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solidão é como uma ressaca do mar, trazendo ou nos dando uma dimensão de todos
os nossos atos e pensamentos, ela nos mostra todo um histórico e estilo de vida,
sendo na maioria das vezes uma prova indesejada da nossa falta de responsabilidade
pelo ente humano, é ainda o produto de tudo aquilo que sempre tentamos fugir,o
desespero. Sua
imperativa presença não dá espaço para fugas ou escapismos como quando estamos
absortos em algo, mas revela cruelmente nossos mais remotos hábitos, medos, temores
e anseios, sendo que este último é uma tentativa desesperada da mente para se
proteger dos primeiros, pois o desejo na solidão tem a função vital de proteção
da saúde psíquica, pois caso contrário, nosso inconsciente é literalmente invadido
pelas mais temidas idéias destrutivas e persecutórias. O verdadeiro
pânico é o sentimento não apenas de estar só, mas a sensação terrificante de desamparo
pessoal e social, principalmente dentro de um contexto que apregoa a equação:“solitário
é igual a fracassado”. O impacto desse lema nas pessoas é extremamente avassalador,
querendo todos fugir desse estigma ou cicatriz de inépcia social, produzindo maiores
danos ainda, como a baixa qualidade das escolhas ou extrema ansiedade. Obviamente,
podemos deduzir que a procura por relações de certa forma é um alívio ou fuga
daquilo que realmente somos ou tememos em nós mesmos, sendo a ansiedade uma vacina
eficaz e preferível ao profundo autoconhecimento. As
razões dessa conduta são mais do que históricas, pois séculos de cristianismo,
forçaram a todos a ocultar partes indesejáveis e ameaçadoras da personalidade,
imputando apenas aos desajustados e psicopatas os elementos destrutivos do ser
humano. O ponto central desse presente estudo é o fato da solidão revelar até
que ponto verdadeiramente desejamos a troca e contato humano, nesse caso a solidão
passa a ser um estímulo e até um objeto de reflexão apurada para uma futura busca,
selecionando melhor as escolhas, dando inclusive uma dimensão do que realmente
gostamos ou daquilo que profundamente sentimos saudades. Diria que esse seria
o lado positivo da solidão, uma dissecação de nosso estilo de vida como descrito
anteriormente, pesando-se todas as vantagens e desvantagens de nossa conduta,
neste caso a solidão seria um intervalo para que pudéssemos reavaliar nossas experiências
de vida, e o que realmente estamos buscando, e a maneira pela qual estamos fazendo
isso. É fundamental
sentirmos essa solidão para que possamos refletir e ajustar padrões viciados de
conduta e comportamento. Fugir da solidão constantemente significa abafar essa
oportunidade de crescimento interior. Infelizmente isso ocorre devido à insegurança,
e temor de que a solidão se torne uma constante na vida da pessoa, achando que
não terá forças para sair desse quadro devido a um forte complexo de inferioridade
pessoal. A solidão está intrinsecamente relacionada com o passado, pois todo ser
humano em estado de solidão pensa no mesmo, seja em termos de arrependimento,
prazer pretérito perdido, mágoa, raiva, ódio, angústia, saudades, etc. Mas é justamente
nesse ponto que reside um fator central, pois o temor à solidão passa a ser o
medo da memória, de nossa história pessoal, da avaliação ou prova sobre o grau
de prazer e felicidade do eu. No
próprio processo de terapia temos um exemplo vivo do medo à solidão, Freud chamou
de “resistência”, quando um determinado paciente não conseguia se libertar de
um determinado conteúdo neurótico, apelando ou para o silêncio na hora terapêutica,
ou até mesmo para a sedução do analista com o propósito de anular sua atuação.
Alfred Adler
foi o primeiro a perceber que a resistência tinha um fundo de solidão, sendo que
o intuito do paciente era criar um “combate” com o analista para desmoraliza-lo,
dado o ódio do paciente por estar em análise, sendo que isso na cabeça do mesmo
era uma prova de seu fracasso em desenvolver o que ele chamava de “sentimento
de comunidade”, relações sociais que visassem a cooperação e solidariedade entre
as pessoas, assim sendo a resistência era contra o sentimento de se envolver e
se doar para algo ou alguém. Sem sombra de dúvida este foi o século onde o ser
humano mais se sentiu solitário e desamparado, seja por problemas relacionados
à estrutura político-social-econômica ou por neuroses pessoais. O fato é que
solidão também está relacionada à questão do poder em nossa era, pois toda estrutura
de poder teme uma maior troca e aproximação das pessoas, devendo imputar na cabeça
do indivíduo que sua solidão não é fruto de um sistema, mas tão somente de sua
incompetência pessoal. Deveríamos refletir bastante sobre isso, para que possamos
isolar as verdadeiras causas do problema. Apostar sempre no privado e individual
é acelerar o mecanismo da solidão, não que se esteja pregando a anulação pessoal,
pelo contrário, estar integrado consigo mesmo é lutar para que o outro também
realize seu potencial, porém em nossos tempos apenas assistimos a devoção ao estritamente
pessoal. A
verdade é que estamos absolutamente indolentes e apreensivos para buscarmos novas
relações, volto a insistir no medo da memória, pois esta encerra o temor ou uma
negativa ao novo, dizendo-nos constantemente que se nos arriscarmos novamente,
todo o sofrimento que vivemos no passado poderá se repetir.Freud chamava esse
mecanismo psíquico de “compulsão à repetição”, uma tentativa neurótica de reviver
constantemente um trauma, até que a pessoa se torna cônscia do processo que havia
direcionado principalmente seus afetos. Adler
achava que tal mecanismo se devia ao fato da pessoa insistir sempre em ser amparada
pelo seu meio, pois o sofrimento seria uma espécie de escudo para nunca se atingir
a independência, forçando um cuidado e atenção especial para a pessoa acometida
pela neurose, o que ele chamava de “pessoa mimada”, o protótipo de ser humano
incapaz de troca, mas tão somente direcionado para os benefícios que possa obter
através de seu distúrbio. A solidão no psiquismo humano é sentida como um processo
doloroso de exclusão na obtenção ou participação de experiências afetivas de troca
ou prazer, é sentir que todos os demais tem um direito que nos é negado. Segundo
a teoria psicanalítica, a fantasia que a criança desenvolve acerca da sexualidade
dos pais, é que “há uma espécie de festa na qual ela está excluída”, sendo este
exatamente o sentimento do solitário acerca de sua real condição humana, sua crença
na incapacidade de obter semelhante satisfação. Adler acreditava que a criança
percebia tal acontecimento não como um prazer de natureza sexual negado, mas principalmente
o ódio da mesma em relação à pessoa que detinha o poder sobre sua inclusão ou
exclusão de determinados eventos, ou seja, uma luta contra a suposta tirania e
dominação dos pais, traçando um paralelo entre a luta de classes no modelo econômico
que vivemos.  |
Outro ponto
muito interessante acerca da psicologia do solitário, observado em terapia é o
de que determinado indivíduo parece ter criado historicamente todo um “projeto”
voltado à solidão. Citarei a seguir alguns elementos que contribuem para tal finalidade,
embora muitos deles sejam preconceitos ditados pela sociedade, mas que acabam
sendo incorporados pela pessoa, visando evitar uma experiência de aproximação,
alguns exemplos: neuroses em geral, onde a pessoa acaba por ficar debilitada,
dificultando uma real experiência de prazer com o outro, sendo que a relação se
torna de extrema dependência, por exemplo, a síndrome do pânico, onde o medo e
pavor forçam uma atuação excessiva e desgastante sobre o indivíduo, e o mesmo
é incapaz de prosseguir suas tarefas profissionais ou sociais, o mais interessante
é que determinadas crises de pânico sempre ocorrem quando o sujeito se encontra
numa situação social ou simplesmente saiu de casa, revelando que o único ambiente
seguro é seu lar, rejeitando por completo a aproximação com outras pessoas. Ainda
sobre idéias aterradoras, lembro-me de um paciente que tinha verdadeira fobia
de estar contaminado com o vírus HIV, e embora os exames nada revelassem, ficou
claro seu intuito de afastar-se das pessoas, principalmente no tocante ao planejamento
familiar, pois pensava que como era portador, jamais poderia ter filhos, ou constituir
uma relação. Ele inclusive havia fixado um prazo de dez anos para ter novamente
relações sexuais, pois em sua mente era o tempo que escutara para ver se o vírus
se manifestava ou não. Outro exemplo
desse projeto da solidão são de pessoas que moram sozinhas, que não conseguem
organizar as tarefas rotineiras, faltando muitas vezes os cuidados elementares
do lar, fica patente uma tentativa de afastar qualquer possibilidade de alguém
compartilhar sua habitação, a primeira vista parece algo banal, mas observando
com mais minúcia, vemos que a pessoa simplesmente não consegue efetuar o básico,
carregando inclusive uma carga de ódio contra esse tipo de tarefa, que simboliza
dar as boas vindas para quem deseja adentrar seu lar. Alcoolismo
e drogas em geral são mais do que óbvios nesse projeto, entrando ainda masturbação
excessiva como dizia o próprio Adler, pois tenta fazer sozinho aquilo que deveria
ser compartilhado; ainda a obesidade como fator de rejeição dentre outros. Volto
a alertar que esses conteúdos citados carregam forte conotação preconceituosa,
devendo ser avaliados sob a luz do problema da pessoa em si, jamais devemos generaliza-los.
Espero que este estudo tenha proporcionado uma reflexão ou um breve alívio, para
um problema de tamanha magnitude tão pouco estudado pelas ciências sociais.
( Solidão - Um paralelo entre as teorias de Freud e Adler )
| Quem
é Dr. ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO, psicólogo(
C.R.P: 31341-5) End.: Rua Eng. Andrade júnior, 156, Belém SP-SP Cep03061-040 Tel:66921958
e-mail:acaa@ig.com.br Experiência profissional: Psicólogo clínico .Atendimento:
crianças, adolescentes, adultos, casais, orientação vocacional, psicodiagnostico.
Convênios:
Economus (caixa econômica estadual), unibanco, sindicato dos corretores de imóveis,
sindicato das secretárias do estado de são Paulo, sindicato dos trabalhadores
em informática do estado de são Paulo, simpeem (professores municipais), apeoesp
(professores estaduais), trabalhadores dos correios do estado de são Paulo. PALESTRAS:
(entre outras). BANCO DO BRASIL - 1999. Assunto: relações de poder nas instituições.
Faculdade de sociologia e política do estado de são Paulo. Assunto: psicologia
social e professor universitário da referida carreira. Formação: FACULDADES METROPOLITANAS
UNIDAS Ano de formação: 1989. Cursos em desenvolvimento: ADLERIAN’S INSTITUTE
OF PSYCHOLOGY ( San Francisco – EUA ) SÃO PAULO, 16 de maio de 2000. Alto
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