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Quando
me deparei com a Internet em 1997 fiquei maravilhada, sentindo-me
viajar para todos os lugares que sempre sonhei. Nessa época
estava com 24 anos de casada, quatro filhos e um neto, morando
numa cidade de interior com menos de 50 mil habitantes, sem
opções de lazer e sem recursos financeiros para estar viajando.
Depois
de muitos meses navegando, um dia parei para observar minha
filha numa sala de bate-papo. Portanto, foi com ela que aprendi
o caminho para construir meu círculo de amizades virtuais.
Foi com esse círculo de amizade que tive a felicidade e oportunidade
de discutir assuntos que não fossem só fofocas de política,
marido, filhos e empregados.
Contatando
com várias pessoas de diferentes raças, religião, credo, tenho
refletido e estudado o comportamento e, principalmente, as
formas de pensar, agir e sentir, criadas pela experiência
com a Internet. Cheguei à conclusão que, apesar de ter-se
tornado uma ferramenta imprescindível para professores, cientistas,
pesquisadores, jornalistas, meros fãs culturais e adolescentes,
a dimensão da net continua sendo um desafio que impressiona
e amedronta. As mudanças e novidades sempre trazem para nosso
cotidiano motivos que nos levam a refletir sobre a revolução
da informação que, a cada dia, está presente em nossas vidas.
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Até
pouco tempo atrás, em Lajedo, eu quase não tinha com quem
discutir a "vivência virtual", não me atrevia a tecer muitos
comentários sobre a Internet em rodas de amigos porque a maioria
não entendia e muitos tinham e têm a idéia que na Internet
só se vende sexo. Daí compreendi porque, até certo ponto,
me sentia marginalizada por usar esse meio de comunicação,
até mesmo pela minha própria família. Mas fiz como o ditado
manda: "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura"
e o resultado é que hoje muitas pessoas concordam comigo,
reconhecendo que navegar pela net é realmente um prazer de
estar fazendo parte da maioria da civilização mundial, da
globalização. Estar globalizado é estar atualizado, é estar
conectado com o resto do mundo.
O
povo gosta de novidade e a novidade em Lajedo, depois da TV
por assinatura, é usar a Internet. Quem a está usando percebe
que estão em um mundo novo, encantado, alegre. E por causa
dessa alegria é que a Internet faz sucesso. A procura é grande
porque todo mundo quer ser feliz, quer um pouco de alegria
para ofuscar a brutalidade do mundo atual, do real. Várias
pessoas já chegaram a minha frente para dizer que no dia anterior
tinham lembrado de mim quando, em roda de amigos, falavam
em Internet e que essa lembrança mistura-se com alegria, porque
é assim que me sinto e passo para as pessoas desde que conheci
a Internet. Foi através dela que aprendi a me conhecer realmente,
a me dar o devido valor como gente, como ser humano.
A
informatização foi e continua sendo uma grande auxiliar no
meu processo de crescimento. Muito tempo antes, passando por
mais uma crise da vida adulta, sempre no horário da madrugada,
no escuro, eu sentava em uma das poltronas da sala, com o
cigarro como único e fiel companheiro para pensar na vida,
meditar. Sempre foi nessa hora de solidão e encontro comigo
mesma que tomei grandes resoluções ou me resignei com algumas
situações imutáveis. Certa vez parei para pensar friamente
e cheguei a conclusão que não poderia continuar a viver engolindo
e aceitando decepções que me eram impostas e que precisava
dar um basta.
Por
causa de uma gravidez não planejada estava casada com um homem
que aprendera a amar e juntos formamos uma família, montamos
uma casa, que vivia brilhando, eu fazia quitutes para a família
e amigos. Portanto, minha vida se resumia em servir o melhor
para marido, filhos, neto e a família do marido, esquecendo-me
de mim mesma. Todas essas coisas eu fazia sem esperar reconhecimento
e pensava, enganando a mim própria, que tinha tudo para ser
feliz, mas aí chegou o dia em que me perguntei: "por que eu
deveria continuar achando que até meu sofrimento, resignação
eles merecem?"
Foi
então que comecei a mudar...
comecei
a ver com frieza que, na realidade, eu queria era viver bem
comigo mesma! Precisava e preciso é pensar mais em mim mesma,
reconheci que tenho esse direito. Então troquei a velha poltrona
da sala pelo microcomputador, logo em seguida veio também
a Internet e com ela tive a oportunidade de deixar de fumar.
Consegui deixar o tabagismo graças a uma amiga que conheci
numa sala de bate-papo e hoje estou livre de um vício que
me acompanhou por mais de 20 anos. Após seis meses ela me
fez reconhecer o mal desse vício e ainda me alertou para o
fato de que várias pessoas passam até duas décadas e não conseguem
se libertar.
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Em
Lajedo, como em qualquer parte do mundo, a informática, principalmente
a Internet, avançam a cada dia em proporção mais do que geométrica.
A Internet só não está mais além por não ter ainda um provedor
na cidade, com a privatização da telecomunicação a conexão
tornou-se interurbana. Todo ser humano gosta de civilização,
gosta de estar bem informado, atualizado, feliz e o lajedense
não é diferente. Em 1999 fui a primeira a construir uma Home
Page. Estamos em abril de 2000 e, daqui para o final do ano,
garanto que mais alguém vai estar me fazendo companhia, fazendo
parceria de links e, com certeza, estaremos também vendendo,
comprando ou mesmo trocando algo através de um computador
na mesma cidade.
Assim
eu senti o progresso chegar a minha frente, jogando seus tentáculos,
oferecendo muitas oportunidades para crescimento, sabedoria
e aprendizagem. Particularmente posso afirmar que eu sou uma
testemunha viva do valor inestimável que uma mão amiga me
ofereceu, ao jogar seus tentáculos para me alcançar a mais
de dois mil quilômetros de distância. Por isso sou muito feliz
e grata a todos os meus amigos virtuais que, de uma forma
ou de outra, me ajudaram e continuam ajudando para fazer deste
mundo um mundo cada vez melhor.
(Monique
de Moraes Passos - setembro de 2000) E-mail monique_passos@hotmail.com
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