Os empregados domésticos estão prestes
a sofrer uma fraude. Pensando em agradar esse significativo
eleitorado, alguns políticos querem conceder-lhes alguns supostos
direitos trabalhistas. Nada mais equivocado e prejudicial. Aliás,
na medida em que a hidra trabalhista vai se imiscuindo nas relações
domésticas, os salários diminuem, aumenta o desemprego no setor
e cresce a informalidade..
O projeto em tramitação no Congresso Nacional prevê que os empregadores
domésticos terão que recolher FGTS – Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço. Isso representará um custo adicional de 8% (oito por
cento) sobre os salários pagos mensalmente, além da indenização
devida na despedida sem justa causa, correspondente a 40% do valor
depositado no FGTS. Para aquelas partes que vivem na ilegalidade,
a nova lei não fará a menor diferença. Nessa situação, não há
carteira de trabalho assinada nem recolhimento de INSS nem pagamento
de férias e seu adicional ou qualquer outro tipo de “direito”.
Provavelmente, a maioria dos trabalhadores domésticos vive nessa
situação devido aos custos (e à burocracia) impostos pela legislação
trabalhista. Mas isto nenhum dos políticos empenhados em “assegurar-mais-direitos-a-uma-classe-injustificadamente-discriminada”,
conta.
Assim, o verdadeiro
impacto se dará para as relações formais. O empregador que irá
contratar uma doméstica depois que a nova lei entrar em vigor,
calculará seu custo mensal incorporando o FGTS. Assim, se antes
da lei ele estaria disposto a pagar R$ 500,00 mensais para a empregada,
após a lei pagará R$ 444,00, pois terá que depositar R$ 40,00
no FGTS e guardar R$ 16,00 para pagar a indenização quando tiver
que despedi-la. Em suma, os futuros empregados domésticos perderão
11,2% de sua renda todos os meses, para recuperá-la parcialmente
apenas no momento da demissão. Mas isto nenhum dos políticos empenhados
em “assegurar-mais-direitos-a-uma-classe-injustificadamente-discriminada”
conta.
Os empregados domésticos
que estiverem atualmente empregados, de maneira formal, serão,
como se disse, de fato beneficiados pela nova lei. Os seus patrões
não tiveram como calcular o custo extra do FGTS na hora da contratação.
Mas a vantagem eventual será perdida em relativamente pouco tempo.
Um primeiro exemplo: na hora de reajustar o salário, o empregador
irá invocar o aumento de custos imposto pela nova lei. Ele facilmente
irá argumentar com o empregado doméstico que quiser aumento que
o custo da mão-de-obra cresceu 11,2%. Os comprovantes de depósito
no FGTS não o deixarão mentir. Um segundo exemplo: na medida em
que os atuais empregados domésticos forem trocando de patrão,
os novos empregadores já irão “embutir” no custo mensal o FGTS.
Assim, a mudança de emprego, especialmente nos primeiros anos
de vigência da lei, significará uma perda de renda para o trabalhador
doméstico. Ele deixará um trabalho no qual o empregador foi surpreendido
pela nova lei (e, portanto, com um custo que ele não teve como
prever e considerar na hora de propor o salário) por um novo emprego
onde todos os custos estão sendo levados em conta. Mas isto nenhum
dos políticos empenhados em “assegurar-mais-direitos-a-uma-classe-injustificadamente-discriminada”conta.
Na verdade, o FGTS
é uma fraude perpetrada contra todos os trabalhadores formais
brasileiros. O que os políticos estão tentando fazer é ampliar
o universo de pessoas a serem fraudadas. Isso sem mencionar o
fato de que os depósitos do FGTS são remunerados de forma vil
e seus recursos usados a bel-prazer dos políticos.
Enquanto isso, o
máximo de profundidade que o debate alcança é se a nova lei aumentará
ou não a informalidade. Isso irá obviamente acontecer. Mas o prejuízo
para a sociedade vai muito além. Representará mais transferência
de renda dos trabalhadores para o Estado, num país em que quase
40% do PIB já estão nas mãos do poder público
(
* ) Cândido Prunes é Vice-Presidente do Instituto
Liberal
http://www.institutoliberal.org.br/