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Editorial
 

   O voto clone ou o    velho frankstein

 

Como é que se faz para convencer o povo brasileiro de que ele deve votar consciente e de maneira coerente, quando seus políticos, seus representantes, não conseguem um mínimo de coerência e fidelidade ao eleitor, ao povo? Quem faz este tipo de cobrança não merece nenhum crédito.

O voto frankstein não é apanágio da ignorância do povo brasileiro. O mesmo cidadão que vota em Ciro vai votar no candidato ao governo do seu estado, vindo de um outro partido. O deputado é de outro e defende outras idéias, o dep. estadual é totalmente diferente e o vereador um franco atirador. O voto frankstein é feito de retalhos de carne e órgãos. Não tem unidade ideológica alguma, nem compromisso. O mesmo acontecendo com Luis Lula e J. Serra.

Mas é assim que interessa aos políticos brasileiros que relegaram ao esquecimento a Reforma Eleitoral, a fidelidade partidária. E ainda por cima vêm cobrar isto do eleitor, com a cara mais lisa do mundo. Interessa que seja assim para a perpetuação do poder. Deles. Sejam sempre fiéis ao meu poder.

Hoje estão num partido amanhã em outro que dê mais lucro. Hoje apoiam quem apoia seus interesses e ambições pessoais e daqui a alguns minutos correm atrás de coisas melhores: deles próprio

 

 

 

 

A diferença que não fizemos
mas que podemos fazer

 

Suzana Bertioga
Equipe Domínio Feminino
03, Outubro/2002


Nessas eleições, uma mulher candidata à Vice-Presidência da República, parece que não nos está dizendo nada. Mas deve dizer, sim. Essa é a nossa oportunidade para o grande aprendizado, para a efetivação da mulher a caminho de, não muito distante, mostrar que pode fazer a diferença, sem desperdiçar as oportunidades.

Alguém disse uma frase muito séria e boa para pensar : não basta ser mulher. Não, não basta ser mulher para aventurar-se e guiar destinos por caminhos desconhecidos. Governar o lar e a casa, conduzir a educação dos filhos e formar parceria com o marido.

         Administrar sua própria empresa. Essas vivências podem somar muito, principalmente, quando associadas ao nosso potencial intuitivo, funcionam como um bom handcap. Contudo não é suficiente. Precisa-se de vivência na militância política, na vida partidária, antes de tudo. Começar por "baixo" na vereança e ir, aos poucos, ascendendo através da ocupação dos cargos superiores, ainda que se pense que profundos conhecimentos acadêmicos, por si só, sejam suficientes, contudo, nunca poderão ser descartados.

         Isto aconteceu com algumas das nossas representantes mais destacadas. Visitei os sites dos gabinetes das nossas Senadoras. O que lá está demonstrado corrobora minha preocupação no sentido de ver que a mulher não acrescentou, ou não efetivou seu destaque. O que se pode ver é que, nada há de novo. Uma pena de desperdício de oportunidades lentas e poucas, sim, mas poderiam constituir-se em mudanças qualitativas.

         Rezando pela Transparência

         Estou falando de detalhes que é do que somos feitas. Objetivamente, uma coisa que nunca é divulgado é o número de funcionários lotados nos gabinetes tanto em Brasília ( para quem fica em Brasília ) como em seus estados e cidades.

         Quantos funcionários lotam gabinete de senador? Fala-se em 75 cabeças, por gabinete, no caso daquelas raposas mais felpudas, pode-se pensar em 75 cabeças por metro quadrado, como já ficou comprovado durante o governo Collor.

         Façam uma visitinha ao Senado para conferir os gabinetes dos senadores. Lá, temos apenas 04 representantes mulheres:
1 - EMILIA FERNANDES - PT-RS
2 - HELOISA HELENA - PT - AL
3 - MARIA DO CARMO ALVES - PFL-SERGIPE
4 - MARINA SILVA - PT-ACRE

         Dessas quatro, uma única já que em nenhum dos gabinetes dos senadores encontramos o mesmo dado — que disponibiliza o número de pessoas ligadas, oficialmente ao gabinete. A Senadora Marina Silva, representando o MST do Partido dos Trabalhadores, representante do Estado do Acre em seu gabinete virtual dá números para sua equipe que ao todo somamos 23 funcionários, oficialmente.

         Ela cita em corpo de letra minúsculo, que conta com `mais de 100 Colaboradores de diversos setores ligados a área de desenvolvimento sustentável. Principais áreas do conhecimento: Biologia, Antropologia, Engenharia Genética, Sociologia, Desenvolvimento Regional, Tributação, Economia, Propriedade Intelectual, Geoprocessamento, Estatística, Direito, Geofísica, Engenharia Civil, Florestal, Mecânica, Arquitetura e Hidrologia'. Esse colaboradores, imagina o visitante, devem ser não-remunerados.

         Importante acrescentar que o Senado, tanto quanto a Câmara têm à disposição de todos seus congressistas, competente quadro de assessores para toda e qualquer área. Aliás, o concurso para Assessor das duas Casas é rigoroso. Por isso acontece de haver duplicidade funcional e muito esbanjamento de dinheiro dos Cofres da União.

Os senadores, bem como os deputados, podem perfeitamente solicitar ao Senado e à Câmara, um trabalho de assessoria na área de tributação, por exemplo, ao invés de contratar um advogado tributarista, exclusivamente para o gabinete, onerando os gastos da União e o sufoco do contribuinte. O seu e o meu sufoco. Depois nenhum dos candidatos à Presidência sabe dizer para onde vai nosso dinheiro, nem como se faz tanto défict público. Imaginem isto para todos os cargos políticos no País inteiro? De Vereador a Senador ? Quais destes têm moral para recriminar e repelir tanto abuso? Faça as contas quem tiver dados e coragem.

         "Boi de piranha"

         Mulheres na política, a exceção acontece no PT e não há do que se admirar tendo em vista que desde os primórdios do Movimento da Igreja Católica, o projeto tenha sido pensado para usar as mulheres como "boi de piranha" para que elas trouxessem seus homens aos grupos de conscientização da cidadania. Nos movimentos do MST, braço de luta no interior e no extremo exterior, até bem pouco tempo, as mulheres e crianças vinham à frente, até para proteger os homens.

         As Eclesiais de Base trabalhando as Pastorais, a mais ativa sendo a Pastoral da Terra. Nessas comunidades pré-PT, as mulheres iam na frente para as reuniões. Fizeram um trabalho gigantesco no convencimento de seus maridos. Os homens reagem à religião mais do que as mulheres e foi por aí que a Igreja pensou. Depois de tudo organizado, precisava-se dar uma doutrinação ao Movimento.

O PT, o braço político doutrinário, ganhou de presente a resistente militância partidária que age e reage visceralmente, até hoje. Não é nenhum exagero ou especulação dizer que a resistência militante do PT é composta de mulheres até hoje. Portanto, é incompreensível que não tenha o PT apresentado uma mulher como Vice-Presidente. O PT perdeu esse bonde e nós estamos cobrando.

         Desfazendo o Mito

         A "valorização" da mulher não foi definida pelo PT em si e sim pelo trabalho da Igreja Católica, mas, apenas como ferramenta. Estranho é que até hoje, o poder do PT não esteja nas mãos das mulheres. Continua tudo como antes. A maioria do poder nas mãos dos homens. Lastimavelmente esse é o ponto onde o PT da liberdade e igualdade continua igualzinho "a direita" ( aliás, todo petista deve ter direito a fumar um Cohiba e saborear um bom vinho chileno. Oh, Deus, que vida mais ou menos ruim! ) Investir nas mulheres mesmo que seja para manter aquecido o assento deles ( Rosinha Garotinho, no Rio de Janeiro ). Só o MST não se esqueceu dos tempos antigos, permanecendo assim, coerente. Ainda continua expondo à frente das batalhas, mulheres e crianças.

         A diferença que podemos fazer

A diferença que podemos fazer é descobrirmos como nos sairemos no poder, e só vamos saber isso se estivermos lá. Rita Camata é a nossa representante. Uma mulher com tarimba política, com todos os requesitos para absorver o aprendizado que lhe proporcionará a proximidade com o comando da Nação brasileira e a responsabilidade de nos representar, como mulher aprendendo cada vez mais e repassando para todas nós.

A intenção agora é, pechar Rita Camata de burra, incoveniente e o que mais desejarem. Fiquem atentas, pois virão tentativas de desmoralização e descontrução de todos os lados. É useiro e vezeiro, quando contrariamos os homens sermos de imediato chamadas de mal-amadas e mal-comidas. Já começaram a fazer uso de miudezas para detonar mais uma.

A Roseana foi detonada pelos homens de dentro de casa, com uma ajudazinha providencial dos "amigos". E ela não entendeu nada, até hoje pensa que o jogo veio de fora. Na hora da emergência, contra Rita Camata, vamos indicar um bom filme para que se possa entender o que vai estar se passando. Vamos dizer de antemão que Rita Camata é uma boa política, mas antes de tudo é uma mulher que se permite ser mulher, verdadeiramente. Preparem-se porque eles vão pegar pesado.

         Retomando o fio da meada

         Uma boa oportunidade para a tão propalada "transparência" — tida como uma das possíveis mudanças éticas com a entrada das mulheres na política , seria deixar exposto os nomes e o número de funcionários com função nos gabinetes do representante político, quer seja nas Casas Federais quer seja Estaduais e Municipais, mesmo que timidamente como no site da Senadora Marina Silva. Com certeza um bom exemplo mesmo que incompleto, a ser seguido e aperfeiçoado pelas nossas Senadoras.

Se nossas representantes tivessem, todas, feito o que fez a Marina Silva, já era meio-caminho andado para que pudéssemos afirmar que estávamos fazendo alguma diferença. A maioria está lá mas usando o mesmo modelo de "sombra" que encontraram e nada fez para mudar.

         Pequenos detalhes

         Encontramos um outro detalhezinho interessante no tocante ao Senado: nestas Eleições para 2002, no cargo de Senadora, o Estado do Ceará é a interrogação. Sendo de lá um candidato à Presidência da República, Ciro Gomes, ao menos apresentasse uma candidata ao Senado, pela coligação que o apoia. Só não é mais curioso porque um dos candidatos é o Tasso Jereissati. Como sobra incoerência, o PT não apresentar uma vice à Presidência. No Ceará, nenhum dos partidos apresenta candidata ao cargo de Vice-Presidente.

         Outra curiosidade ficou por conta do site do Gabinete da Senadora Maria do Carmo Alves - PFL/SE.
( http://www.senado.gov.br/web/senador/maralves/bemvindo.htm. )
Diga-se, de passagem, que nesses partidos, as mulheres vêm de classe sócioeconômica privilegiadas. Lá nada de Marinas da Silva, salvo se for mulher ou parente de alguém que já tenha ficado rico e importante.

         Uma enquete, no site da Senadora Maria do Carmo Alves, sobre a segurança em Sergipe. Um Senador não pode ser paroquial. Segurança é atribuição do Governo do Estado, ainda. Avise lá.

 

 

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