O regime de internato,
alegavam e alegam muitos, que a criança fica privada do
convívio familiar. Em tempos atrás, poderia ser uma verdade,
para algumas famílias. Nos dias de hoje é um argumento
totalmente discutível. Pais e mães que passam o dia inteiro
fora de casa e, à noite chegam exaustos e estressados
não têm como oferecer muito às suas crianças e isso é
uma verdade.
Mães e pais divorciados,
vivendo sozinhos precisam sair à noite, ir a jantares, encontros
de namorados e seus filhos ficam em casa com empregada,
quando não sozinhos mesmo. Então, onde está esse convívio
tão alardeado?
Nas famílias
biológicas, mesmo o filho ou filhos ainda na primeira
infância são apenas cuidados. Esses cuidados
podem significar apenas dizer que recebem alimentação,
higiene cuidados com saúde. É o que se presume.
Mas como garantir, se com as mães trabalhando fora
em expediente integral, que a empregada esteja tendo os
mínimos cuidados?
Não por acaso
a procura por creches cresce e se esses estabelecimentos
não representassem custo tão alto no orçamento
familiar, o número de creches já estaria muito
mais alto. Nas camadas mais pobres ( não significa
mais necessitada ou carente ) as mães há muito
tempo têm seus filhos guardados por lá enquanto
elas trabalham.
A contribuição
que uma boa creche, com pessoal especializado, pode oferecer
ao desenvolvimento das crianças é imenso e
isso é inegável mas não o suficiente.
Lá, crianças passam o dia inteiro recebendo
muito mais cuidados do que estivessem em casa mesmo aos
cuidados das mães. Ao menos da maioria das mães
como se vê por estes tempos.
À noite,
ao chegar em casa as crianças quase que vão
direto para o berço, e, é nesse único
momento que muitas mães tocam seus filhos ainda bebês
ao trocar-lhes a roupa, mas sem consciência de que
esse momento representa uma grande oportunidade de fazer
seu bebê sentir a comunicação do afeto,
diretamente na pele.
Apenas para reiterar
o já dito anteriormente, os casais divorciados oferecem
menos ainda e, muito menos, os casais em segundo e terceiro
casamentos que vão deixando o rastro de filhos com
carências afetivas.
O conceito de abandono
precisa ser revisto pois a única forma de entender
o não-abandono é a completude afetiva, onde
o tocar, o abraçar o beijar e o acarinhar, o conversar
com os olhos representa o futuro equilíbrio emocional.
Pais que sabem fazer, fazem institivamente. Pais que não
sabem não tem como aprender em cursos ou workshops.
Tanto para fechar
o balangandã-projeto quanto para fechar esta matéria, nada
como mais essa miçanga pedagógica, de plástico.
Quem pode adotar
- A inscrição de pretendentes será precedida por um período
de preparação pedagógica e emocional.