Em
tempos de políticas sociais para os excluídos, e
presidente que só governa para os "pobres", presentear
nossos filhos no Dia das Crianças, a cada ano, fica mais
difícil.
Difícil
escolha entre brinquedos chineses que matam, manual de sobrevivência
contra assaltos dentro de casa e fora dela, comprar um tênis
novo, envelhecê-lo artificialmente - esfregando catch-up,
lama e depois lavá-los - para que não se apresentem
como recém-comprados e evitando, assim, o risco das crianças
serem assaltadas pelos sem-tênis. Seu filho saberá
que o tênis é novo e é isso que importa. O
mesmo vale para bicicletas novas. É preciso stonar tudo
o que for novo.
Pode-se
também preparar um documento-presente para que eles guardem
para a posteridade e passá-lo de geração
em geração marcando a época das grandes (re)evoluções,
nunca antes vistas neste País, assegurando que eles, jamais,
serão recusados em hospitais e escolas, desde que se digam
pardos ou negros. Lembrem-se pais, que sua palavra e assinatura
serão a única garantia. Daí é preciso
arriscar sua honra.
Pode-se
até negar qualquer presente em nome dos milhões
de crianças que não têm nem o que comer e
por isso eles devem ser solidários e entender que não
têm direito à presente algum. Esperamos que alguém
tenha tido a maravilha de idéia de escrever uma cartilhinha
onde se explique que o quartinho dele ou dela, deverá ser
dividido com crianças pobres para evitar que elas continuem
os assaltando e matando. Se assim as crianças das elites
não entenderem, serão culpadas pelas desgraças
do Brasil.
Bom
presente, uma foto do Presidente da nossa República, bem
emoldurada ou até mesmo aquele bonequinho do Lula ou do
Chávez, que, deste último, vendeu "'milhões".
Não
há muitas escolhas, de forma que, deixamos para sua criatividade,
o melhor: não ensinar seus filhos a temer o futuro e prepará-los
para sustentar o fardo de fazer um possível "futuro
melhor". O que nós não vamos conseguimos.
Dos
presentes, nestes tempos, o mais seguro é uma camisa do
time deles e o melhor, deixá-los sonhar e sorrir muito
como é da natureza das crianças.
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