“Quem poupa o
lobo, mata a ovelha.”
(Victor Hugo)
O Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, acredita que reduzir
a maioridade penal para 16 anos é um erro. Segundo o ministro,
tal medida poderia prejudicar o amadurecimento do jovem infrator,
seja lá o que se entende por isso. As propostas do ministro para
atacar o problema da violência são vagas e abstratas, como reforma
do sistema carcerário e judiciário. Enquanto isso, cerca de 20
assassinatos são cometidos por dia somente no Estado do Rio.
Da aliança nefasta
entre falsos liberais e sociólogos resultou essa percepção de
que os crimes estão atrelados somente às questões sociais, e tudo
se justifica pela miséria. Criou-se um ambiente de proteção ao
bandido, um culto do “coitadinho”, que inverte totalmente os fatos,
tornando vítima quem é culpado e culpado quem é vítima. Tentam
forçar um sentimento de culpa daqueles que são pessoas de bem,
levam uma vida normal, trabalham e pagam seus impostos, como se
o pivete armado que o aborda no sinal fosse sua responsabilidade.
É evidente que nosso
sistema carcerário está podre, e precisa de reformas. Está claro
também que a miséria não ajuda no combate ao crime. Precisamos
sim atacar estes problemas, cujo impacto se daria no longo prazo
apenas. Mas precisamos de medidas concretas de imediato, já que
a situação está praticamente fora de controle. Sem falar que as
verdadeiras causas da criminalidade estão na impunidade, na ausência
do império da lei, não nos fatores sociais como querem nos fazer
acreditar. O Estado, além de inchado e ineficiente, é ausente
justo em sua função precípua de manter a ordem. Deveria trocar
seu populista discurso de “justiça social” e partir para o cumprimento
da lei, de forma isonômica.
Voltando à questão
da maioridade, os políticos acharam que um jovem de 16 anos estava
totalmente maduro para escolher os governantes do país, mas não
para serem responsabilizados por seus atos ilícitos. Claro, é
mais fácil vender sonhos românticos para os mais jovens, conquistar
seus votos através da emoção. Acontece que liberdade não pode
existir sem responsabilidade, e ou aceitamos que jovens de 16
anos são capazes de poder de discernimento tanto para votar como
para reconhecer a diferença entre certo e errado, ou os tratamos
como mentecaptos em todos os aspectos.
Partindo para os
números, temos que cerca de 70% dos detentos da Febém praticaram
roubo a mão armada, e uns 10% são responsáveis por crimes ainda
mais graves, como homicídio e latrocínio. Não estamos falando
de indefesas crianças, pobres coitados que simplesmente não tiveram
opção diferente na vida. Estamos lidando com marginais da pior
espécie, assassinos de sangue frio, jovens que matam sem qualquer
motivo lógico. Para piorar ainda mais, por terem essa imunidade
garantida em lei, são usados pelos traficantes para os piores
crimes, pois sabem que não podem ir presos por muito tempo.
Podemos até lamentar
as causas estruturais que os levaram a tal vida, e tentar adotar
medidas que reduzam a incidência de casos no longo prazo. Podemos
também questionar a qualidade das prisões e da Febém, que sem
dúvida não ajuda. Mas temos que lutar no presente, temos que impedir
novos crimes, temos que restabelecer a ordem. E temos, por fim,
que sermos realistas, reconhecendo que estas “crianças” não mais
voltarão a se interessar por lego ou playmobil, mas sim por crimes
cada vez mais severos. Não se ganha uma guerra quando nem sequer
reconhecemos a existência do inimigo. E não se tenta recuperar
o irrecuperável.
Nos Estados Unidos,
crianças podem pegar prisão perpétua, dependendo do crime cometido.
No Brasil, assassinos frios com quase 18 anos são tratados como
crianças indefesas, enquanto a culpa do crime recai sobre a própria
sociedade. Isso precisa mudar. Reduzir a maioridade não é solução
definitiva, claro. Mas é um começo necessário.
* Rodrigo
Constantino, Economista pela PUC-RJ, com MBA de Finanças pelo
IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor do livro
"Prisioneiros da Liberdade", da editora Soler. Acaba de lançar
seu segundo livro, "Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas
do PT". Colunista do Mídia Sem Máscara e Diego Casagrande e Instituto
Millenium.
O presente artigo foi originalmente publicado
no site http://institutomillenium.org