No relacionamento com seu parceiro(a),
se perceber que está vivendo uma situação parecida com essa:
à simples visão do outro ou ao ouvir sua voz, o coração dispara,
a respiração acelera, as mãos transpiram, as pernas tremem
ou "amolecem", tem dificuldade para falar porque parece que
o coração está na boca; das duas uma: você está em pânico
ou pode estar vivendo uma paixão.
A paixão, esse sentimento forte que
parece levar tudo de roldão, deixa a pessoa em estado parecido
à loucura e às vezes faz com que perca o senso de ridículo
e faça coisas que certamente não faria se não estivesse apaixonada.
A música "Ronda", conta as noites de
uma mulher apaixonada. Só mesmo quem está sofrendo uma paixão
é capaz de andar de bar em bar nas madrugadas a procura do
ser amado, alucinando situações insólitas. Quantos relatos
já ouvimos de homens rondando a cidade à procura da mulher
amada ou vice-versa.
A Dra. Marazzati, psiquiatra da Universidade
de Pisa na Itália, acredita que pessoas apaixonadas estejam
realmente "doentes de amor", pois, paixão e psicose compartilham
diversos aspectos comuns e ambos sofrem de distúrbio obsessivo-compulsivo,
"ambos estados associam-se a baixos níveis cerebrais de serotonina,
uma substância química fabricada pelo corpo que nos ajuda
a lidar com situações estressantes".
Para o apaixonado, o ser amado não
possui defeitos, não enxerga ou se vê defeitos procura desculpá-los,
encontrando justificativa para cada um deles. Essa cegueira
diante das imperfeições do outro acontece por estar projetando
naquela pessoa suas próprias idealizações. Então, aquele outro
não é real, é fruto dos seus anseios íntimos.
Numa paixão vive-se uma ambigüidade,
um duo de sentimentos; o amor e o ódio têm peso igual. Você
pode amar e odiar com a mesma intensidade, e esses sentimentos
podem se alternar.
Quando tudo está bem, sinos tocam,
tudo fica colorido e lindo, o mundo parece cor-de-rosa, a
vida é bela. Porém, quando pinta o sentimento de posse, o
risco de perda, a pessoa apaixonada sente ódio, há choro e
ranger de dentes. Os cantores de tango dizem: "ele se arrasta
na lama!".
Mas não se assuste, a paixão tem cura,
graças a Deus! Estudiosos dão a ela de algumas semanas a no
máximo dois anos, dois anos e meio. Quando ela vai retrocedendo,
a pessoa começa a enxergar o outro com mais realismo. É como
se fosse uma tomada de consciência; começa a desnudá-lo(a)
de toda aquela roupagem que o apaixonado foi colocando em
cima do objeto amado. Aquele "meu tudo" realmente era "seu".
Começando assim, a surgir o outro real.
Compara-se a paixão a uma fogueira
que arde, arde e depois pode tomar um de dois caminhos: arder
até o fim e virar fumaça, passar a ser apenas lembranças alegres,
divertidas ou mesmo tristes; ou a chama ir diminuindo e, se
por baixo da fogueira houver uma boa base, transforma-se em
um fogo brando, daí produzindo um sentimento que se chama:
amor.
O
amor diferentemente da paixão, não é egoísta, ao contrário,
abre alas para o outro ser. É calmo, dá tranqüilidade ao outro.
Surge a cumplicidade, o companheirismo, a intimidade, frutifica
em outros bons sentimentos.
A
paixão não é calma, é agitada. Produz sentimentos fortes,
arrasadores. Por exemplo, se duas pessoas estão no auge de
uma paixão e, por uma razão ou outra têm que se separar, elas
não conseguem manter uma amizade, é uma coisa radical: é meu
amor ou meu inimigo! O amor constrói laços e se acabar, dificilmente
termina a amizade ou outros sentimentos bons advindos do amor.
Geralmente,
a paixão acomete mais os jovens; há jovens que a cada mês
têm uma. Outros se apaixonam menos. Sempre se sai mais maduro
de uma paixão, justamente pela carga de sofrimento que ela
acarreta.
A
paixão é passageira, mas há casos em que um do casal não consegue
sair dela, por problemas internos seus; o sentimento de posse
e a sensação de perda vão se agravando. Aí é o caso em que
a paixão vira patologia e pode até vir a justificar o final
da música "Ronda" - "...cena de sangue num bar da Av. São
João".
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