Quando criança, esta
época do ano já tinha cheiro de São
Paulo, mais precisamente o cheiro da rua Matias Aires.
Casa da minha avó, onde tudo era diferente da minha
vida daqui. Se em Cuiabá só existia um edifício,
em São Paulo eram poucas casas e a da minha avó
tinha um cheiro que jamais esquecerei. Matias Aires. Esse
era o nome de um mundo novo, a casa da minha avó,
as férias esperadas e o Natal sonhado durante o
ano todo.
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Se essa rua fosse nossa
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Maria da Penha Vieira
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O Sul do Brasil
também premia seus habitantes com a beleza de suas
praças e ruas floridas. Não se sabe por qual motivo
o resto do Brasil dá tão pouca importância às flores
e não se pode ser tão simplista de culpar o clima
local, pois, para cada clima existem espécies adequadas.
Mais.
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Pois hoje, passado
alguns anos, que por vaidade não conto quantos, esse
nome me surpreendeu. De rua se transformou em um filósofo.
Conhecido por poucos, paulista nascido em 1705, mas que
viveu e produziu toda sua obra em Portugal, Matias Aires
se destacou pela originalidade de suas "Reflexões
sobre a vaidade dos homens", livro escrito em 1752
e dedicado a D. José I, Rei de Portugal após
a morte de D. João V.
No livro ele ajusta os nossos pensamentos e a nossa vaidade
às nossas ações e aos nossos sentimentos.
Dizia ele que: "todas as paixões dão
conosco passos iguais no caminho da vida: logo que vimos
ao mundo, começamos a ter ódio ou amor, tristeza
ou alegria: só a vaidade vem depois, mas dura sempre".
Matias concentrou toda sua meditação
na analogia da vaidade do homem em suas relações
sociais. Maquiavel, em "O príncipe", relaciona
a vaidade com a luta pelo poder político e o seu
exercício. A diferença entre eles era que
Matias via a virtude e ao mesmo tempo a desgraça
do ser vaidoso.
A virtude da vaidade
é que os que se envaidecem por serem leais acabam
se tornam obedientes, a vaidade de serem amados os transforma
em benignos, a vaidade da reputação os faz
virtuosos. Mas, esse sentimento que massageia o ego, também
conduz à ilusão, ao desejo de posse, à
falsa esperança de que tudo pode concretizar. O vaidoso,
que invariavelmente não se vê assim, quando
imagina que a ação do outro pode o ferir,
é tomado por sentimentos de revolta que despertam
nele conflitos, provoca cegueira e, fatalmente, o leva à
estupidez.
Para Matias Aires
a vaidade é a mais escondida das paixões.
O vaidoso mensura os valores proporcionalmente de acordo
com o grau de sua vaidade, como disse Matias: "a nossa
vaidade é a que julga tudo: dá estimação
ao favor e regula os quilates à ofensa; faz muito
do que é nada; dos acidentes faz substância
e sempre faz maior tudo que diz respeito a si".
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Breve:
Bolsa-Arrecadação
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O
descaso tem nome e as raízes desta
árvore no passeio público, na foto,
que destrói a entrada de uma das casas da rua
sem que seus moradores consigam que a árvore
seja podada pelo Órgão responsável
do Poder Público local é o Nome.
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Matias classifica
a vaidade segundo o tipo e diz que a mais vã e tola
das vaidades, vem daqueles que se julgam donos da verdade
"... porque no homem não há pensamento
que mais o agrade, do que aquele que o representa superior
aos demais..."..
Neste ano não
tenho mais o cheiro do Natal na casa da minha avó,
mas Matias Aires representa muito mais pra mim do que o
endereço do novo. Por coincidência ou predestinação
foi ele que, enquanto rua, representou a alegria, o sonho,
as aventuras, a infância. Como filósofo me
deu condições de compreender um pouco mais
das atitudes humanas, tantas vezes incompreendidas. O que,
de certa forma, continua a me dar alegria, pois a compreensão
minimiza a tristeza que a vaidade de outros provoca em nossos
corações.
Sobe
Adriana
Vandoni Curvo é professora de economia, consultora,
especialista em administração pública pela Fundação Getúlio
Vargas - Rio de Janeiro. E-mail: avandoni@uol.com.br