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      A roda reinventada

 

      Maria da Penha Vieira
      28, Setembro/2004

 

 

 

Conheça o Projeto Original

 

 

Crianças após a segunda infância, a melhor maneira de resolver o problema do desamparo ainda é mantê-las em colégios internos às expensas do Estado. Sugere-se que seja exterminado o abominável vocábulo "abrigos" e denomine-se apenas escolas. Que seja oficial e legal o sistema de pais afetivos, com saídas nos fins de semanas, feriados, aniversários, datas especiais e período de férias. Se no decorrer do tempo laços fortes de afetividade forem fortalecidos, então que não exista nenhuma burocracia para concretizar a filiação.

Uma outra vantagem, os pais afetivos ficariam atentos para o cumprimento das leis que regem à proteção das crianças e adolescentes dentro dos referidos colégios, servindo como protetores naturais não apenas da criança delas, mas, de todas as outras.

Para quem relacionar a sugestão com colégio interno, está certíssimo. Funcionaria da mesma forma que os "antigos" internatos e sobre os quais dou meu testemunho sem nenhuma das falácias dos "traumas". As pessoas que viveram a experiência dos antigos colégios internos e usam esse argumento, é por que ainda não se deram conta do verdadeiro motivo de seus "traumas".

J. M, advogada, durante muitos anos trabalhou na Fundação Estadual de Educação do Menor — FEEM e hoje Fundação para Infância e Adolescência — FIA, não vê alternativa para o problema dos menores abandonados, senão a manutenção dos mesmos em instituições reaparelhadas e com o sistema de Padrinhos.

'Essas crianças precisam de autoridade, precisam aprender sobre os benefícios do ser humano viver com disciplina e não vai ser com sentimento de comiseração que eles irão compreender que se está fazendo algo para o bem deles. Eles tem nenhuma noção do que seja viver com a segurança do afeto. Tentar dar-lhes um teto e proteção é compreendido como aprisioná-los. Vai ser assim que essas crianças e jovens irão viver a idéia de ter um lar, ser "mandado". Eles têm conceito formado a respeito de "casa" mas, nunca de lar. Claro que será um trabalho árduo, porém, possível, mas, a muito longo prazo'.

Nos dias que correm, com as facilidades de comunicação por telefones móveis, internet, o contato do dia-a-dia estaria resolvido e de forma bem diferente dos internatos de outrora, levando-se em conta o projeto do governo Lula, que é a inclusão digital. Os CIEPS idealizados por Darcy Ribeiro nada mais propunham do que a adoção de escolas no regime de semi-internato no tradicional modelo. Por que não, os três regimes compreendidos em externato (correspondente ao período normal de carga horária de aula ) semi-internato e internato. A conjugação dos três regimes horários em muito colaboraria para que os internos não se sentissem, psicologicamente, enclausurados e distanciados da realidade de cada momento de cada dia. Ou seja, os interno convivendo com os externos e semi-internos comunicação com o "mundo de fora".

O beijo de boa-noite poderá vir pelo celular ou por mensagem via internet. Com certeza, não estamos falando do que seria o ideal, porém, do que seria possível e passível de menor dano do que o reforço da sensação de abandono e/ou rejeição. O beijo tecnológico já é uma realidade crescente grande número de lares, quando os pais, impossibilitados de estarem presentes à hora de dormir dos filhos. Com certeza, não estamos falando do que seria o ideal, mas, do que seria possível e passível de menor dano do que o reforço da sensação de abandono.

Somente dessa maneira, os profissionais, geralmente religiosos, deveriam receber rigorosa preparação para lidar com estas crianças.

 

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