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      Artigos
     

        Descoberta das conservas

        Comment ont été inventées les conserves?

        Por Jean-Luc Nothias
        Le Figaro - 30/8/2006
        Tradução: Regina Caldas

 

Nicolas Appert  e sua descoberta

 

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Ela é atualmente aquele limite, digamos, "has been" (este tempo verbal -- present perfect continuous -- é utilizado para expressar algum evento ou ação que teve início no passado e que ainda está em progresso no presente momento)! Congelados, resfriados ou prensados, os alimentos rolam das máquinas para a embalagem... .



No século XVIII, a conserva viveu uma revolução mais importante que as técnicas modernas. Àquela época, e isto depois de séculos, os únicos meios de se conservar os alimentos eram a secagem, salgamento, defumação, salmoura, fermentação, preservação na gordura ou no açúcar e a maturação. Técnicas relativamente simples, mas que modificam profundamente o sabor e o aspecto do alimento tratado, sem falar das suas qualidades nutricionais.


De repente, um meio simples foi criado para conservar sem risco alimentos básicos como frutas e legumes, carnes e peixes. “Cereja sobre o bolo!”, o inventor da conserva não conserva o seu segredo ou sequer o patenteia, espalhando-o por todo lado! Este procedimento, a esterilização, leva hoje o nome de seu inventor, Nicolas Appert, que 60 anos antes de Louis Pasteur, descobriu empiricamente, às custas de ensaios, a esterilização dos alimentos pelo calor.


Nascido em Châlons-sur-Marne, em 17 de novembro de 1749, Nicolas Appert foi predestinado a ser um daqueles homens iluminados do Século das Luzes. Este 9º infante de uma família de taverneiros sob a bandeira Cheval Blanc aprendeu as bases do serviço nas cozinhas do albergue familiar, seguindo vida afora na profissão de cuisinier-confiseur.


Após uma temporada de dez anos na Alemanha, Appert retorna à França, na aurora da Revolução, e abre sua primeira loja em 1784 sob a insígnia de La Renommée, 47 rue des Lombards, Paris. O confeiteiro chega aos 40 na periferia da efervescência social.


Alista-se na Guarda Nacional e assiste a execução de Luis XVI. Paralelamente seus negócios prosperam. Tudo lhe sorri. Até que surge o Terror! Indiciado, o cidadão Appert é lançado na prisão, onde ficará por três meses. Ironia da História e conseqüência inesperada da Revolução, é nesta pausa que o "enigma" da conservação ocupa lugar em seu espírito. Saindo da prisão, ele abandona toda atividade revolucionária e se lança em seus experimentos. A conserva vai nascer, de início, nas garrafas de champagne.

Appert se deu conta do modo empírico que deveria aplicar dois procedimentos aos alimentos para conserva. Tratá-los pelo calor e colocá-los ao abrigo do ar para que fossem consumidos com toda segurança. À época, os únicos recipientes capazes de resistir ao calor eram as garrafas de vidro. Ele começa a utilizar as garrafas de champagne. A seguir, explora as latas em ferro branco inglesas. Atualmente ,são as de alumínio (Flandres), em ferro fino, mas podem ser em vidro, em barras, em sachês...


Appert funda em 1802 a primeira fábrica de conservas industriais em Massy (Essonne), no domínio (domaine) dito Château d'en Haut. A armada se interessa, pois isso serviria para as tropas terrestres e para a tripulação da Marinha. Obtém sucesso. Suas conservas -- ele também propôs os primeiros pratos culinários como o matelote de peixe (peixe no vinho) -- giram ao redor do mundo. Chegarão ao Pólo Sul a bordo da escuna Urânio, expedição científica destinada a estudar a fauna Antártida. Além disso, os marinheiros ficaram protegidos do escorbuto que dizimava os homens depois das primeiras explorações, pois os produtos de Appert garantiam uma taxa de conservação de mais de 60% de vitamina C.


Consciente de partilhar suas descobertas com o maior número de interessados, ele liberou os seus segredos num livro intitulado “A arte de conservar durante muitos anos todas as substâncias animais e vegetais”. Mas é Louis Pasteur que colocará em evidência, 60 anos depois, o princípio científico da influência do calor sobre a qualidade bacteriológica de um produto.


O resto de sua vida, Appert a consagrará a melhorar seus métodos. Chegou a utilizar uma máquina inventada por Denis Papin, o pai da máquina a vapor, uma autoclave, a ancestral da nossa cocotte minute (panela de pressão), permitindo o cozimento ultrapassar a temperatura de ebulição da água e oferecendo, ao mesmo tempo, segurança e melhor rendimento.


Nicolas Appert faleceu em junho de 1841, com 91 anos de idade, na miséria, e seu corpo foi enterrado numa vala comum. Mais de dois séculos após sua invenção, os franceses consomem cada um, em média, 50 kg de conservas por ano.

Autor: Jean-Luc Nothias
Le Figaro
Tradução de Regina Caldas
Edição: Avulso
Tradução originalmente publicada no site Diplomacia e Negócios

 

                    

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