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     Borra de café mata o
  
   mosquito da dengue


        Mail enviado por Gabriel Blum
        11, Janeiro/2002

 

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Chuvas ameaçam provocar epidemia do tipo 3 da doença Os moradores do Grande Rio podem auxiliar as secretarias de Saúde dos municípios e do Estado do Rio no combate ao mosquito da dengue. O receita é prosaica, pois não envolve venenos perigosos à saúde humana e dos animais que dividem o ecossistema urbano com os humanos, pequenos pássaros principalmente.

O mosquito Aedes aegypti pode ser combatido colocando-se borra de café nos pratinhos de coleta de água dos vasos, no prato dos chachins, dentro das folhas das bromélias, etc. A borra de café, que é produzida todos os dias em praticamente todas as casas, tem custo zero. O único trabalho é o de colocá-lo, inclusive sendo jogado sobre o solo do jardim e quintal.

Quem descobriu este efeito anti-Aedes da borra foi uma cientista paulista, a bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp, Universidade Estadual de São Paulo, campus de São José do Rio Preto, durante a pesquisa da sua tese de mestrado - orientada pelo professor Hermione Bicudo. Os testes realizados em laboratório comprovaram que a borra de café — que fica depositada no coador — é uma arma muito eficiente contra o mosquito transmissor da dengue. Uma vez que impede a postura, e quando esta ocorre, impede o desenvolvimento dos ovos daquele mosquito.

REVOLUÇÃO. O estudo demonstrou, cientificamente, que, em quantidades adequadas, a borra do café bloqueia o desenvolvimento da larva do Aedes aegypti. Parece uma panacéia mas não é, destaca a bióloga: a borra de café pode revolucionar o combate ao inseto, tornando-se uma poderosa arma contra a doença. A novidade adquire maior importância no momento em que o Brasil, já assolado pelas dengues dos tipos 1 e 2, prepara-se para o crescimento do número da casos da dengue tipo 3, a hemorrágica, que provoca hemorragias internas no infectado, que quase sempre morre.

Os especialistas em saúde pública, entre eles os médicos sanitaristas, estão saudando a descoberta de Alessandra Laranja, uma vez que além da ameaça da dengue 3, possível de acontecer devido as fortes enchurradas de final de ano, surge outra ameaça, proveniente do exterior, da dengue tipo 4. O problema provocado pelo Aedes aegypti já era grave com as dengues tipos 1 e 2. Conforme as estatísticas do Ministério da Saúde (Fundação Nacional de Saúde, Funasa), no ano passado a dengue vitimou mais de 200 mil pessoas no País.

Conforme explica a bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp/São José do Rio Preto, 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água bloqueia o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios e reduz o tempo de vida dos mosquitos adultos. Em seu estudo ela demonstrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonal e da reprodução, podendo ser essa a causa dos efeitos verificados sobre a larva e o inseto adulto.

A pesquisadora continua estudando os efeitos que a cafeína da borra sobre o Aedes aegypti, ciente da importância disso, tendo em vista o perigo da chegada ao País da dengue tipo 4, proveniente do exterior dentro de navios oceânicos e de aviões de linhas transcontinentais. A solução com cafeína pode ser substituída por duas colheres de sopa de borra de café para cada meio copo de água, o que facilita o uso pela população de baixa renda. A solução pode ser aplicada em pratos que ficam sob vasos com plantas, dentro de bromélias e sobre a terra dos vasos, jardins e hortas. Inseticida natural serve também como adubo.

Como Alessandra Laranja explica, o mosquito Aedes se desenvolve mesmo na película fina de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida dos jardins e hortas. Desenvolve-se também na água dos ralos e de outros recipientes com água parada (pneus, garrafas, latas, caixa dágua etc.) "A borra não precisa ser diluída em água para ser usada", destaca a bióloga. Pode ser colocada diretamente nos recipientes, já que a água que escorre depois de regar as plantas vai diluí-la. Ou seja: ela recomenda que a borra de café passe a ser usada, também, como um adubo ecologicamente correto.

O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto - explica Alessandra Laranja. As larvas se desenvolvem em água parada, limpa ou suja. Na fase do acasalamento, em que as fêmeas precisam de sangue para garantir o desenvolvimento dos ovos, ocorre a transmissão da doença. Organofosforados. A fêmea pica a pessoa infectada, mantém o vírus na saliva e o retransmite. Atualmente, o método mais usado no combate ao Aedes aegypti é o da aspersão dos inseticidas organofosforados, altamente tóxicos para homens, animais e plantas. Estes inseticidas são os do fumacê e do líquido usados pelos técnicos em saúde pública. A bióloga discorda da utilização destes inseticidas: "A borra de café, além de ter custo zero, não é tóxica nem prejudica as plantas, podendo servir até como adubo".

A pesquisa já foi apresentada à Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) do Estado de São Paulo e à Vigilância Sanitária federal. A Prefeitura de São José do Rio Preto foi a pioneira na campanha de difusão da informação sobre a borra de café como veneno anti-Aedes. Naquele município estão sendo distribuídos folhetos explicativos sobre o uso da borra. Hemorragia. A dengue é a doença infecciosa causada por vírus, aguda e de gravidade variável. Apresenta-se sob as formas de dengue clássica (tipos 1 e 2) e dengue hemorrágica (tipo 3), sendo essa última a forma mais grave da doença no Brasil. A dengue hemorrágica (tipo 3) ocorre quando um indivíduo contrai novamente a dengue causada por um vírus de sorotipo incompatível com aquele que o infectou na primeira vez.

Conforme a Funasa, as regiões Sudeste e Nordeste são as que apresentaram os maiores índices de notificação nos últimos anos. A transmissão ocorre pelo ciclo homem-Aedes aegypti-homem. Após a ingestão de sangue infectado pelo inseto fêmea, transcorre na fêmea um período de incubação que pode variar de oito a 12 dias.

Após esse período, o mosquito torna-se apto a transmitir o vírus e assim permanece durante toda a vida. Os sintomas da doença são febre intensa, dor de cabeça, dores fortes nos olhos, em toda a musculatura, nos ossos e nas juntas. A dengue hemorrágica apresenta sangramento pelas gengivas, pela pele e pelo intestino, podendo levar à morte. No Brasil, o Aedes aegypti ainda transmite a febre amarela, o que a Funasa já constatou em Goiás e Minas Gerais, Estados sob intensas chuvas.

 

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