Bem-receber

 

          Adriana Murin
          29, Janeiro/2003

 

O que se pensa sobre "receber bem", na maioria das vezes considera-se apenas sobre a ambientação. Decoração, embelezamento dos ambientes, lista de convidados ilustres etc. Pensa-se em comportamento social adequado, posturas forçadas que flagrantemente brigam com a personalidade dos anfitriões.

 

Os segredos do bem-receber residem na sensibilidade e no bom senso.

A sensibilidade faz você responsável pelo bem estar do seu convidado. Cada um dos convidados é especial e assim deve ser cuidado, independentemente do grau de eminência social ou afetiva.

O bom senso será de muita utilidade na hora de confeccionar a relação de convidados. A sensibilidade será de grande utilidade na hora de receber.

– Descobrir as afinidades entre seus convidados antes de elaborar a relação.
– Ter em mente que ao oferecer uma festa, você não estará apenas reencontrando pessoas que lhe são queridas ou nas quais você tem interesse negocial.
– Ao oferecer uma festa você estará propiciando aos seus convidados oportunidade para que eles conheçam novas pessoas, alarguem o leque social, façam novos amigos, com ou sem interesses negociais, embora, reconheçamos, o interesse negocial predomine.
– Não deixe seus convidados ao Deus dará
– É oferecendo uma festa que você estará sendo "conhecida" como pessoa e ser humano
– Tenha estilo próprio
– Não ofereça festas que seus convidados sabem que você não tem condições para tanto.

A vida em sociedade nos leva a assumir diversos grupos sociais distintos como fazendo parte dos nossos relacionamentos. Esses grupos, têm sua conformação baseada em critérios diversos e, devem ser considerados na hora de abrir as portas da sua casa para receber bem.

O que se pensa sobre "receber bem", na maioria das vezes considera-se apenas sobre a ambientação. Decoração, embelezamento dos ambientes, lista de convidados ilustres etc. Pensa-se em comportamento social adequado, posturas forçadas que flagrantemente brigam com a personalidade dos anfitriões.

Os grupos aos quais estamos todos ligados, poderiam ser divididos em amigos íntimos, pessoas amigas, amigos de negócios ou de trabalho e conhecidos de "mercado". Um outro grupo, o grupo que forma simplesmente um universo de interesses comerciais.

Mas ainda um outro grupo soma-se a estes, alguns pais dos amigos dos nossos filhos, pessoas do relacionamento, não enquadráveis em nenhuma das outras categorias. Um conhecimento que aconteceu durante uma viagem ao exterior, por exemplo, e que se estreitou de alguma maneira. Esse grupo é difuso pois ele apresenta características afetivas mais definidas e no entanto não estabelecem-se como amigos — principalmente, por ser uma nova relação — ainda descaraterizados, diferentemente dos elementos dos outros grupos. É um grupo heterogêneo no tocante à interesses mais diretos.

Em algumas situações, grupos ligados apenas por interesses comerciais, quando pequenos é bem melhor que sejam recebidos fora do ambiente familiar, em restaurante. Pessoas com as quais você e sua família se relacionam apenas, e somente por ligações e interesses negociais. São pessoas que você identificou como não tendo afinidades outras, pessoas até perigosas para o convívio dentro do seu lar. Por mais poder que elas representem no seu ou no mundo negocial do seu marido, o melhor é mantê-los no restaurante ou, quando muito, um jantar apenas para aquela pessoa, com mais duas ou três pessoas de estreita ligação com sua família, pessoas de confiança. Dessa forma você estará prestigiando sua "eminência" mas não o estará juntando aos seu grupo mais estreito que deve ser preservado da exposição, ou grupos com outros interesses.

Os segredos do bem-receber residem na sensibilidade e no bom senso.

A sensibilidade faz você responsável pelo bem estar do seu convidado. Cada um dos convidados é especial e assim deve ser cuidado, independentemente do grau de eminência social ou afetiva.

O bom senso será de muita utilidade na hora de confeccionar a relação de convidados. A sensibilidade será de grande utilidade na hora de receber.

Em geral o que se vê como elogio — Fulanos recebem muito bem, tem um toque, um bom gosto! — costuma ser parte da confusão no entender do que receber bem significa.

Nunca aconteceu de você ir a um jantar, uma reunião ou mesmo a uma festa e achar tudo muito chato? Sair cedo, antes do que você havia imaginado apesar da bela decoração do ambiente, da bela casa ou do belo apartamento, apesar de encontrar pessoas famosas ou de alto-coturno? Apesar do excelente cardápio?

Também já houve aquela vez que você foi a alguma festa e pensava que ia ser insuportável e no entanto você conheceu pessoas ótimas, achou tudo lindo, de bom gosto etc. Só elogios. Claro, você pode ter dado sorte ou você é uma pessoa única. Se os donos da festa não fizeram as apresentações de forma adequada, sua mesa só tinha gente caída, como você pôde achar a festa maravilhosa? Você é realmente única.

Os cuidados na hora de confeccionar a relação das pessoas a serem convidadas é muito delicada. É aqui que você deve se preocupar com o bom senso. O bom senso do mix.

Se o seu evento tratar de data comemorativa ( de aniversário) é uma coisa, se é um jantar sem comemorações, só para receber e fazer social profissional é outra coisa. Tratando-se de comemorações com grande números de convidados, não há como escapar de um mínimo de cerimonial. De qualquer maneira, o ideal é que seu evento tenha sempre um nome motivo com um nome. Um amigo que chega ou que se vai. Um conhecido de fora, homenagem a alguém de algum dos grupos.

O fato é que, se for este último, o motivo, é bom que o homenageado seja conhecido pelos indivíduos dos outros grupos. Do contrário, se a pessoa pertence a um determinado grupo, não misture as peças aleatoriamente; para misturar as peças você precisa de um argumento lógico, para você mesma, primeiro porque, mais adiante ele será percebido pelos outros convidados. Bom senso, outra vez. Sendo o motivo, um evento de ordem política, acautele-se, e muito. Aqui, entra outros recursos que requerem arte e estilo.

Tem livros que ensinam como receber bem, o que pode e o que não pode em etiqueta. Não afirmamos que você deva apagar o que já leu, ou que precisa ler; o que aprendeu em sua formação familiar é importantíssimo, mas você precisa criar seu estilo, sua marca pessoal intransferível. Sua delicadeza, sua praticidade, sua elegante informalidade, qualquer que seja a denominação deste estilo. Conhecer os códigos da etiqueta é imprescindível, mas quebrá-las com criatividade, sem excessos, pode ser divertido, vez por outra.

Não quebrar os princípios básicos da boa educação em sociedade, não transformar sua festa em dia de Copa do Mundo ou Reunião de Pais, a menos que a ocasião seja a Copa do Mundo. A informalidade em excesso pode beirar a grosseria, a festa de inauguração do puxadinho. Seus convidados não se deram ao trabalho de cuidar da aparência, para uma hora especial e chegar ao evento e descobrir que bastariam ter saído de casa como estavam. Se não for festa do Pijama, cuide bem.

 

Sobe