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A diferença
que não fizemos
mas que podemos fazer
Suzana
Bertioga
Equipe Domínio Feminino
03, Outubro/2002
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Nessas
eleições, uma mulher candidata à Vice-Presidência
da República, parece que não nos está dizendo
nada. Mas deve dizer, sim. Essa é a nossa oportunidade
para o grande aprendizado, para a efetivação da
mulher a caminho de, não muito distante, mostrar que pode
fazer a diferença, sem desperdiçar as oportunidades.
Alguém disse uma frase muito séria e boa para pensar : não basta
ser mulher. Não, não basta ser mulher para aventurar-se e guiar
destinos por caminhos desconhecidos. Governar o lar e a casa, conduzir
a educação dos filhos e formar parceria com o marido.
Administrar sua própria empresa. Essas vivências
podem somar muito, principalmente, quando associadas ao nosso potencial
intuitivo, funcionam como um bom handcap. Contudo não é suficiente.
Precisa-se de vivência na militância política, na vida partidária,
antes de tudo. Começar por "baixo" na vereança e ir, aos poucos,
ascendendo através da ocupação dos cargos superiores, ainda que
se pense que profundos conhecimentos acadêmicos, por si só, sejam
suficientes, contudo, nunca poderão ser descartados.
Isto
aconteceu com algumas das nossas representantes mais destacadas.
Visitei os sites dos gabinetes das nossas Senadoras. O que lá está
demonstrado corrobora minha preocupação no sentido de ver que a
mulher não acrescentou, ou não efetivou seu destaque. O que se pode
ver é que, nada há de novo. Uma pena de desperdício de oportunidades
lentas e poucas, sim, mas poderiam constituir-se em mudanças
qualitativas.
Rezando
pela Transparência
Estou
falando de detalhes que é do que somos feitas. Objetivamente, uma
coisa que nunca é divulgado é o número de funcionários lotados nos
gabinetes tanto em Brasília ( para quem fica em Brasília ) como
em seus estados e cidades.
Quantos
funcionários lotam gabinete de senador? Fala-se em 75 cabeças, por
gabinete, no caso daquelas raposas mais felpudas, pode-se pensar
em 75 cabeças por metro quadrado, como já ficou comprovado
durante o governo Collor.
Façam
uma visitinha ao Senado para conferir os gabinetes dos senadores.
Lá, temos apenas 04 representantes mulheres:
1 - EMILIA FERNANDES - PT-RS
2 - HELOISA HELENA - PT - AL
3 - MARIA DO CARMO ALVES - PFL-SERGIPE
4 - MARINA SILVA - PT-ACRE
Dessas
quatro, uma única
já que em nenhum
dos gabinetes dos senadores encontramos o mesmo dado que
disponibiliza o número de pessoas ligadas, oficialmente ao gabinete.
A Senadora Marina Silva, representando o MST do Partido dos Trabalhadores,
representante do Estado do Acre em seu gabinete virtual dá números
para sua equipe que ao todo somamos 23 funcionários, oficialmente.
Ela
cita em corpo de letra minúsculo, que conta com `mais de 100
Colaboradores de diversos setores ligados a área de desenvolvimento
sustentável. Principais áreas do conhecimento: Biologia, Antropologia,
Engenharia Genética, Sociologia, Desenvolvimento Regional, Tributação,
Economia, Propriedade Intelectual, Geoprocessamento, Estatística,
Direito, Geofísica, Engenharia Civil, Florestal, Mecânica, Arquitetura
e Hidrologia'. Esse colaboradores, imagina o visitante, devem
ser não-remunerados.
Importante
acrescentar que o Senado, tanto quanto a Câmara têm à disposição
de todos seus congressistas, competente quadro de assessores para
toda e qualquer área. Aliás, o concurso para Assessor das duas Casas
é rigoroso. Por isso acontece de haver duplicidade funcional e muito
esbanjamento de dinheiro dos Cofres da União.
Os
senadores, bem como os deputados, podem perfeitamente solicitar
ao Senado e à Câmara, um trabalho de assessoria na
área de tributação, por exemplo, ao invés de contratar um advogado
tributarista, exclusivamente para o gabinete, onerando os gastos
da União e o sufoco do contribuinte. O seu e o meu sufoco. Depois
nenhum dos candidatos à Presidência sabe dizer para
onde vai nosso dinheiro, nem como se faz tanto défict público.
Imaginem isto para todos os cargos políticos no País
inteiro? De Vereador a Senador ? Quais destes têm moral para
recriminar e repelir tanto abuso? Faça as contas quem tiver
dados e coragem.
"Boi de piranha"
Mulheres
na política, a exceção acontece no PT e não há do que se
admirar tendo em vista que desde os primórdios do Movimento da Igreja
Católica, o projeto tenha sido pensado para usar as mulheres como
"boi de piranha" para que elas trouxessem seus homens
aos grupos de conscientização da cidadania. Nos movimentos do MST,
braço de luta no interior e no extremo exterior, até bem
pouco tempo, as mulheres e crianças vinham à frente, até para proteger
os homens.
As
Eclesiais de Base trabalhando as Pastorais, a mais ativa sendo a
Pastoral da Terra. Nessas comunidades pré-PT, as mulheres iam na
frente para as reuniões. Fizeram um trabalho gigantesco no
convencimento de seus maridos. Os homens reagem à religião
mais do que as mulheres e foi por aí que a Igreja pensou. Depois
de tudo organizado, precisava-se dar uma doutrinação ao Movimento.
O
PT, o braço político doutrinário, ganhou de
presente a resistente militância partidária que age e reage visceralmente,
até hoje. Não é nenhum exagero ou especulação
dizer que a resistência militante do PT é composta
de mulheres até hoje. Portanto,
é incompreensível que não tenha o PT apresentado
uma mulher como Vice-Presidente. O PT perdeu esse bonde e nós
estamos cobrando.
Desfazendo
o Mito
A
"valorização" da mulher não foi definida pelo PT em si
e sim pelo trabalho da Igreja Católica, mas, apenas como ferramenta.
Estranho é que até hoje, o poder do PT não esteja nas mãos das mulheres.
Continua tudo como antes. A maioria do poder nas mãos dos homens.
Lastimavelmente esse é o ponto onde o PT da liberdade e igualdade
continua igualzinho "a direita" ( aliás, todo petista deve
ter direito a fumar um Cohiba e saborear um bom vinho chileno. Oh,
Deus, que vida mais ou menos ruim! ) Investir nas mulheres mesmo
que seja para manter aquecido o assento deles ( Rosinha Garotinho,
no Rio de Janeiro ). Só o MST não se esqueceu
dos tempos antigos, permanecendo assim, coerente. Ainda continua
expondo à frente das batalhas, mulheres e crianças.
A diferença que podemos
fazer
A
diferença que podemos fazer é descobrirmos como nos
sairemos no poder, e só vamos saber isso se estivermos lá.
Rita Camata é a nossa representante. Uma mulher com tarimba
política, com todos os requesitos para absorver o aprendizado
que lhe proporcionará a proximidade com o comando da Nação
brasileira e a responsabilidade de nos representar, como mulher
aprendendo cada vez mais e repassando para todas nós.
A
intenção agora é, pechar Rita Camata de burra,
incoveniente e o que mais desejarem. Fiquem atentas, pois virão
tentativas de desmoralização e descontrução
de todos os lados. É useiro e vezeiro, quando contrariamos
os homens sermos de imediato chamadas de mal-amadas e mal-comidas.
Já começaram a fazer uso de miudezas para detonar
mais uma.
A Roseana foi detonada pelos homens de dentro de casa, com uma ajudazinha
providencial dos "amigos". E ela não entendeu nada,
até hoje pensa que o jogo veio de fora. Na hora da emergência,
contra Rita Camata, vamos indicar um bom filme para que se possa
entender o que vai estar se passando. Vamos dizer de antemão
que Rita Camata é uma boa política, mas antes de tudo
é uma mulher que se permite ser mulher, verdadeiramente.
Preparem-se porque eles vão pegar pesado.
Retomando
o fio da meada
Uma
boa oportunidade para a tão propalada "transparência" tida
como uma das possíveis mudanças éticas com
a entrada das mulheres na política ,
seria deixar exposto os nomes e o número de funcionários com função
nos gabinetes do representante político, quer seja nas Casas Federais
quer seja Estaduais e Municipais, mesmo que timidamente como no
site da Senadora Marina Silva. Com certeza um bom exemplo mesmo
que incompleto, a ser seguido e aperfeiçoado pelas nossas
Senadoras.
Se
nossas representantes tivessem, todas, feito o que fez a Marina
Silva, já era meio-caminho andado para que pudéssemos afirmar que
estávamos fazendo alguma diferença. A maioria está lá mas usando
o mesmo modelo de "sombra" que encontraram e nada fez para mudar.
Pequenos
detalhes
Encontramos
um outro detalhezinho interessante no tocante ao Senado: nestas
Eleições para 2002, no cargo de Senadora, o Estado do Ceará é a
interrogação. Sendo de lá um candidato à Presidência da República,
Ciro Gomes, ao menos apresentasse uma candidata ao Senado, pela
coligação que o apoia. Só não é mais curioso porque
um dos candidatos é o Tasso Jereissati. Como sobra incoerência,
o PT não apresentar uma vice à Presidência. No Ceará,
nenhum dos partidos apresenta candidata ao cargo de Vice-Presidente.
Outra
curiosidade ficou por conta do site do Gabinete da Senadora Maria
do Carmo Alves - PFL/SE.
( http://www.senado.gov.br/web/senador/maralves/bemvindo.htm.
)
Diga-se, de passagem, que nesses partidos, as mulheres vêm
de classe sócioeconômica privilegiadas. Lá nada
de Marinas da Silva, salvo se for mulher ou parente de alguém
que já tenha ficado rico e importante.
Uma
enquete, no site da Senadora Maria do Carmo Alves, sobre a segurança
em Sergipe. Um Senador não pode ser paroquial. Segurança é atribuição
do Governo do Estado, ainda. Avise lá.
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