Na idéia do Projeto
1756, de remunerar o guardador de crianças abandonadas,
pessoa física, precipita-se a formação de um verdadeiro
comércio de guarda-crianças-abandonadas mudando o conceito
de maternidade. Isso sem se levar em conta, quando se falar
em crianças e adolescentes deficientes. Até se pode pensar
que este projeto de lei á coisa muito mais antiga do que
possamos imaginar. O número de ONGs voltadas para a adoção
é farto tanto quanto fartas são as intenções de abrir novos
mercados para todo tipo de consultoria e prestação de serviços.
Basta ver as ONGs
preocupadas com cursos para quem deseja ter filhos. Ora,
desde quando a maternidade precisa de aulas? Desde quando
o amor pode ser retransmitido? Maternidade é vocação nata,
é para quem sabe receber e dar amor com afeto. Ninguém ensina
como acarinhar, como abraçar, como fazer o toque de pele
em um filho. Ninguém ensina como uma mãe ou um pai deve
ouvir seus filhos. O olhar, a expressão do rosto, ninguém
ensina e ninguém aprende se não tem o que oferecer. É desse
conjunto de emoções e sentimentos que o afeto se faz.
Quando o Projeto
contempla, para usar termo em voga, um advogado para defender
o filho não-biológico no processo que precede à paternidade
e maternidade, o que se está criando? Alguém imagina que
uma mulher, ao engravidar, irá procurar um advogado para
defender os direitos do seu filho contra ela? Imaginem a
situação. Esse assunto é considerado um dos pontos polêmicos
criados pela Comissão que analisa e aperfeiçoa
o Projeto. A miçanga que segue:
-
Não define a obrigatoriedade da presença de um advogado
representando os interesses da criança no processo de
adoção;
Para ler outras miçangas que têm sido consideradas
polêmicas, clique para abrir
janela.
Um imenso leque
de possibilidades profissionais estão se abrindo. Uma legião
de consultores de toda e qualquer natureza. Colônia de férias
e estabelecimentos de ensino especializados em filhos não-biológicos,
confecções especiais para enxovais de bebês não-biológicos
e por que não, babás também especializadas. Não faltaram
nem casas de festas onde profissionais competentes e bem
treinados oferecerão temas sugestivos como "O pai e a mãe
que não tinham uma banda do coração e saíram para procurar
a outra banda". Considere-se, também, os lucrativos eventos
de Fóruns Nacional e Internacional de pais e filhos não-biológicos,
fuzarcas bancadas pelo Erário.
Surgirão escritores
premiadíssimos que só escrevem para crianças filhos não-biológicos
de forma psicológica, pedagógica, os politicamente corretos.
Com o tal argumento: eu sou especial porque sou Filho do
Coração.
O Estado estimulando:
tenha um filho não-biológico e leve enxoval completo. Indicamos
consultores para todas as áreas.
Esses absurdos começam
em tom suave e cor-de-rosa, falando manso ao propagar as
fantásticas boas-intenções.