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Original Message ----- From: Caio Martins To: nigeria@persocom.com.br
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26, 2002 12:13 AM Subject: Condenação à morte por apedrejamento
Exmo.
Sr. Embaixador da Nigéria no Brasil
A Nigéria
tem, na história brasileira, forte influência cultural e religiosa.
É respeitada por nós, brasileiros, como nação-mãe, pois muitos
são, atualmente, os descendentes dos negros que formaram a nação
brasileira e daí vieram.
Causa
espanto a condenação à morte dessa mulher, Sufiyatu Huseini,
pelo simples fato de ter uma filha fora do casamento. Não interessa
a história, não interessam os fatos. Recebeu, da natureza, a
condição de mulher, aquela que pode gerar e dar filhos à luz.
E cumpriu esse princípio reverenciado por todas as religiões.
O promotor
que a indiciou e o juiz que a condenou, certamente, têm mães,
não importando, para isso, a lei vigente na época em que nasceram,
nem a religião que seguiam. Essa condenação é uma afronta às
melhores tradições nigerianas, é uma afronta à civilização e
à humanidade não pela dureza exacerbada e e sanguinária da sentença,
mas pelo fato de atentar contra o princípio da maternidade,
contra o direito da mulher ter filhos, contra a própria palavra
de seus códigos religiosos, por ser contra a natureza.
É vergonhosa
em qualquer comunidade deste planeta, é uma ofensa às leis da
Criação, é um atentado contra a Vida Humana. Rever essa sentença
genocida é, mais que um ato meramente humanitário, questão de
inteligência e grandeza moral. Seria lamentável pensar que,
a partir da morte por apedrejamento, ou qualquer outro meio,
a Nigéria será o país que mata mulheres indefesas (matar homens
armados é muito perigoso, não é, Sr. Embaixador?) cujo único
crime é terem a capacidade de gerar filhos.
Não
se trata de clemência: trata-se de desmanchar a sórdida imagem
que jamais acreditaríamos que nossa terra-mãe, a Nigéria, pudesse
ter na sua história milenar.
Civilização,
Sr. Embaixador, se constrói com sabedoria. Jamais com a insânia
da violência, jamais exterminando o próprio povo, a própria
raça, a própria cultura, as próprias mulheres. É, ainda, tempo
de mostrarem o quanto há de grandeza, sabedoria e humanidade
nesse país, até aqui amado por todos nós.
Caio Martins.