Crianças após a
segunda infância, a melhor maneira de resolver o problema
do desamparo ainda é mantê-las em colégios internos às expensas
do Estado. Sugere-se que seja exterminado o abominável vocábulo
"abrigos" e denomine-se apenas escolas. Que seja oficial
e legal o sistema de pais afetivos, com saídas nos fins
de semanas, feriados, aniversários, datas especiais e período
de férias. Se no decorrer do tempo laços fortes de afetividade
forem fortalecidos, então que não exista nenhuma burocracia
para concretizar a filiação.
Uma outra vantagem,
os pais afetivos ficariam atentos para o cumprimento das
leis que regem à proteção das crianças e adolescentes
dentro dos referidos colégios, servindo como protetores
naturais não apenas da criança delas, mas, de todas as
outras.
Para quem relacionar
a sugestão com colégio interno, está certíssimo. Funcionaria
da mesma forma que os "antigos" internatos e sobre os
quais dou meu testemunho sem nenhuma das falácias dos
"traumas". As pessoas que viveram a experiência dos antigos
colégios internos e usam esse argumento, é por que ainda
não se deram conta do verdadeiro motivo de seus "traumas".
J. M, advogada,
durante muitos anos trabalhou na Fundação Estadual de
Educação do Menor FEEM e hoje Fundação para
Infância e Adolescência FIA, não vê alternativa
para o problema dos menores abandonados, senão a manutenção
dos mesmos em instituições reaparelhadas e com o sistema
de Padrinhos.
'Essas
crianças precisam de autoridade, precisam aprender sobre
os benefícios do ser humano viver com disciplina e não
vai ser com sentimento de comiseração que eles irão
compreender que se está fazendo algo para o bem deles.
Eles tem nenhuma noção do que seja viver com a segurança
do afeto. Tentar dar-lhes um teto e proteção é compreendido
como aprisioná-los. Vai ser assim que essas crianças
e jovens irão viver a idéia de ter um lar, ser "mandado".
Eles têm conceito formado a respeito de "casa" mas,
nunca de lar. Claro que será um trabalho árduo, porém,
possível, mas, a muito longo prazo'.
Nos dias que correm,
com as facilidades de comunicação por telefones móveis,
internet, o contato do dia-a-dia estaria resolvido e de
forma bem diferente dos internatos de outrora, levando-se
em conta o projeto do governo Lula, que é a inclusão digital.
Os CIEPS idealizados por Darcy Ribeiro nada mais propunham
do que a adoção de escolas no regime de semi-internato
no tradicional modelo. Por que não, os três regimes compreendidos
em externato (correspondente ao período normal de carga
horária de aula ) semi-internato e internato. A conjugação
dos três regimes horários em muito colaboraria para que
os internos não se sentissem, psicologicamente, enclausurados
e distanciados da realidade de cada momento de cada dia.
Ou seja, os interno convivendo com os externos e semi-internos
comunicação com o "mundo de fora".
O beijo de boa-noite
poderá vir pelo celular ou por mensagem via internet.
Com certeza, não estamos falando do que seria o ideal,
porém, do que seria possível e passível de menor dano
do que o reforço da sensação de abandono e/ou rejeição.
O beijo tecnológico já é uma realidade crescente grande
número de lares, quando os pais, impossibilitados de estarem
presentes à hora de dormir dos filhos. Com certeza, não
estamos falando do que seria o ideal, mas, do que seria
possível e passível de menor dano do que o reforço da
sensação de abandono.
Somente dessa maneira,
os profissionais, geralmente religiosos, deveriam receber
rigorosa preparação para lidar com estas crianças.