O jornal
The New York Times enviou o repórter Richard Dowden para
levantar a história de Safiya, para saber a razão
de tanto barulho promovido pelos movimentos de Direitos Humanos
e dos Direitos da Mulher.
Dowden
foi para a Nigéria, onde mora Safiya Hussaini.
A Nigéria
é um país africano, de maioria islâmica, que
há 40 anos conseguiu sua independência da Grã
Bretanha.
Encontrou
a condenada no norte daquele país em Tungar Tudu, uma vila
a 32 quilômetros de Sokoto. Safiya só fala no idioma
"hausa", a língua local. É uma mulher
paupérrima, vive com as 3 filhas e com o pai cego, diz
ter 35 anos, pele e dentes marrons, quebrados, olhar envelhecido
e foi condenada à morte por adultério (crime punido
com a morte, segundo a "sharia").
A "sharia"
é um conjunto de normas religiosas rígidas que foi
adotada há pouco tempo pelo norte da Nigéria.
Safiya
Hussaini, analfabeta, contou através de um interprete que
se casou e teve 2 filhas; divorciou-se, pois seu marido não
conseguia mais sustentá-la. Retornou para a casa do pai
com as crianças.
Mais
ou menos 1 ano depois, Yakubu Abubakar, um homem de 60 anos, seu
vizinho, começou a mostrar interesse por ela. Disse que
ele usou "encantos e feitiços" mas ela não
cedeu. Um dia, estando em meio a arbustos, ele a violentou. Isso
aconteceu 4 vezes. Sufiyatu conta essa história e jura
por Deus que foi exatamente assim que tudo aconteceu. De repente
viu-se grávida.
Quando
a gravidez começou a se revelar a polícia apareceu
e a levou para interrogatório. Safiya não acusou
Abubakar de violência sexual, pois seu pai conversou com
ele e sugeriu que ele cuidasse da criança e casasse com
ela. Ele concordou. Nesse meio tempo a "sharia" foi
implantada.
Abubakar
foi interrogado pela corte no último mês de junho
e, com medo das conseqüências, negou ser o pai da criança.
Para
a "sharia" o sexo praticado fora do casamento, mesmo
entre solteiros, é punido com 100 chibatadas em cada um
dos transgressores e em público para dar exemplo.
A implantação
da "sharia" trouxe a público diversas punições.
Em julho,
um homem em Sokoto teve a mão direita amputada por ter
roubado uma cabra. A amputação foi realizada sob
anestesia por um cirurgião qualificado. O governo deu ao
amputado 50.000 "naira" (moeda local) para começar
"vida nova".
No estado
de Katsina, um homem que cegou outro num assalto, foi sentenciado
a ter seu olho direito removido como punição (olho
por olho, dente por dente).
O adultério
é punido com a morte e a gravidez de Safiya a prova do
adultério. Ela só não foi executada antes
porque é necessário esperar o desmame da criança.
Como Adama, sua filha, está com 13 meses, foi marcada sua
execução.
Há
grande expectativa por parte da população que está
entusiasmada com a nova lei, pois a polícia, antes da "sharia"
era vista como ineficaz e corrupta. A execução de
Safiya é a primeira desse tipo.
Os cidadãos
da Nigéria do norte, são em sua maioria camponeses
analfabetos e tendem a acreditar no que é dito pela elite
governante. Safiya e seu pai, por exemplo, concordam que o apedrejamento
é a punição correta para o adultério.
Ela só se diz injustiçada, pois nunca pensou que
haveria tal punição em seu caso. Na sua visão,
foi vítima de estupro.
Seus
advogados, que estão sendo pagos por Baobab, um grupo de
sustentação das mulheres nacionais financiado pelas
fundações Ford e MacArthur, começaram a montar
uma defesa diferente. Estão reivindicando que Adama não
é filha de Abubakar, mas é de fato filha do marido
anterior de Safiya.
Quando
pediram uma explicação para a mudança em
sua história, um dos advogados alegou que a declaração
anterior havia sido prestada sob pressão e sem representação
legal e que ela não tinha compreendido a natureza das perguntas.
Entre
a separação do marido e o nascimento da criança,
se passou mais de um ano. Seus advogados estão entrando
por uma brecha da lei islâmica que, apesar da impossibilidade
biológica, considera possível uma mulher engravidar
e a criança nascer até 7 anos depois.
O caso
tem suscitado indignação e críticas por parte
de organizações de defesa dos direitos humanos locais
e internacionais que estão reivindicando o perdão
ao presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo.
Safiya
teve seu apedrejamento adiado do dia 18 para o dia 25 de março.
Ainda
há tempo para quem quiser se juntar ao site Domínio
Feminino e interceder pela vida de Safiya, passando um fax ou
enviando um e-mail para o endereço abaixo:
EMBAIXADA DA NIGÉRIA EM BRASÍLIA
– Brasil
Av. das Nações Lote
05 – Brsília DF – Brasil Cep: 70459-900
Fone: (0**61) 2261717/1870/5616 –
Fax: (061) 322-1823
E-mails:
nigemb@persocom.com.br
ou nigéria@persocom.com.br
Agradecimentos: à Ana
Beatriz Lombardi Villor, pela colaboração espontânea
e solidária.
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