor Ricardo Bergamini

 

 

 

Exposição de motivos à TELEMAR

Berta Ataíde
Coordenação: Maria da Penha Vieira
Reportagem fotográfica:
Flavia Mendonça
22, Janeiro/2003

Em países que levam seu povo a sério, este fato, como outros milhares, jamais teria acontecido. E, se alguma coisa parecida fosse possível acontecer, ao menos uma das instituições como as instituições as quais o Sr. Tadeu apela, não deixaria passar em branco.

E o mais incrível é que o Sr. Tadeu, ainda acreditou que a gigante TELEMAR desse alguma importância aos Órgãos abaixo citados. E mais, acreditou, também, que esse pessoal, de fato está preocupado com a fome ou o bolso do cidadão.

`...não havendo nenhuma manifestação por parte dos senhores destinatários desta carta, estaremos procurando junto à toda e qualquer entidade que nos possa ouvir e representar (Congresso Nacional, Comissões e Ouvidorias Parlamentares, OAB em todos os níveis, Ministério Público, Partidos Políticos, Presidenciáveis, PROCON e outros órgãos de defesa do consumidor que possam nos prestar auxílio, Governo do Estado, ALERJ, Imprensa, ONGs, etc.) além da Justiça Comum, certamente, o socorro para fazer cessar as aflições pelo que temos passado e que certamente ainda haveremos de passar, eco do nefando ato cometido contra nós e acima relatado`.

Todos, de algum modo, em nossa casa, adoecemos durante este período e depois, ou tivemos os nossos problemas de saúde pré-existentes bastante agravados. Fomos obrigados a vender por qualquer ninharia, bens que nos custaram muito trabalho para adquir. Fizemos isto para comer. Assim mesmo PASSAMOS POR MOMENTOS DE FOME. Fomos obrigados a nos submeter a situações extremamente humilhantes, deixamos de pagar contas, sofremos corte no fornecimento de serviços para nós essenciais. E Vossa Senhoria pode estar certa de que não exageramos neste nosso relato. Pelo contrário, não damos conta sequer de uma pequena fração dos danos tremendos que tal erro da Telemar nos causaram. Digo ‘erro e da Telemar’ sem qualquer receio de estar cometendo qualquer engano já que depois de tudo normalizado recebemos telefonemas de funcionários graduados desta Empresa com a finalidade de nos pedir desculpas por aquilo a que eles próprios deram o nome de "erro nosso".

Prezado senhor Ronaldo Iabrudi
Ilmo. Presidente da empresa TELEMAR
À rua General Polidoro, 99 – Botafogo
Rio de Janeiro – RJ

(c/c para Sr. José Fernandes Pauletti – Representante do Cons. Fiscal da TELEMAR)

 

Venho por intermédio desta correspondência colocar Vossa Senhoria ao par, de situação gravíssima, ligada à empresa Telemar, com a qual estivemos envolvidos muito recentemente e cujas conseqüências trágicas ainda vimos - eu e toda a minha família - sendo forçados a suportar.

Peço-lhe que, por gentileza, disponibilize toda a atenção possível para a leitura do relato a seguir, já que a partir de sua autoridade temos absoluta certeza, há de ser promovida a reparação e a justiça para o caso que a partir de agora passamos a narrar.

Com certeza as primeiras linhas, ou até mesmo as primeiras páginas desta carta, não poderão oferecer informação suficientemente capaz de situar a vossa senhoria quanto a dimensão e gravidade do problema que nos foi causado por escabrosa operação, recentemente promovida contra nós pela Telemar. Entretanto é necessário, com vistas a facilitar a compreensão do que é realmente importante e sério que, por gentileza, tenha a devida paciência, e não despreze o prólogo desta história, conforme se segue.

Minha esposa é proprietária da linha telefônica 2611-7333, instalada há cerca de dois anos em nossa casa, no bairro de Santa Rosa, Niterói. Esta é uma daquelas antigas linhas comprada junto à extinta TELERJ, por preço exorbitante como eram os praticados nos tempos da antiga empresa.

Desde que possuímos tal linha ela teve a seguinte trajetória: assim que a adquirimos foi instalada em nossa loja comercial que na ocasião da instalação ainda se encontrava em obras para inauguração, em 1997. Ressalto que tal linha fora comprada com a classificação de "residencial". Instalada a linha, antes mesmo de passarmos a utilizá-la, solicitamos a Telemar a conversão de tal classificação para "comercial". Receávamos que em qualquer época futura, esta empresa pudesse reclamar a utilização indevida da linha. Nossa solicitação fora prontamente atendida.

Pouco mais de dois anos depois tivemos que encerrar as atividades de nossa loja. Tornamos a telefonar para a Telemar, desta vez para solicitarmos a conversão desta linha para a categoria "residencial", já que como o fechamento de nosso comércio trouxemos o número de telefone para a nossa casa. A empresa Telemar, entretanto, através do seu suporte técnico pelo número 104, negou-se a atender-nos em tal solicitação, sob a alegação de que naquele momento, não estavam atendendo a pedidos daquela natureza. Isto que acabo de dizer foi recentemente confirmado por uma funcionária, graduada – penso – da Telemar, quando concordou comigo, através de conversa telefônica, que "houve realmente certo período em que a situação que acabo de descrever ocorria realmente com regularidade". Isto, não é necessário explicar em detalhes, mas, para fins de simples registro fiz questão de acrescentar tal episódio já que ele demonstra, no mínimo, uma esquisitice difícil de se aceitar, já que o preço da tarifa básica (assinatura) de uma linha comercial é substancialmente superior ao custo da mesma tarifa quando relativa a linha residencial.

Entretanto, não foi apenas para revelar caso tão banal que tomei a liberdade de dirigir a Vossa Senhoria esta correspondência. Tal fato apresento tão-somente, com a finalidade de fazer o registro do quanto já começa injusta a relação (pelo menos, no nosso caso) com a Empresa sob Vosso comando e, também para que possa melhor compreender tudo o que aqui desejo relatar. Quanto à reversão (comercial x residencial) acima mencionada, jamais recebemos qualquer outra notícia ou comentário posterior proveniente da Telemar. No entanto, preferimos alguns meses após àquela primeira solicitação (ocorrida por volta de maio de 2000) não mais insistir no assunto, já que – mesmo em casa – resolvemos começar um novo negócio, e este totalmente baseado naquela linha. Até pela simplicidade e facilidade de memorização do número. Até hoje a linha é e deverá, se depender de nosso desejo, permanecer como linha comercial, já que há dois anos a utilizamos para fins de trabalho.

À medida que encerramos as atividades de nossa loja (tratava-se de um modesto estabelecimento), e isto ocorreu devido às múltiplas e bem conhecidas dificuldades que enfrentam os pequenos comerciantes em nosso país, mas, também por conta de problemas de saúde dos quais eu e minha esposa passamos a ser portadores, saímos à procura de uma nova atividade. Iniciamos em casa um pequeno negócio de transmissão de telemensagens. Nesta altura, optamos conscientemente por conservar aquela linha sob a classificação "comercial", movidos pelo mesmo motivo que nos fez, no princípio, acima descrito, solicitar aquela conversão: respeitar as regras da empresa prestadora do serviço.

Aquilo que de muito grave mencionei no início ocorreu neste mês de julho de 2000. Antes, entretanto, tivemos outras dificuldades com os serviços a nós prestados pela Telemar, mas cremos serem irrelevantes, ao menos para esta ocasião. Embora, se futuramente interessar a Vossa Senhoria conhecê-las, poderemos, com total boa vontade, na primeira oportunidade que nos proporcionar, relatá-las. Principalmente, se tal relato puder vir a contribuir para o aprimoramento desta prestadora de serviço de primeira e tão grande utilidade.

Peço desculpas, por tão longo preâmbulo, mas, já que agora começo a informar sobre o assunto principal desta nossa carta, tenho certeza de que compreenderá a razão de tão extensa exposição.

No dia último dia 4 de julho, liguei para o número 104 da Telemar, com o objetivo de solicitar, pela enésima vez, o reparo de um defeito crônico em nossa linha que, embora não nos impeça de trabalhar, causa-nos sem dúvida inestimável prejuízo. Trata-se de um fato que só nos chama à atenção quando alguém (um cliente) comenta sua ocorrência: se o nosso telefone estiver ocupado, eventualmente, em vez de responder a um outro telefonema com o sinal característico de ocupado, o sistema automatizado da Telemar, informa a quem esta tentando falar conosco, através de conhecida mensagem gravada que "Este telefone está impossibilitado de receber chamadas, mas já estamos providenciando o reparo" (o texto não deve ser exatamente este, mas certamente Vossa Senhoria tem conhecimento do que estamos falando).

Não é necessário, certamente, explicar a grande diferença que isto faz para nós. É óbvio que se alguém telefona para um local qualquer e em vez de ouvir o sinal de ocupado ouve tal mensagem, desiste da ligação para aquele número, ao menos por algumas horas ou por aquele dia. O que no nosso caso resulta em prejuízo certo, até porque serviços de telemensagens se encontram com muita facilidade em anúncios espalhados por todos os jornais ou catálogos de páginas amarelas. Vez por outra, como já mencionamos, alguém nos relata que testemunhou tal fato. Sempre que isto acontece (primeiramente testamos) e ao confirmar a queixa, nos reportamos à Telemar, relatamos o fato e, certamente, solicitamos o conserto. No entanto, nunca tivemos solução para o problema. Ao menos até a reclamação do último dia 4.

Em virtude da impossibilidade aparente de a Telemar corrigir o problema, temos nos resignado a conviver com ele. Em dia bastante recente, quando comentava com certa funcionária de alto nível da Telemar sobre o estranho defeito, para nossa surpresa, ela confirmou ser esta falha de rotina e aliás nos proporcionou uma explicação técnica e muito clara para aquele inconveniente. Temos a gravação em fita de áudio de tal confirmação por parte daquela funcionária e, caso venha a ser necessário, teremos prazer em disponibilizá-la.

Por outro lado, ainda não é este o nosso problema mais grave. Como dizia, em 4 de julho liguei para o número 104 para, mais uma vez reclamar deste defeito e, depois de transpor o primeiro obstáculo (o menu eletrônico), ao teclar o número do telefone que motivara a ligação para aquele serviço, ouvi a gravação dizer que logo seria atendido.

Um primeiro atendente veio falar comigo e me fez às indagações comuns, que, naturalmente, o senhor conhece, e depois de respondido ao questionário, além de ter dado detalhada explicação a respeito do defeito, ouvi do atendente que iria me transferir para o setor de consertos. Seria de se presumir que desde o momento em que a voz eletrônica do menu inicial nos solicita que digite o número do telefone em questão, tal dado já fique registrado e passe a aparecer em uma tela de modo a facilitar o trabalho para ambas as partes. Parece, entretanto, que isto não acontece. O atendente pede que seja informado o número do telefone, além de dados como endereço de instalação, nome do titular da linha, CPF, nome de quem está fazendo o pedido de conserto, grau de relação daquela pessoa com o titular da linha, número do telefone pelo qual se está fazendo a chamada, e finalmente a natureza da reclamação.

Então, agora sim, como já expliquei, o primeiro atendente informa que irá transferir para o setor de consertos. Neste momento, ou em qualquer outro durante o contato, é comum que caia a ligação. E aí se tem que começar todo o processo outra vez. A ligação também costuma cair quando se faz uma pergunta qualquer ao funcionário que ele não saiba responder. Ou quando, durante ou após um mal atendimento, perguntamos o nome da pessoa que nos atendeu, que embora, provavelmente, o tenha revelado no começo da conversa, sabe muito bem que seu interlocutor (o usuário), se não guardar certa malícia, não memorizou ou anotou aquele nome. (este conhecimento da psicologia do atendimento nos foi também revelado por certa atendente numa das tantas vezes que tivemos neste mês de julho que telefonar para os números de serviço da Telemar).

Bem, retomando a história principal, dizíamos que depois de respondermos a todo o questionário do primeiro atendente, a ligação é transferida, finalmente, para o chamado setor de consertos. Outra vez se presume que tudo o que já se informou seja automaticamente transferido para o atendente desta segunda seção, o que não acontece. Obrigam-nos a responder a todo o questionário outra vez. E não raramente, conforme ocorreu conosco no último dia 4, o atendente revela características de personalidade e temperamento, totalmente impróprias para aquele tipo de serviço: antipatia gratuita, mau-humor, arrogância, deboche, desprezo pelo cliente, cinismo, baixo nível de escolaridade e educação, grosseria e até mesmo como suspeitamos, particularmente, sobre o atendente do setor de consertos que nos atendeu no dia 4 de julho de 2002, uma certa vocação para o crime.

Levamos, naquele dia, eu e minha esposa, nos revesando, muitíssimo tempo até conseguirmos atingir a etapa conclusiva da reclamação. Chega até a nos dar a impressão de existir uma certa predisposição natural do serviço de atendimento da Telemar, para tentar enlouquecer, levar o pobre usuário a perder o controle psíquico ou, no mínimo, para forçá-lo a desistir da reclamação.

Fomos naquele dia especialmente, tratados muito mal pelo último atendente que conversou conosco. Eu, ao telefone, não suportando tamanho pouco caso para comigo e minha reclamação, acabei por explodir com o insuportável funcionário e lhe fiz, quem sabe a pior grosseria, que já tenha feito em meus 45 anos de vida a qualquer pessoa. Fui bastante mal educado, levado ao desatino e acabei por dizer palavras que normalmente não fazem parte de meu vocabulário. O atendente, agora falando num tom próprio dos piores tipos de marginais, desses que se pode ver nos telejornais, por exemplo, em entrevistas que fazem com os mais perigosos bandidos. O atendente me disse o seguinte ou algo semelhante: "olhai mermão, se não mudar o linguajá eu vou dar por anulada a sua reclamação e vou desligá..." Lamentavelmente, ilustre senhor Diretor da Telemar, eu, levado ao desatino não resisti e reiterei a má-criação verbal que anteriormente havia proferido. E ele, naturalmente, cumpriu o que prometeu: desligou o telefone. Neste momento eu disse a minha mulher. "Não ligo mais... Se você quiser, tenta outra vez mais tarde". Foi como de outras vezes. Fomos levados a desistir de nossa reclamação. Não nos demos conta das conseqüências daquele meu destempero num primeiro momento. Mas o nosso telefone parou de funcionar.

Logo que percebemos o novo defeito, ainda naquela quinta-feira (4), retomamos pelo início a mesma via-crúcis. Solicitamos concerto. Desta vez nos dirigimos aos monstruosos operadores do atendimento da Telemar do mesmo modo que, certamente, um indefeso e inerme subversivo da ordem, se dirigiria se colocado de joelhos e manietado ante a presença do mais tenebroso dos déspotas. Comportamo-nos como quem suplica, aterrorizados pela possibilidade de ficarmos por muitas horas sem o nosso telefone, que, afinal de contas é o ganha-pão e o meio exclusivo de trabalho de toda a nossa família. Na sexta-feira, o telefone não funcionou, no sábado pela manhã ainda apresentava-se com defeito. Dava-nos sinal de ocupado sempre que retirávamos o fone do gancho.

Quando estávamos prestes a tornar a reclamar, no sábado, pela manhã, subitamente o telefone tocou, demos graças à Deus. Era um cliente. Entretanto havíamos já perdido dois dias de trabalho.

Após aquele atendimento, minha esposa percebeu que o identificador de chamadas não registrara aquela ligação. Voltou a telefonar para o 104 para solicitar o reparo do serviço, já que por isto também pagamos taxas à Telemar.

Qual não seria a nossa terrível surpresa? A atendente nos comunicou que o nosso telefone de trabalho havia sido RETIRADO EM CARÁTER DEFINITIVO, e isto a pedido da própria titular da linha, minha mulher como já mencionei, que ali estava ao telefone recebendo tão absurda notícia. Ela, minha mulher, reagiu em prantos. Negou que tivesse feito tal solicitação. Explicou o quanto necessitávamos daquele telefone, tentou fazer ver a funcionária o tamanho da incoerência e impropriedade do que acabara de ser informada. A pressão arterial de minha esposa – que é hipertensa mas que jamais ultrapassara os 18 pontos na alta – foi a 22 (VINTE E DOIS).

Enquanto a funcionária, serena e indiferente à dor de minha mulher que, ao mesmo tempo em que falava chorava convulsivamente, confirmava o descalabro, fornecendo inclusive hora exata e número de protocolo do suposto pedido. Tal pedido fora feito, segundo a moça, naquele mesmo dia 4, por volta das onze e meia da manhã, horário que, curiosamente, coincide com o horário de meu entrevero com o funcionário mal-criado. Enquanto por outro lado, ninguém sabia dar contas daquele meu primeiro pedido de conserto.

A partir deste telefonema da manhã de sábado, identificamos a maldade que fora cometida contra nós, só então passamos a gravar todas as conversas com os funcionários da Telemar. Colecionamos um verdadeiro festival de absurdos e contradições. Material que naturalmente, poderá ser colocado ao inteiro dispor de Vossa Senhoria, bem como da Justiça, se assim nos for solicitado. Nestas conversações seguintes, pode-se observar com bastante clareza as crassas falhas daquele serviço de atendimento. As contradições absurdas como (sô a título de exemplificação) esta que rapidamente irei descrever: naquele mesmo telefonema, ou telefonemas (porque foram vários naquela manhã de sábado, dia 6) todas as atendentes que falavam conosco – embora conversássemos através da própria linha telefônica motivo do suposto pedido de retirada – além de repetirem sempre e com grande teimosia, que minha esposa havia pessoalmente feito o pedido da retirada, afirmavam ser impossível então cancelar tal solicitação.

Ora, cerca de 20 dias depois, mesmo já tendo, inclusive, nos sido informado por um funcionário do 104 que o nosso número já estaria instalado em outro local, o telefone, provavelmente devido a intercessão da ANATEL, fora religado, ainda que em meio a grande confusão, com o mesmo número. Convenhamos, se menos de 48 horas após o inventado pedido de retirada do telefone já não era mais possível o cancelamento da alegada solicitação, como é que isto foi passível de se concretizar quase vinte dias depois? Esta é apenas uma das muitas contradições, que se misturaram com mentiras, claros sinais de desinformação dos funcionários que, perdidos, soltavam informações desencontradas.

Ao me dirigir a uma das mais respeitadas autoridades jurídicas especializadas em direito do consumidor em nosso país lhe disse: "por favor, doutor se prepare porque a história que vou contar é diferente de tudo o que o senhor já possa ter ouvido". Ele falou: "duvido, em matéria de Telemar não há o que você possa me contar que venha a ser novidade para mim". Entretanto, após o meu relato, aquele advogado deu o braço a torcer: "É verdade – disse ele – história igual a esta eu nunca ouvi". E o que faço, perguntei, dirijo-me ao Procon? E ele retrucou: "Não, vá direto a Polícia!" O CPF de minha mulher havia sido utilizado, por alguém que esperamos que a Telemar possa vir a identificar, desautorizadamente, indevidamente, criminosamente.

Os danos causados por este desligamento e retirada de nosso telefone são irreparáveis: caso compareça a justiça para reclamar minhas perdas, sinceramente, não terei como estabelecer preço para as lágrimas de minha esposa e aflição de meus filhos. Este episódio colocou por terra dois anos de incansável trabalho em torno de algo que por este período fora o nosso único meio regular de sobrevivência.

Somos uma família de cinco membros. Excluindo nossa filha de 10 anos, eu, minha mulher e meus dois filhos de dezoito e dezessete anos trabalhamos duramente, para construir a reputação de um negócio que hoje se pode dizer que (embora nos tenha sido restituído o telefone com seu número original) parece já não mais existir. Trata-se de um negócio extremamente frágil e volátil. Hoje, depois de cinco dias de religado o telefone, o movimento é praticamente nulo. Teremos que recomeçar do zero. Foram-se lançados ao vento dois anos de trabalho de uma família. E depois, é um trabalho como o de um taxista, por exemplo, que se ficar um ou dois dias sem sair com o seu carro, no terceiro dia já não tem dinheiro sequer para o café da manhã.

Os fatos acima narrados podem ser todos confirmados não só pelas gravações que passamos a fazer a partir daquele sábado dia 6 (quando demos conta de que havíamos sido vítimas de um golpe de má-fé) como pelas supostas gravações próprias da Telemar que segundo as mesmas conversas por nós registradas, há operadores que afirmam serem feitas, ao mesmo tempo em que existem outros que negam a existência de tais gravações.

Todos, de algum modo, em nossa casa, adoecemos durante este período e depois, ou tivemos os nossos problemas de saúde pré-existentes bastante agravados. Fomos obrigados a vender por qualquer ninharia, bens que nos custaram muito trabalho para adquir. Fizemos isto para comer. Assim mesmo PASSAMOS POR MOMENTOS DE FOME. Fomos obrigados a nos submeter a situações extremamente humilhantes, deixamos de pagar contas, sofremos corte no fornecimento de serviços para nós essenciais. E Vossa Senhoria pode estar certa de que não exageramos neste nosso relato. Pelo contrário, não damos conta sequer de uma pequena fração dos danos tremendos que tal erro da Telemar nos causaram. Digo ‘erro e da Telemar’ sem qualquer receio de estar cometendo qualquer engano já que depois de tudo normalizado recebemos telefonemas de funcionários graduados desta Empresa com a finalidade de nos pedir desculpas por aquilo a que eles próprios deram o nome de "erro nosso".

Poderemos, em qualquer oportunidade, caso seja de vosso interesse, detalhar ainda mais e melhor, a história acima narrada. Apresentar o material gravado que mencionamos, e aos fatos descritos, acrescentar muitos detalhes importantes aqui desprezados devido ao nosso intuito de não sermos por demais cansativos. Caso duvidem de qualquer palavra impressa nesta carta, poderemos com facilidade apresentar-lhes testemunhas fartas dos fatos aqui mencionados e de outros ainda mais chocantes se é que o que foi descrito acima não é o bastante para situar a vossa senhoria quanto à gravidade do drama que nos acaba de atingir por conta ou da maldade de alguém de dentro ou fora da Telemar (mas que com certeza esta Empresa terá os meios para identificar) ou da ineficiência desta instituição em fase de crescimento e amadurecimento à qual não nos resta outra escolha senão suportar.

Por outro lado conto com o bom senso, dignidade, decência, e capacidade de percepção dos dirigentes de tão importante Organização, para que espontaneamente, venha ser promovido o reconhecimento, avaliação e reparação dos danos e prejuízos a nós causado pelo insólito fato acima descrito.

Esclarecemos que não estaremos tomando qualquer providência junto ao Poder Judiciário, dentro do período de 5 (cinco) dias úteis contados após a data de postagem e registro desta correspondência junto aos serviços de Correios. Entretanto, para que não nos venham a tomar como pessoas como aquela que promoveu a retirada de nosso telefone de modo criminoso, agindo secretamente e sem deixar rastros visíveis para nós aqui de fora, para que não nos confundam com pessoas que apunhalam as outras pelas costas, queremos que fique registrado aqui, não a título de ameaça (comportamento que não faz parte de nossas praticas de vida), mas com vistas a imprimirmos a mais total transparência ao nosso relacionamento com esta Empresa que, a despeito de tudo o que vem ocorrendo, continua sendo merecedora do nosso mais absoluto respeito, que contados estes dias não havendo nenhuma manifestação por parte dos senhores destinatários desta carta, estaremos procurando junto à toda e qualquer entidade que nos possa ouvir e representar (Congresso Nacional, Comissões e Ouvidorias Parlamentares, OAB em todos os níveis, Ministério Público, Partidos Políticos, Presidenciáveis, PROCON e outros órgãos de defesa do consumidor que possam nos prestar auxílio, Governo do Estado, ALERJ, Imprensa, ONGs, etc.) além da Justiça Comum, certamente, o socorro para fazer cessar as aflições pelo que temos passado e que certamente ainda haveremos de passar, eco do nefando ato cometido contra nós e acima relatado.

Queremos apenas para finalizar, informar que tudo o que foi dito nesta carta é fruto de nossa própria iniciativa, que somos pessoas ignorantes sob muitos aspectos, e que não estamos de forma alguma orientados por quem quer que seja. Por isso se cometemos alguma impropriedade no que afirmamos, pedimos desculpas e voltamos a frisar, não o fizemos movidos pelo intuito de causar qualquer tipo de inquietação a vossas senhorias, até porque, quem somos nós para isto? Mas, pelo contrário, nos posicionamos de tal maneira com a única finalidade de tentar estabelecer um entendimento honesto e amigável com tão distinta Empresa. Mesmo porque ganhar uma ação na Justiça, por incrível que pareça, tem seu lado profundamente desolador e triste: que consiste em termos que largar nas mãos de advogados, considerável fatia daquilo que, sempre nos deixa a sensação de que, afinal de contas, a nós pertence..

Sudações cordiais,

TADEU VIEIRA

Camiseta de trabalho do Thiago em Telemensagens
02
Trabalho de rádio do pai e do irmão Diego

 

  
  
   
   
  
  
    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobe

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