Quem viaja pelo Sul do Brasil,
pela Europa, Estados Unidos e mesmo na América Latina,
em alguns países como o Chile e principalmente seu interior
- Puerto Mont é um exemplo pela beleza das rosas centradas
em belos canteiros ao longo de sua principal rua - Argentina,
um deslumbramento de jardinagem na América Latina confere
o destaque pelo paisagismo das áreas públicas com o colorido
de flores. Em Puerto Mont, Chile, a multa para quem cortar
uma rosa do canteiro público é altíssima.
O Sul do Brasil também premia seus habitantes com a beleza
de suas praças e ruas floridas. Não se sabe por qual motivo
o resto do Brasil dá tão pouca importância às flores e não
se pode ser tão simplista de culpar o clima local, pois,
para cada clima existem espécies adequadas. O tratamento
paisagístico dado à jardinagem, em geral fica restrito a
espécies não floríferas. As folhagens são belas, contudo
a ausência do colorido das flores nega alegria, principalmente,
aos centros urbanos tão precisados do calor visual .das
flores que alivia as pressões sob as quais está submetida
sua população. O mesmo lamentável descuido ocorre nas pequenas
cidades do interior de quase todo Brasil.
Tanto o poder público municipal quanto as propriedades privadas,
com prédios empresariais, shoppings ( áreas externas ),
e construções residenciais nenhum valor dão à preferência
pelas espécies floríferas.
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A rua que virou filósofo
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Adriana Vandoni
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Quando
criança, esta época do ano já
tinha cheiro de São Paulo, mais precisamente
o cheiro da rua Matias Aires. Casa da minha avó,
onde tudo era diferente da minha vida daqui. Se em
Cuiabá só existia um edifício,
em São Paulo eram poucas casas e a da minha
avó tinha um cheiro que jamais esquecerei.
Matias Aires. Mais
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Observe-se o paisagismo
dos canteiros de edifício, cópia reprográfica um dos outros
deixando a impressão de que foi projeto da mesma empresa
ou do mesmo paisagista sem preguiçoso ou sem criatividade
O Brasil tem espécies
de flores que vão desde simples 'pés de mato", como a maria-sem-vergonha,
desvalorizadas pela facilidade com que se ofertam, à espécies
já reconhecidas como "plantas" ornamentais. Assim, não se
vê nenhum sentido, a não ser o do desleixo, que governo
local, casas, edifícios públicos e particulares e espaços
públicos não possam ser ornamentados por espécies floríferas.
Trepadeiras, um exemplo, são as espécies que mais resistem
ao ambiente poluído dos centros urbanos. São resistentes,
de grande beleza na época de floração e de baixo custo de
conservação.
Decorrência da falta
de educação do brasileiro sem distinção de classe social
ou intelectual, as poucas iniciativasdo cultivo de flores
em portas, calçadas e muros de domicílio familiar é a certeza
de que transeuntes e vizinhos irão destruir essas iniciativas.
Muito comum é ver
esses transeuntes e vizinhos arrancando galhinhos de mudas,
crianças depenando as flores sem objetivo algum a não ser
o objetivo de exercer a incivilidade na qual estão sendo
educados, ou foram educados. Não ocorre a essas pessoas,
simplesmente, tocar a campainha da casa e pedir uma muda.
Acreditam elas que isto não é desonesto e depois, essas
mesmas "éticas e preocupadas com o social" se tomam de ira
contra o despudor dos políticos que roubam os cofres públicos,
coisas iguais são feitas pelo mais honesto cidadão ao ver
uma viçosa plantinha em canteiro que elas consideram sem
dono se estiver em logradouro público. Em terreno particular,
não tem nada, ninguém viu ou não vai fazer falta. E até
existe o argumento de que planta roubada traz sorte.
Algumas poucas demonstrações
de interesse em florir espaços públicos são identificáveis,
como é o caso de uma pequena rua sem-saída na Zona Sul do
Rio de Janeiro. Daniel Leão, empresário, casado e pai de
dois filhos, apaixonado por jardinagem tomou a iniciativa
de fixar mudas de orquídeas em árvore da calçada de sua
residência. - Minha mãe cultivava orquídeas replantando
as que ganhava de presente nos troncos das árvores do sítio.
Foi com dela que herdei o gosto por jardinagem, em especial
por orquídeas. Daniel lembra que em outro bairro da Zona
Sul do Rio a iniciativa de florir os troncos de árvores
com replante de orquídeas já foi motivo de pauta na imprensa
local.
Daniel foi seguido
por mais três vizinhos. Ana Pessoa, professora de Inglês,
casada, mãe e avó, desde muito cultiva o hábito de replantar
mudas de orquídeas depois destas perderem as flores, em
tronco de árvore na parte interna da casa. Mais dois outros
vizinhos seguiram o exemplo.
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Breve:
Bolsa-Arrecadação
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O
descaso tem nome e as raízes desta
árvore no passeio público, na foto,
que destrói a entrada de uma das casas da rua
sem que seus moradores consigam que a árvore
seja podada pelo Órgão responsável
do Poder Público local é o Nome.
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Uma vizinha seguidora
do bom exemplo, lamenta a perda da "filha única" que havia
plantado no muro coberto de hera, mas que foi destruída
pela queda de uma árvore e nada pôde fazer para salvar o
único exemplar. Ela lamenta, também, que por tantos anos
tenha jogado fora vasos de orquídeas acreditando que não
floresceriam se fossem replantadas. Por desconhecimento,
sempre acreditou que essas orquídeas de lojas de flores
só floresceriam com os cuidados dados nos orquidários. -
Já joguei fora uma corbeille inteirinha só de orquídeas
que ganhei do meu marido, só por desconhecimento. Lamenta.
Foi comum a todos
o receio de que as orquídeas florescidas fossem arrancadas.
Somente após a iniciativa de Daniel Leão, Ana Pessoa resolveu
arriscar e plantou orquídeas no tronco da árvore da calçada.
Daniel Leão passou pelo dissabor de ter uma orquídea extraída
por um passante. Indignou-se com os vigias da rua, pois,
eles estavam lá para zelar pelos cuidados com a rua e deveriam
estar atentos. Único objetivo, tendo em vista ser uma rua
sem-saída e muito pequena. Perguntando sobre os motivos
que faziam com o paisagismo da cidade contemplassem apenas
folhagem, Daniel responde que, não apenas, a falta de educação
e incivilidade da população é um entrave, mas o custo alto
de manutenção de jardins públicos não são possíveis para
o poder municipal.
Tanto a Europa e
os países aqui citados como exemplos, que exibem belos jardins
no verão e na primavera, ao final das estações, trocam as
espécies por outras adequadas à estação do outono e inverno.
- Isto significa custo para o poder público. A mesmice dos
jardins dos edifícios da orla do Rio de Janeiro apresentam
outro problema além da falta de criatividade: o ar salitrado
e os ventos que vêm do mar, esclarece. Contudo, Daniel concorda
que as espécies de trepadeiras floríferas, de grande resistência,
poderiam ser melhor aproveitadas na jardinagem dos logradouros
públicos a depender das condições locais bem como maior
valorização das flores na jardinagem urbana.
Na mesma rua, um
outro exemplo de cuidados foi motivado na época natalina.
Uma vizinha que cultiva o Feng Shui estendeu um tapete vermelho
à entrada de sua residência. Ano seguinte, mais dois vizinhos
seguiram-na na decoração das entradas de suas residências
para saudar as Boas-Festas. Bem oportuno seria lembrar que
as fileiras de luzes natalinas não precisam ser extintas
após as Festas de Final de Ano. Elas podem ser mantidas,
para serem acessas em ocasiões especiais e para saudar visitas,
mesmo que sejam visitas de amigos íntimos.
Se dois ou mais
moradores tomassem iniciativas para o embelezamento de sua
rua, no que se refere à jardinagem local, decoração natalina
e outras iniciativas ao alcance de todos os moradores, com
certeza seriam seguidos por outros até tornar-se um saudável
hábito dos quais todos participariam e cuidariam. Ao ver
um transeunte ou vizinho depredar o patrimônio local qualquer
deles reagiria, pois, lhe custou o investimento do esforço
pessoal e a adesão individual.