|
Bloco2 Bloco1
Dialética
da Inveja - Olavo de Carvalho
Nota
do Domínio Feminino
Publicado
no Domínio Feminino
Coordenação editorial: Berta Ataíde
24,
Junho/2002
Inveja
e relações mentais
Considerações:
Psicanalíticas
Psiquiátricas
Psicológicas
Tipos de
inveja
Histórias
Ilustrativas referentes à Inveja
Os Anjos que enfrentaram
a Inveja
O Pesadelo que
um jovem teve com a Inveja
A Lâmpada
mágica e a inveja
Fábula sobre
a inveja digna de figurar nos livros de leitura infantil
O Mestre que tinha
manifestado sentimentos de inveja
Inveja e relações mentais
Considerações preliminares
Muitos invejosos negam a sua patologia e, assim afundarão
na mediocridade e pouco conseguirão construir para si mesmos.
O tratamento psicoterápico pode ser de grande valia para
os invejosos.
Quando a inveja se reflete na sua estrutura-mãe, o invejoso
toma consciência deste sentimento e passa a aprender a lidar
com a inveja inserida em seu comportamento.
O mecanismo responsável pelos ressentimentos do invejoso
é a comparação, que normalmente atinge pessoas
com baixa-estima que ao se compararem aos outros, exacerbam o seu
comportamento invejoso.
A nossa sociedade é baseada na comparação,
porque o homem tem na comparação em muitas ocasiões
uma forma de aprendizado; na família, por exemplo, todo o
processo vive de comparação, pois que na nossa história
familiar é imensa a carga de comparação a que
somos diariamente submetidos.
O sistema escolar é todo ele baseado na comparação,
como classes mais adiantadas, classes mais atrasadas, notas, avaliações
etc.
A força da comparação é tão
presente em nossa vida, que poderíamos chamá-la de
sangue cultural. E quem não tiver consciência deste
processo ao qual é submetido diariamente, em todos os lugares,
em todos os momentos, das mais variadas formas, dificilmente conseguirá
trabalhar ou sair do seu sentimento de inveja.
Heráclito afirmava que os cidadãos de Éfeso
deviam ser todos enforcados pois que eram movidos pela inveja, quando
diziam: "Ninguém deve ser o primeiro entre nós".
Certas pessoas vivem eternamente insatisfeitas consigo mesmo quando
se comparam ao próximo mas ao menos perceberem e aceitarem
que o motivo é a inveja.
Se, de um lado, entendemos que a comparação e a competição
sadias provoca estímulos para vencer entretanto quando surge
o ciúme instala-se a inveja.
Todo o processo social é comparativo e competitivo e, se
a força é tão grande, qual será a maneira
de afastarmos o sentimento de inveja e como nos modificarmos relativamente
ao sentimento?
Controlar os nossos ímpetos e impulsos comparativos, saturados
de ciúme aceitando-nos com sentimentos de auto-estima é
uma estratégia
A diferença entre a comparação com os outros
e a comparação conosco mesmos difere. Na auto-comparação,
fortalecemos o nosso ego, estabelecendo o ponto de equilíbrio.
Passamos a nos dirigir, em função do que realmente
somos e não em função do que os outros esperam
de nós. Passamos a ser o nosso ponto fundamental de referência,
levando-nos a um fortalecimento interior.
Na hetero-comparação perdemos a nossa identidade,
pois que nem irmão gêmeos univitelinos são iguais;
portanto cada pessoa tem a sua maneira de ser e a meta consiste
em explorar o nosso próprio potencial. Não é
desaconselhável como forma de aprendizagem, criar modelos
aprendendo com os outros e até criando sentimentos sadios
de admiração, que não acontece com o invejoso,
que em vez de admirar, tende a diminuir essa pessoa.
O exercício da comparação sadia nos levará
à projetos de reformulação de comportamentos
para atingirmos a plena concretização de nossos ideais,
e poderemos então compreender o motivo pelo qual, muitas
vezes, nos sentimos prejudicados na nossa alegria de viver sendo
elas causadoras de nossas perturbações emocionais
e dos inúteis desgastes energéticos.
Examinando nosso quotidiano à luz das escolhas que fizemos
ou que deixamos de fazer, veremos com clareza que somos, na atualidade,
a "soma integral" de nossas opções diante
da vida.
A inveja como vivência de um sentimento interior, sob a forma
de frustração, de tristeza, de mal-estar, de acanhamento,
pela comparação maligna o invejoso sente-se inferior
aos outros, e cria um desequilíbrio íntimo, oriundo
do sentimento de inferioridade, pela comparação que
faz com as posses materiais, qualidades psicológicas, morais,
físicas, sociais ou espirituais dos outros.
Tal desequilíbrio entre o nosso eu e o dos outros é
decorrente, repita-se, de processo comparativo, que desde cedo a
pessoa passa a viver. A constante comparação, não
assimilada pelos mecanismos de defesa, gera a tendência do
indivíduo desconsiderar que é possuidor do sentimento
de inveja, porque este comportamento não aparece tão
claro assim.
Porque o processo de ressentimento é muito sutil e encoberto?.
Uma das explicações mais comuns é porque aquele
que se sente inferior aos outros, se vangloria com auto-elogios
falsos e, para compensar o seu mal-estar, menospreza os outros através
de críticas. É por isso que se diz que o arrogante
é a pessoa que parte do pressuposto de que é inferior
às outras pessoas.
A inveja é, pois, a incapacidade de ver a vitória
das outras pessoas, de aceitar as coisas dos outros, redundando
numa auto-rejeição. No caso da inveja, a auto-aversão
ocorre por não se sentir o invejoso como os outros são.
O que caracteriza a inveja é uma auto-frustração,
desde que a vida social é baseada na comparação,
e desde cedo, aprende-se a interiorizar esse processo em seu comportamento.
Através do processo educativo, a partir da família,
todos os mecanismos são feitos a base de comparação,
pois sempre há alguém na história familiar
que, num determinado momento, é apontado como modelo.
A comparação é uma força poderosa e
poucas vezes se dá conta dela. O processo escolar, profissional,
enfim a maior parte do vivenciamento social, é baseado na
comparação, e quem não tiver consciência
deste processo ao qual é submetido diariamente das mais variadas
formas, dificilmente conseguirá trabalhar ou sair do seu
sentimento de inveja. E provavelmente viverá em estados depressivos
constantes, com freqüentes sensações de impotência
e inferioridade e momentos de insatisfação consigo
mesmo.
[ Alto
]
[ Primeiro Bloco ]
Considerações Psicanalíticas
A inveja tem na psicanálise um vasto material de estudo,
dentro dos mais diferentes ângulos, de acordo com a ótica
do cientista.
Melanie KLEIN (1882-1960), criou técnicas terapêuticas
para crianças, que tiveram grande impacto. No seu estudo
"INVEJA E GRATIDÃO"[3] tece considerações
que têm merecido avaliações as mais diversas
entre os psicanalistas, e apresenta um exame complexo como a inveja
se desenvolve na infância, considerando-a como um fator poderoso
no solapamento das raízes dos sentimentos de amor e de gratidão
,pois que ela afeta a relação mais antiga de todas,
a relação com a mãe.
É a expressão sádico oral e sádico-anal
de impulsos destrutivos, em atividade desde o começo da vida.
A expressão sádico oral origina-se no prazer de sucção,
sucedendo normalmente o prazer de morder, isto é, se o bebê
não obtiver gratificação no estágio
oral de sucção, aumentará a sua necessidade
de gratificação no estádio oral de morder enquanto
que a expressão sádico anal ou muscular é outro
meio natural de ataque, que tem como primeiro objeto o seio frustrador
da mãe; mas dirige-se em breve para o interior de seu corpo,
que se converge assim no alvo dos ataques sádicos oriundos
de todas as fontes no mais alto grau de intensidade.
As criancinhas apresentam desejos de destruição que
se alternam constantemente entre desejos anal sádicos e desejos
de devorar o corpo da mãe e de impregná-lo de urina;
mas o intuito primitivo que consiste em devorar e destruir o seu
seio, permanece sempre.
Diz a psicanalista " Meu trabalho ensinou-me que o primeiro
objeto a ser invejado é o seio nutridor, pois o bebê
sente que o seio possui tudo o que ele deseja e que tem um fluxo
limitado de leite e de amor que guarda para a sua própria
gratificação. Esse sentimento soma-se o seu sentimento
de ódio, e o resultado é uma relação
perturbada com a mãe. Se a inveja é excessiva, indica,
em minha concepção, que traços paranóides
e esquizóides são anormalmente intensos e que tal
bebê pode ser considerado doente".
Considera a autora "Minha hipótese é que uma
das mais profundas fontes de culpa está sempre relacionada
à inveja do seio nutridor e ao sentimento de haver estragado
sua "bondade" por meio de ataques invejosos". E prossegue
esclarecendo que "O desenvolvimento do complexo de Édipo
é fortemente influenciado pelas vicissitudes da primeira
e exclusiva relação com a mãe e, quando essa
relação é perturbada cedo demais, a rivalidade
com o pai aparece prematuramente. As fantasias do pênis dentro
da mãe ou dentro de seu seio transformaram o pai num intruso
hostil. Essa fantasia é particularmente intensa quando o
bebê não teve a satisfação plena e a
felicidade que a relação inicial com a mãe
pode proporcionar, e não internalizou o primeiro objeto bom
com alguma segurança. Tal fracasso depende, em parte, da
força da inveja".
Esse parágrafo permite tirar algumas conclusões da
inveja generalizada.
Quando uma pessoa tem uma vicissitude ou uma frustração,
cria sentimentos de rivalidade, julgando o sucesso do outro como
um fator intruso, que tira a sua segurança.
Influenciada por Karl Abraham, apesar deste entender que a inveja
é uma característica oral, Melanie Klein presumia
que inveja e hostilidade operam num período ulterior que,
de acordo com as suas hipóteses, constituía um segundo
estágio, o sádico –oral.
Abraham não falou em gratidão, mas descreveu a generosidade
como uma característica oral. Ele considerava os elementos
anais como um componente importante da inveja e enfatizou a derivação
desses elementos a partir dos impulsos sádico-orais.
Embora a concepção kleiniana tenha representado uma
grande contribuição, tanto teórica quanto prática,
é chegado o momento de reavaliá-la à luz dos
últimos desenvolvimentos clínicos e teóricos.
A fatia mais indigesta descoberta por Melanie Klein mostra que,
apesar da inveja mirar os nossos circunstantes, somos nós
mesmos o alvo predileto de sua artilharia pesada.
Klein liga a inveja à patologia paranóica esquizóide,
construída no dualismo, sistemático onde há
a oposição da vida-morte, amor-ódio, gratidão-
desejo, bom- ruim.
Joan Riviere[4] reportou a inveja nas mulheres ao desejo infantil
de despojar a mãe de seus seios e estragá-los. De
acordo com os seus achados, o ciúme tem as suas raízes
nessa inveja primária.
A tese de Melanie Klein causou estranheza e repulsa muito maiores
do que os conceitos incestuosos e da "inveja do pênis",
apontadas por Freud, ao dizer que "se nos aprofundarmos bem
nas neuroses femininas, não raramente encontraremos o desejo
reprimido de possuir um pênis . Denominamos este desejo infantil
de ‘inveja do pênis’ e o incluímos no complexo de castração"[5].
Os autores descrevem a evolução do conceito de inveja
desde a primeira formulação, feita por Freud, sobre
a "inveja do pênis", que adquiriu importância
cada vez maior quando foi induzido a definir a sexualidade feminina,
considerada simétrica ao do menino.
A expressão "inveja do pênis" parece que
já foi admitida no uso analítico, quando Freud a menciona
em 1914, para designar a manifestação do complexo
de castração na criança do sexo feminino, ela
surge por ocasião do descobrimento da diferença anatômica
dos sexos; a menina sente-se lesada em relação ao
menino e deseja possuir como ele, um pênis. Depois esta "inveja
do pênis" toma no curso do Édipo duas formas derivadas:
vontade de adquirir um pênis dentro de si, principalmente
sob a forma de desejo de ter um filho; e vontade de gozar do pênis
no ato sexual"[6], surgindo o complexo de castração,
que é expressão psicanalítica que designa medo
de que as partes genitais, ou parte equivalente do organismo, possam
ser danificadas ou suprimidas, como castigo a impulsos ou ações
sexuais proibidas.
A "inveja do pênis" pode evocar numerosas formas
patológicas ou sublimadas.
Em suma, o assunto tão discutido nos leva a uma reflexão;
se a menina tem a cobiça e se compara com o menino, desejando
ter um pênis, estamos indubitavelmente diante do contexto
que caracteriza inveja, cujas características básicas
são: a dependência de um objeto maternal, que é
danificado (na sua representação interna) pelo ódio,
resultante do ciúme e inveja da relação da
mãe com um rival, e a impossibilidade ou dificuldade externa
de reparar este objeto, por deficiência no núcleo reparador
no ego do fóbico (cabe ao analista conseguir a introjeção
que é o mecanismo psicológico pelo qual um indivíduo,
inconscientemente, se apossa de um fato, ou de uma característica
alheia, tornando-o(s) parte de si mesmo, ou volta contra si mesmo
a hostilidade sentida por outrem e daí deve induzir a figura
materna como protetora e boa).
Os conceitos de Melanie Klein, W.R. Bion e de Winnicott, desenvolvidos
nos anos posteriores, ajudam o paciente ao aprofundamento progresso,
recuperação, e capacidade de pensar. os resultados
dessa comparação entre a menina e o menino são
sentidos como acontecimentos reais e não como fenômenos
psíquicos, não deixando porém de criar sentimentos
fóbicos com fortes conteúdos de inveja, verificando-se
que na origem dessas fobias estabelece-se uma depressão patológica
Pelas avaliações e experiências da análise
individual e de grupo, tira-se a conclusão de que há
fantasias da "figura combinada", isto é, quando a criança
imagina que durante o coito o pai pode destruir a mãe arrombando-a;
mas como a noção da relação genital
é confusa, imagina também, em represália, a
mãe devorando o genital paterno.
Essas fantasias são, em geral, decorrentes da inveja que
a criança sente por um deles, pois que gostaria de permanecer
entre eles, separando-os. É o que se pode verificar quando
a criança, nas suas fantasias, cria o medo e insiste em dormir
entre os pais.
Outra observação interessante com relação
a inveja é o coito sádico denominado também
de "perseguidor" e que leva o indivíduo a incapacidade
de amar, sendo denominada "insatisfação genital
típica do Don Juan" O indivíduo em razão
da "inveja se pune pela impotência’ , pois que inconscientemente
tem o desejo de possuir a vagina que recebe o pênis do pai
e que considera objeto tão desejado para conferir-lhe segurança
e combater a angústia decorrente das dificuldades da vida
Uma corrente de psicanalistas considera este tipo de impotência
a mais comum no homossexual. Em suma, a combinação
destas causas pode produzir um tipo de impotência mais grave
e renitente ao tratamento analítico isto é, a impotência
decorrente da introjeção tanto da mãe e do
pai invejados, castradores ou maus
A aceitação da "figura combinada reparada" é,
portanto, o ideal de todo indivíduo. O pai deve ser preservado
contra a voracidade e a mãe deve ser aceita sem inveja.
Assim pois, durante a análise o indivíduo restaura,
de modo seguro, os "objetos bons" dentro dele, o que vai fazer diminuir
a, o ódio e a ansiedade e principalmente a inveja pelos pais
internos, destruidores e perseguidores, que serão reabilitados,
como "objetos bons".
Freud em "Totem e Tabu" [7] afirma que tais fatores trouxeram
como conseqüência o tabu do incesto, para evitar rivalidades
e delimitar um território sexual entre irmãos parentes
consangüíneos, erigindo uma base para a constituição
das antigas sociedades totêmicas.
Isto termina por gerar o famoso Complexo de Édipo, que é
a atração dos filhos pelos pais do sexo oposto.
As mulheres, ainda de acordo com Freud, sentem-se em desvantagem
e desenvolvem a "inveja do pênis". Mais tarde, Melanie
Klein lançou o conceito de "vagina devoradora", especialmente
atemorizante: na qual o homem, pressentindo a ameaça não
da figura paterna, mas da mulher voraz e oralmente destrutiva em
relação ao pênis.
Autores de formação psicanalítica consideram
a inveja como um sentimento complexo, e não como um impulso
ou um derivativo dos instintos. e isso ocorre num estágio
em que a diferenciação entre o self (eu) e o objeto
ainda é muito sutil, levando a sensações que
os autores denominam de "precursores da inveja", considerando a
inveja propriamente dita um sentimento universal, cuja intensidade
depende das interações sujeito-objeto, e que ocorrem
durante o processo de diferenciação.
O fato é que, diante deste progresso, o homem evoluiu muito
pouco em termos de uma melhor compreensão dele mesmo e de
tudo que o cerca. e nas pequenas coisas ainda escorrega em suas
imperfeições. em que percebe o caminho correto, porém
teima em não seguí-lo. o que acontece quando faz algo
de bom para seu semelhante, desejando interiormente um retorno pois
que sempre espera recompensas.
Para que se estabeleça a inveja são apenas necessárias
duas condições: 1) desagrado pelo êxito do outro;
2) prazer pela mágoa do outro. o que vem confirmar o motivo
da inveja viver mascarada, porque o invejoso teme não revelar
os sentimentos inferiores que regem o seu comportamento.
É comum, conscientemente, aceitar o amor, paixão
e até o ciúme, já que este implica em amor,
o que não acontece com a inveja, pois quem é tomado
por esse sentimento nega-o ou justifica-se de forma hipócrita
quando a frase: "Ah, mas a inveja que eu sinto é boa" .
A inveja nunca é boa, nem para quem sente, nem para quem
é a recebe, porque trata se de sentimento carregado de negatividade
e destrutividade, sendo impregnada do instinto de tanatos "termo
grego (a Morte) ás vezes utilizado para designar as pulsões
de morte, por simetria com o termo "Eros" [8]; o seu emprego
sublinha o caráter radical do dualismo pulsional conferindo-lhe
um significado quase mítico"[9].
O invejoso sofre de pulsões de desespero que é o
"processo dinâmico que consiste numa pressão ou
força (carga energética, fator de motricidade), que
faz tender o organismo para um alvo. Segundo Freud, uma pulsão
[10] tem a sua fonte numa excitação corporal (estado
de tensão); o seu alvo é suprimir o estado de tensão
que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças
a ele que a pulsão pode atingir o seu alvo". O que acontece
é que ele sente um grande vazio interno, que precisa ser
preenchido para que ele se sinta realizado. Daí o seu desejo
paranóico em relação ao objeto e o procura
de forma doentia para alcançar a felicidade , não
importando qual objeto porque o que deseja é a sensação
de saciedade e plenitude, e quando vê outra pessoa feliz ,
ele almeja a sua destruição em forma mascarada de
inveja
O desejo de destruição é muitas vezes carregado
de ódio, o que explica a sindrome de irmãos ou da
rivalidade invejosa que existe entre eles. O que existe é
um forte componente de rivalidade e que está ligada a duas
emoções extremamente importantes, existentes na infância
e que atingem a vida adulta: o ciúmes e a inveja ilustrados
na Bíblia pelos casos de Caim e Abel [11],
Jacó e Esaú, Josué e seus irmãos, Moisés,
Miriã e Arão, Davi e seus irmãos, Roboão
e Jeroboão, André e Simão, Tiago e João,
etc...
Pelo que acabamos de ver, a inveja tem início nos vários
momentos em que a criança começa a competir e a diferenciar
em forma de um sentimento bipessoal entre ela e a mãe e transforma-se
posteriormente em sentimento tripessoal, quando começa a
perceber que além da mãe, existe uma terceira pessoa,
o pai, e tetrapessoal quanto então surge um irmão.
Dai ela passa a ter ciúmes do irmão que nasceu e passa
a ter comportamentos infantis desenvolvendo sentimentos de raiva
e hostilidades agressivas, saturadas de fantasias.
Autores que se ocuparam do tema, Freud e Melanie Klein apresentam
a sua própria visão sob a luz da psicologia analítica,
com especial ênfase às possibilidades criativas da
inveja. sugerindo a vivência desta emoção, que
carrega símbolos pertencentes ao campo interativo da díade
(grupo de dois) invejoso-invejado, o que é possível
quando a relação passa a ser vivenciada segundo o
padrão de alteridade (qualidade do que é outro), característico
das relações de irmandade criativa. Propõe
para análise o relacionamento entre pares ou irmãos
em ambiente que favorece o aparecimento e a cultura da inveja, examinando
assim a presença desta emoção nas relações
fraternas.
Na primeira dupla de irmãos do Gênesis, Caim e Abel,
quando surgiu a rivalidade invejosa, ocorreu o primeiro caso de
fratricídio, e na mitologia grega, alguns pares de irmãos
são enfocados: como portadores de inveja-amizade, "arquétipo[12]
do irmão" e sua humanização através
das figuras fraternas propriamente ditas ou de amigos, como forma
adequada para a solução de vivências invejosas
dolorosas e sombrias entre irmãos , e sua posterior transformação
em fonte propiciadora de harmonia.
Tanto Klein como Winnicott estudavam os aspectos pré-edípicos
da personalidade infantil, mas enquanto Klein preferia estudar o
mundo da fantasia interna da criança, Winnicott interessava-se
mais pelo relacionamento real entre a criança e a mãe.
Além disso, Klein tendia a descrever as crianças de
forma a ressaltar fenômenos como inveja, agressividade, voracidade
e experiências psicóticas, enquanto que Winnicott enfatizava
sua saúde, suas necessidades e seu desejo de serem amadas.
Melanie Klein, que era grata a Winnicott, por tratar seu filho
Erich, chegou a insultá-lo nos últimos anos de vida,
chamando-o de "aquele homem detestável"[13],
Um bom observador dos debates entre Melanie Klein e o Dr. Winnicott,
lembra que o seu relacionamento podia ser caracterizado como "um
exercício de não-compreensão mútua",
acusação um tanto lamentável, aliás,
dadas às extraordinárias capacidades dessas duas importantes
figuras.
Seria um caso de inveja entre psicanalistas?
[ Alto
]
[ Primeiro Bloco ]
Considerações Psiquiátricas
As pessoas invejosas geralmente são ansiosas e portadoras
da tristeza, com alto índice de ira e revolta. típica
da depressão
Embora o seu padrão de vida seja muitas vezes melhor do
que o da pessoa invejada, assim mesmo ficam restritos à morbidez
invejosa, como é o caso de pessoas abastadas que invejam
os menos afortunados. Como é o caso do patrão que
pode ter inveja do empregado, porque ele conhece melhor as técnicas
de trabalho ou porque é mais elegante etc.
Tais emoções se caracterizam por experiências
afetivas traumatizantes, como é o caso de crianças
que sofreram perdas na infância, ou situações
desagradáveis e negativas que repercutem no seu componente
psico-físico. Estas reações embora vivenciadas
por todos os seres humanos em inúmeras situações,
são desvinculadas da cultura e posição social
e econômica em que vivem e o.desajustamento pode ser em razão
de transtorno de saúde mental (angústia, ansiedade,
depressão, etc.) ou física. Tais transtornos atingem
níveis intensos provocando a eliminação de
hábitos saudáveis tais como exercícios físicos,
lazer etc. Passam em conseqüência ao consumo de álcool,
drogas ilícitas ou não como calmantes etc. podendo
desencadear pelo uso constante o estágio das práticas
de "drogadição" [14] ou "craving"[15]
.
A inveja, com o seu poder de alterar a homeóstase que é
a tendência à estabilidade do meio interno do organismo
que estabelece a imunodepressão que é a diminuição,
de grau variável, proposital ou não das resistência
orgânica a doença, e obtida mediante recursos artificiais
e dai o invejoso ser mais vulnerável ao desenvolvimento de
moléstias infecciosas (como gripe, herpes, etc.), quando
não as psicossomatizações constantes, atingindo
a vulnerabilidade a ponto de provocar câncer uma vez que pessoas
com forte rancor e ira provenientes de surtos de inveja. A gravidade
da moléstia aumenta pois que tais doentes não conseguem
reagir por terem inveja das pessoas sadias julgando-se injustiçados
pelo fato de que eles sofrem e os outros não. Duas são
as conclusões: 1ª) a inveja, através do ódio
e rancor, teria gerado a moléstia ou 2ª) a perpetuação
do rancor a agravará ainda mais a moléstia.
Estudos recentes demonstram que pessoas que padecem de câncer
e passam a ficar centradas na cura da moléstia, usando a
fé como arma, conseguem manter um quadro mais estável
que as pessoas citadas anteriormente.
Sob o ponto de vista psicológico, a alegria, o medo, a ansiedade
e a ira são emoções naturais que ocorrem com
todos os indivíduos, das mais diferentes culturas. As emoções
estáveis afastam, como poderosos motivadores, a conduta invejosa,
porque as emoções exercem importante papel no bem
estar psicológico dos indivíduos afastando o poder
reptício da instalação da inveja. As emoções
têm um fortes componentes na saúde e na doença
porque através das propriedades motivacionais, têm
a capacidade de estabelecer condutas "sadias" (exercício
físico moderado, dieta equilibrada, descanso, lazer, etc.)
e "não sadias" (consumo de drogas, sedentarismo, desânimo,
ansiedade, ira, tristeza-depressão, sendo consideradas as
três ultimas emoções negativas as mais importantes.
Em suma os componentes doentios que acompanham, os invejosos, não
acontecem com os portadores das emoções positivas
que vivem experiências agradáveis como a alegria, a
felicidade e o amor. Hoje há dados suficientes para afirmar
que as emoções positivas potencializam a saúde
mental , enquanto as emoções negativas tendem a diminui-la.
Toda a fobia das situações sociais (phobie du situations
sociales), termo introduzido por Janet em 1909 e que em 1980 incorporado
no DSM-III [16] tem sido o centro de grande quantidade de estudos
e com muitas transformações constatando-se, que a
maioria de seus portadoras são vitimas de surtos de inveja.
Os sintomas que caracterizam o transtorno de ansiedade social agrupam-se
nos transtornos de ansiedade, com sintomas cognitivos, neurovegetativos,
e de conduta.
O sintoma nuclear dos sintomas cognitivos é o medo da avaliação
negativa que os outros podem fazer, e defensivamente seus portadores
atacam antes de serem atacados, criando um clima que se caracteriza
com uma forte incidência de inveja. Quando o invejoso se sente
ameaçado na presença de outros, procura situações
defensivas, como por exemplo a "fofoca", repasse distorcido
e mal intencionado de um fato com uma única intenção
de difamar a pessoa do invejado, quer pela calúnia, informação
falsa, mentirosa, difamadora etc. O fofoqueiro, em lugar de se esforçar
para crescer e progredir, prefere denegrir os outros para compensar
a sua indolência e ociosidade.
Outros aspectos cognitivos importantes na fobia social são
as expectativas de ameaça, quando o sujeito vai enfrentar
situações sociais, criando o quadro de ansiedade antecipatória.
Para resguardar-se, o invejoso cria fantasias paranóicas
das pessoas que julga serem as possíveis "ameaçadoras"
e passa a criar o mecanismo que rege a inveja, "a tristeza
sentida diante do bem do outro", passando em razão de
tal síndrome a anular todas as alegrias que lhe batem a porta.
As perturbações neurovegetativas, são distúrbios
pertencentes ou relativos ao sistema nervoso vegetativo, provocando
distonia com perturbações funcionais que afetam geralmente
o aparelho circulatório, ou o digestivo, ou ambos, distúrbio
de tonicidade muscular, distúrbio funcional dos setores simpático
e parassimpático, do sistema nervoso autônomo, seja
no sentido de aumento ou de diminuição concomitante
da excitabilidade de ambos, isto é aumento da excitabilidade
de um, com diminuição da do outro ou sem sendo a sua
origem significativa de uma alteração psicológica.
As Perturbações de conduta surgem pelo mau procedimento
moral e podem as manifestações de comportamento serem
típicas dos portadores de síndromes psicológicas,
neurológicas e psiquiátricas responsáveis pelo
atraso ou prejuízo no relacionamento social a ponto de necessitar
atendimento terapêutico especializado.
[ Alto
]
[ Primeiro Bloco ]
Considerações Psicológicas
A inveja sendo um comportamento onde um dos mecanismos básico
e intelectual responsável é o ciúme, que estabelece
ressentimentos através da comparação.
Sem a análise do processo comparativo, dificilmente chegaremos
a entender e exterminar o sentimento invejoso. Estudos têm
avaliado que a inveja no adulto tem comprometimentos principalmente
quando a idade psicológica é inferior à idade
cronológica.
O invejoso é normalmente inseguro, supersensível,
irritadiço, desconfiado, observador minucioso e investigador
da vida alheia; sempre armado e alerta contra tudo e contra todos,
finge superioridade quando, na realidade sente-se inferiorizado,
sendo tal fato o provocador do ar de sarcasmo e de ironia que o
invejoso costuma manifestar. O comportamento descrito o leva a exaustão,
porque necessita ocultar o seu precário estado de harmonia
interior.
Inveja-ciúme geradora da comparação com as
outras pessoas, cria fortes sentimentos de inferioridade. devendo-se
salientar que nem sempre a mera comparação significa
inveja.
Quando é patológica provocada pelo ciúme [17],
a emulação transforma-se na competição-rivalidade
mesclada de raiva, provocada pela "decepção"
ou "amor-próprio ferido" cujo sentimento interior
aparece sob a forma de frustração, tristeza, de mal-estar,
de acabrunhamento pelo fato de o invejoso sentir-se inferior ao
outro, por não possuir o que o outro possui, e por não
ser como o outro é. tais como posses materiais, qualidades
psicológicas, morais, físicas, sociais ou espirituais
do invejado.
Os sentimentos de inferioridade são criados pela comparação-ciúme.O
ciúme seria a chave da Inveja? Shakespeare em Othelo [18]
diz que "o invejosos por causa do ciúme destrói
o objeto. "Mas os ciumentos não atendem a isso; Não
precisam da causa para o ciúme: Têm ciúme, nada
mais. O ciúme é monstro. Que gera em si mesmo e de
si nasce"
O sentimento é doloroso, e compreende o desejo de posse
da pessoa amada, e qualquer suspeita ou certeza de sua infidelidade
fazem nascer a emulação, a competição,
a rivalidade, o despeito em última análise os geradores
da inveja é o que explica que a pessoa invejosa é
insaciável, e nunca pode ser satisfeita porque sua inveja
nasce de suas entranhas, e sempre encontra um alvo sobre o qual
vai mirar e atirar. Daí se pode perceber os elos bem entrelaçados
entre ciúme, insaciabilidade e inveja.
Para avaliarmos como inveja e ciúme têm conotação
muito estreita, mais uma vez vamos voltar aos irmãos Caim
e Abel.
Abel era pastor e Caim lavrador. Ao fim de algum tempo, Caim apresentou
ao senhor uma oferta de frutos da terra. Por seu lado, Abel ofereceu
primogênitos do seu rebanho e as gorduras deles. O senhor
olhou favoravelmente para Abel e para as suas ofertas, mas não
olhou para as de Caim. Caim ficou muito enciumado e irritado, o
seu rosto transformou-se-[.......] Logo que chegaram ao campo, Caim
lançou-se sobre o irmão e o matou [19]
A tendência para a inveja é um desequilíbrio
que se inicia-se cedo. Instalando-se mecanismos de defesa, e é
por isso que o invejoso provoca obnubilação dos seus
sentimentos invejosos, julgando não ser portador deste sentimento.
Embora os invejosos tenham índoles diferentes, a síndrome
da inveja os torna idênticos pelo mal-estar que sentem quando
o próximo tem uma condição que pareça
ser melhor do que a sua, para desafogarem a sua patologia usam métodos
vis como, por exemplo, escrevem cartas e fazerem telefonemas anônimos
para denegrirem o invejado, quer no emprego, quer com a sua família.
A morbidez dos invejosos faz com que eles ataquem até os
grandes personagens da história mortos, como se os detestassem
pessoalmente pelo fato das obras que realizaram
Shakespeare, no seu "Yago feroz". Os definiu como "porcos
humanos" que vivem num chiqueiro amontoado de infâmias
e covardias, capazes de todas as traições e deslealdades
etc...
O maior antídoto contra a inveja é o ideal de vida.
Quem se extasia diante uma obra de arte ou mesmo de uma poesia ou
um romance, ou se comove a ponto de rolarem lágrimas pela
face ao ouvir uma peça musical, tem criatividade para elaborar
pesquisas científicas, ou trabalhos literários e artísticos,
jamais, terá um "neurônio" capaz de alojar
qualquer manifestação invejosa.
Como a inveja nasce psicologicamente de sentimentos de inferioridade
e de baixa-estima com pessoas ou objetos, os invejosos estabelecem
emulação maligna para tentar conseguir o sentimento
de superioridade, nessa ocasião pode surgir a inveja temporária
ou permanente conforme o alcance da sua meta.
O invejoso usa como mecanismo de defesa a vangloria e a presunção
infundada cheia de bazófia, auto-exaltação
com elogios excessivos das suas qualidades procurando sempre diminuir
os outros pela crítica maledicente, mascarando a sua inferioridade,
daí passa a ser arrogante com a pessoa pressupostamente inferior
às outras, e a dificuldade de aceitar as pessoas com dotes
superiores, passa a ter sentimentos de auto-rejeição.
A inveja com a sua competição maligna e a competição
verdadeira são parentes na mesma proporção
do carvão e do diamante.
A inveja sublimada, que é o caso da pessoa, que é
capaz de sentir aleatoriamente, e em determinadas ocasiões,
sentimentos invejosos, e imediatamente toma consciência, com
a capacidade de controle, reprimindo sob a forma de sublimação,
procurando elevar-se na escala dos valores morais, intelectuais
ou estéticos; afastando o impulso negativo com certeza conseguirá
afastar a inveja permanente ou maligna.
. A inveja pode assemelhar-se a árvore pelo fato de possuir
raízes e galhos ramificados. O orgulho, o ciúme etc.
seriam as raízes e depois como tentáculos se ramificam
em outros comportamentos malignos, o que levou Aristóteles
a dizer [20] "A Inveja procede a vanglória", e
São Gregório Magno [21], lembrava a "vanglória
como a filha principal do orgulho", embora para os filósofos
citados as raízes da inveja diferem do orgulho, porque o
orgulhoso não teme seus rivais e acredita ser insuperável,
tendo medo de perder, ao admitir a superioridade dos outros.
[
Alto ]
[ Primeiro Bloco ]
Tipos de inveja
Compulsiva
É o desconforto, sentido por uma situação
vivida pelo outro. As pessoas que sofrem desse mal, se encobrem
sob a "máscara" da inveja, tornando-se difícil
identifica-la em muitos casos, porque o seu portador considera mesquinho
o comportamento descrito.. Exemplos: a inveja do feio pelo bonito,
o rico do pobre, o inculto do inteligente etc.
Verdadeira
A sua característica é o fato de que o "bem
alheio é considerado um mal próprio", como dizia
São Tomas de Aquino, "Os invejosos ficam tristes porque
o bem não possuído os rebaixa" [22], a auto-imagem
que criam faz com que se sintam humilhados aos seus olhos e ao dos
demais, daí a constante antipatia e aversão do invejoso
por pessoas felizes e benquistas por causa da baixa estima.
Lamentação
Os invejosos julgando-se abandonados e esquecidos por Deus, blasfemam
contra o Criador, por acharem que somente o seu vizinho é
privilegiado. Quando o comportamento descrito chega a extremos o
que denota um forte descontrole é comum tais pessoas se inserirem
na dinâmica dos que provocam suicídio porque julgando--se
sem amparo, recorre em sinal de desespero chega ao extremo de por
fim a vida.
Mascarada
A máscara da hipocrisia é um disfarce para esconder
o invejosos das verdadeiras intenções A inveja mascarada
faz com que a sua vítima expresse sorrisos afetuosos e palavras
amáveis com o intuito de encobrir a compulsão maldosa
que carrega dentro de si. como é o caso do invejoso que desencoraja
um companheiro a aceitar uma proposta sensacional de emprego porque
para ele sendo impossível consegui-lo pressiona para afastar
o outro.
Piedosa
Os que se mostram mansos e humildes de coração podem
ser portadores da inveja "piedosa" como a dos fariseus
em relação a Jesus. "Dá Glória
a Deus!", diziam eles ao cego de nascença que Cristo
acabava de curar [23] "nós sabemos que esse homem- Jesus-
é um pecador". Cheios de aparente piedade, queriam "livrar"
o pobre cego da "má companhia" de Cristo:, diziam
"Sabemos bem que Deus falou a Moisés, mas deste Jesus-
não sabemos de onde é". Hoje não faltam
"fariseus" entre os invejosos.
Melancólica
O pensamento de Tomas de Aquino ao dizer "Pode-se ter tristeza(melancolia)
diante do bem alheio não porque o bem que ele tem nos falta".
A melancolia surge porque não termos as mesmas coisas que
admiramos nele. O Doutor Angélico glosa "se for uma
aspiração, mais do que uma tristeza amarga, até
que as aspirações não são condenáveis".
Maledicente
É torpe, ignóbil. repugnante, obscena por ser desonesta,
O bem-aventurado Escrivá disse "A maledicência
é filha da inveja; e a inveja, o refugio dos infecundos"
Com palavras candentes o Padre Bernardes [24], no verbete "Inveja"
escrito há quase quatro séculos dizia a respeito dos
invejosos maledicentes o seguinte: "Os miseráveis, em
cujo coração se embrenha, a serpente da inveja...,
o bem alheio têm por mal próprio, e não podem
conter-se que não falem mal da pessoa invejada, vomitando
contra ela detrações e calúnias". Em outras
palavras a maledicência.
Competitiva
As sua arena situa-se quando duas ou mais pessoas competem quer
em emulação construtiva e portanto positiva, ou destrutiva,
que é negativa. O consumismo desenfreado é um forte
componente para a instalação da inveja competitiva
que está se ampliando cada vez mais
Odiosa
Tais invejosos acham como os fariseus, que não existe bondade,
e se alguém aparece com tal comportamento, o catalogam de
hipócrita, dizendo que atrás de tal bondade esconde-se
algum interesse escuso, como ocorreu com Madre Teresa de Calcutá,
que foi taxada de "demagoga", obscurantista, escrava,
dos poderes terrenos, propagandista de causas reacionárias.
Insensata
Os invejosos insensatos pensam "Se eu tivesse a metade que
o outro tem eu seria feliz- Será? Até São Paulo
escrevendo a Tito [25] cita como era invejoso antes de abraçar
a fé em Cristo: "Éramos insensatos.....,vivendo
na malícia e na inveja.". Insensatos, eis a palavra
exata para qualificar os que vivem na inveja.
Passiva
São servis, porque sob a máscara da servidão
vão repticiamente corroendo as bases das pessoas que invejam,
ao contrário do ativo que é eloqüente, usando
uma verborragia com o intuito de envolver e enganar os outros com
palavras vazias.
Enfatizamos que o invejoso alterna os seus comportamentos conforme
a ocasião, através da máscara da hipocrisia.
Medíocre
Os invejosos envolvidos pela mediocridade bajulam perdendo os foros
das qualidades boas que determinam a conduta e a concepção
ética. em razão da forte ansiedade que sentem
Orgulhosa
São arrogantes e por vaidade perdem a dignidade, que é
a sua antítese. Sem auto-estima porque não tem energias
psíquicas e amor próprio se alimenta de elogios bajulatórios,
com temor de censura; com exagerada sensibilidade ao juízo
de valor está sempre preocupado com" o que será
que os outros pensarão de mim".
Vaidosa
Aquele que tem o desejo imoderado de atrair admiração
ou homenagens vive se comparando aos outros., e apesar de a pessoa
comparada ser inferior assim mesmo o invejoso vaidoso através
da competitividade maligna compara-se ao inferior. Fica procurando
"agulha no palheiro", para encontrar a mínima diferença,
para logo passar a sentir inveja da pequena diferença que
o outro tem, como entre os inúmeros exemplos da pessoa que
tem um terno feito com tecido de primeiríssima qualidade
mas por ter um corpo desengonçado inveja a outra pessoa que
tem uma roupa de baixa qualidade mas como o seu corpo faz com que
caia de forma impecável o invejoso vaidoso passa a manifestar
inveja
Neurótica
Os portadores de distúrbios de personalidade podem apresentar
comportamentos invejosos, devidos a ressentimentos oriundos de depressões,
distimias, que é um estado em que a pessoa está sempre
mal humorada, introversão, melancólia, preocupação
pela sua insuficiência pessoal etc. Os invejosos vaidosos
são propensos a doenças psicossomáticas.
A vaidade sendo repleta de arrogância, a sua vítima
tem altas doses de rixas e disputa desenfreada, ódios e rancores.
Tais comportamentos podem levar o vaidoso quando não logra
o seu intento destrutivo ao distresse (estresse maligno), responsável
por um sem número de doenças físicas e mentais.
[ Alto
]
[ Primeiro Bloco ]
Histórias ilustrativas referentes à
Inveja
Os Anjos que enfrentaram a Inveja.
Certo dia um casal e seu filho ao chegarem do trabalho encontraram
pessoas estranhas e mal encaradas dentro de casa, achando que eram
ladrões e ficaram muito assustados, mas o dono do lar, que
era um homem forte e saudável, perguntou "quem são
vocês"?.
Recebeu como resposta: "Calma pessoal, nós somos velhos
conhecidos de vocês e de toda a humanidade e estamos em toda
parte do mundo".
"Mas afinal quem são vocês? - pergunta a mulher,
em tom enérgico.
Um dos estranhos retrucou: "Eu sou a Preguiça e estamos
aqui para que vocês escolham um de nós para sair definitivamente
das suas vidas".
Indagou a mulher "Como pode você ser a preguiça,
se tem um corpo forte e parece um atleta que vive praticando esportes"?
A preguiça respondeu: "eu sou forte como um touro e
peso toneladas nos ombros dos que me aceitam, e não deixo
ninguém ser um vencedor".
Do outro lado, uma mulher velha e curvada, com a pele muito enrugada
que mais parecia uma bruxa diz: "Eu, sou a Luxúria!".
Diz o homem "Não é possível,. pois que
você não pode atrair ninguém com essa feiúra".
Recebeu como resposta: "Não há feiúra
para a luxúria, meus queridos. eu sou velha porque existo
há muito tempo entre os homens, sou capaz de destruir famílias
inteiras, perverter crianças e trazer doenças para
todos e até a morte, sou astuta e posso me disfarçar,
quando o desejar, na mais bela mulher".
Um mau cheiroso homem, vestindo roupas maltrapilhas mais parecia
um mendigo diz: "Eu sou a cobiça, e por mim muitos já
mataram, abandonaram famílias e pátria, e sou tão
antigo quanto a Luxúria, mas eu não dependo dela para
existir, tenho essa aparência de mendigo porque por mais bem
vestido que me apresente, por mais rico que seja, sempre vou querer
o que não me pertence".
"E eu, sou a Gula".- diz uma lindíssima mulher
com um corpo escultural e cintura fina, e tudo no seu corpo tinha
harmonia de forma e movimentos.
Os donos da casa estavam assustados, e a mulher diz: "Sempre
imaginei que a gula seria gorda ".
- Responde ela "Isso é o que vocês pensam sou
bela e atraente porque se assim não fosse, seria muito fácil
livrarem-se de mim", minha natureza é delicada e normalmente
sou discreta, quem tem a mim não se apercebe, mostro-me sempre
disposta a ajudar a busca da luxúria".
Sentado numa cadeira num canto da casa um senhor, também
velho, com o semblante bastante sereno, voz doce e movimentos suaves,
diz: "Eu sou a Ira, e alguns me conhecem como cólera,
tenho muitos milênios de existência, não sou
homem, nem mulher, assim como meus companheiros que estão
aqui".
Indaga a senhora "Ira"? parece mais o vovô que
todos gostaríamos de ter".
A Ira responde "A grande maioria me tem assim, matam com crueldade,
provocam brigas horríveis, destroem cidades quando me aproximo,
e sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso
estar em qualquer luta, e penetrar nas mais protegidas casas, mostro-me
calmo e sereno para enganar que a Ira pode ser aparentemente mansa
e posso também ficar contido no íntimo das pessoas
sem me manifestar provocando úlceras, câncer e as mais
temíveis doenças".
Mas quem apresentou de forma mais desdenhosa foi uma pessoa multifacetada,
difícil de ser descrita, pelo grande poder de simulação
que usava. "Vocês querem saber qual é a minha
identidade?, eu me orgulho por ser poderosa". Em tom solene
e arrogante se apresenta: "EU SOU A INVEJA" e faço
parte da história do homem desde sua aparição
e desde os tempos bíblicos já provoquei muitos estragos
diz a estranha criatura, que ostentava uma coroa de ouro cravada
de diamantes, braceletes de brilhantes, roupas recamadas de pedras
preciosas, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa, pois
que não poupei os irmãos Caim e Abel e até
os fundadores de Roma, Romulo e Remo, que por minha causa houve
morte".
Em face da revelação, indaga a senhora, "se
és tão rica e bonita e parece ter tudo o que desejas,
porque praticas tanta maldades"?
Reponde-lhe a Inveja: "Há os que são ricos,
os que são poderosos, os que são famosos e os que
não são nada disso, eu estou sempre no meio deles,
porque fico muito molestada onde há felicidade, amor, harmonia
e como urubu na carniça me alegro onde existe o sofrimento
a amargura a desarmonia". Apesar de todo o seu aparato era
a mais tenebrosa, rancorosa e falsa dos invasores. No ímpeto
da sua inquietude para praticar o mal, e por não querer ver
ninguém feliz, o inocente garoto que brincava alheio a tudo
o que estava acontecendo. a inveja fazendo de conta que não
se apercebera da criança brincando, esmaga o seu inocente
brinquedo e diz: "Não gosto de ver alguém melhor
do que eu, pois que nesse instante eu queria ser uma criança
para poder brincar placidamente, como esse menino e não posso
por não ser mais criança".
As tenebrosas criaturas perguntam aos donos da casa quem deles
queriam que saisse da casa.
"Queremos que todos vocês saiam o mais depressa possível,
principalmente essa tenebrosa senhora , denominada Inveja".
O menino, com ar severo e com a voz forte de um orador experiente
diz- "Oh! tenebrosa inveja, que aparentas jovialidade e bondade,
porque tens o dom de enganar, saia dessa casa pois que nem diante
da grandeza de Deus você consegue portar-se com dignidade,
cobiçando o seu poder." Os invejosos sentem o seu orgulho
ferido quando vêm o sucesso, não encarando o sacrifício
que foi feito para alcançá-lo e procuram assim mesmo
destruí-lo".
A Inveja exalava um cheiro de enxofre e as criaturas que sofreram
com a sua presença saíram todos sem olhar para trás,
e ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu o recinto.
O casal juntamente com a criança desintegraram-se.
Diz a lenda que eles viraram Anjos.
[ Alto
]
[ Primeiro Bloco ]
Pesadelo que
um jovem teve com a Inveja [26]
Era hábito todas as noites quentes, após o jantar,
principalmente na fase de lua cheia, quando as damas da noite exalam
um estranho e delicioso odor, eu ir me deleitar para um reconfortante
descanso num parque próximo da minha casa, em que se reuniam
crianças que brincavam, ao mesmo que ao que cantarolavam
músicas de acalanto, que embeveciam pela suavidade das vozes
e a beleza da harmonia. "Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar,
o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou".... e depois
"Teresinha de Jesus abre a porta ver quem é, é
um homem pequenino que tem medo....". O céu com as estrelas
em lusco-fusco pareciam pirilampos, que pelo seu brilho exerciam
um fascínio hipnótico..... De repente surgiu um vulto
feminino, com ares sinistros e tenebrosos, toda vestida de preto,
com o rosto encoberto com um véu, também preto, que
como máscara encobria totalmente o seu rosto. A sua presença
não era nada agradável, pois que tudo nessa dama estava
encoberto, até mesmo as mãos com luvas negras. Imediatamente,
pelo tipo de presença tão estranha, gaguejando, para
livrar-me logo dela, lhe perguntei: "Senhooora posso ser-lhe
útil para alguma coisa"...?. Seu silêncio tenebroso
resolveu falar. Disse-me: "Meu jovem, quero levar-te para conheceres
um mundo cheio de perversidades e será bom para você,
que és jovem, porque esse passeio somente é conhecido
por pessoas muito idosas. Quero entretanto de você um compromisso,
somente ouça e não perguntes" Confesso que andamos
muito, e chegamos numa grande praça. O que me deixava perplexo
era que por mais que tentasse ver-lhe o rosto, mais ele se ocultava
ao meu olhar. Depois da praça entramos numa estrada íngreme,
cheia de cardos espinhosos e a sua aparência tenebrosa aumentava
o teor de minha perplexidade e de meu medo. "Jovem, essa é
a estrada da vida e da existência e é muito difícil
alguém passar por ela sem ser vítima de meus algozes
subordinados. Olhe aquela sombra solitária, de quem poucos
se aproximam, é a bondade, tendo ao lado a humildade. Elas
conversavam com harmonia. Aquela outra, de difícil visualização,
não aparece com nitidez porque fica camuflada, e tem um íntimo
arrogante, despreza as boas criaturas isoladas: é a Hipocrisia,
que tem uma terrível parceira, talvez a mais devastadora
de todas, que como a Hidra de Lerna, que é uma serpente de
sete cabeças, que renasce assim que são cortadas,
é a INVEJA. A bondade, a modéstia e a razão
estão quase sem vida, pelo vampirismo da INVEJA. Então
disse a Senhora: "Meu jovem, a Inveja é a mãe
de todos os males, porque se esconde atrás de máscaras,
muito mais encobertas da que eu uso. Ela é sorrateira como
uma serpente venenosa, que sem barulho ataca e envenena a sua vítima,
que nem percebe, e acaba sorvendo-a pela própria capacidade
de magnetismo dessa terrível INVEJA. Meu coração
pulsava diante de tantos enigmas e não podendo suportar tanta
aflição e ansiedade do fundo das minhas entranhas
gritei. "Mas afinal de contas quem é a senhora"?
Ela calmamente respondeu-me: "Meu jovem eu sou a vida".....e
deu uma gargalhada metálica e fria e foi se tornando sombra
até desaparecer. E em surdina ouvi o badalar do relógio
da praça, abri os olhos. De fato badalavam três horas
da madrugada.
Eu havia adormecido no banco e tive um terrível pesadelo
com a INVEJA.
[
Alto ]
[ Primeiro Bloco ]
A Lâmpada mágica e a inveja
Uma pessoa moída pela inveja andava pelo campo quando deparou-se
com uma lâmpada mágica. e ao esfregá-la, surgiu
um gênio que disse: "Pelo fato de me libertar, você
terá direito a três desejos. só que há
um detalhe, "tudo o que você desejar, seu vizinho vai
ganhar em dobro"
O homem então pensou e pediu:- "Quero ter uma fortuna
tão grande que, por mais que eu gaste dinheiro, ela nunca
se acabe".
O gênio lhe concedeu esse desejo e deu o dobro ao seu vizinho
conforme o combinado.
O segundo desejo foi:
"Quero ser muito bonito para agradar todas as mulheres".
O gênio concedeu-lhe o desejo transformando o homem grosseiro
e mal humorado numa criatura de extrema beleza. Seu vizinho tornou-se
duas vezes mais belo.
Então o gênio disse:
"Qual é seu terceiro e último desejo"?
O invejoso que não se conformava com o bem estar do outro
disse" "Quero que você me dê uma surra que
me deixe quase morto "Pano rapidíssimo.......
[
Alto ]
[ Primeiro Bloco ]
Fábula sobre a inveja digna de figurar
nos livros de leitura infantil.
Era uma vez um sapo barrigudo que coaxava no pântano, quando
viu resplandecer, no ponto mais alto de uma rocha um vagalume. Pensou
que nenhum ser tinha o direito de revelar as suas próprias
qualidades. Mortificado pela impotência, saltou até
o local onde estava o vagalume, e o cobriu com o seu ventre gelado.
O inocente vagalume timidamente perguntou-lhe- "Por que me
cobres? E o sapo congestionado pela inveja, de forma arrogante respondeu-lhe
"Por que brilhas".
[
Alto ]
[ Primeiro Bloco ]
Mestre que tinha manifestado sentimentos de
inveja
Um mestre idoso estava à morte e tinha muitas vezes tivera
sentimentos de ciúmes e inveja. Seus discípulos perguntaram:
"Mestre, você está com medo de morrer?" "Estou", porque
tenho medo de me encontrar com o Criador".
Disse um discípulo "Mas, como você teve uma vida exemplar.
e como Moisés, tirou-nos das trevas da ignorância!?
Outro discípulo disse "Mestre você fez julgamentos
justos como Salomão"
O Mestre respondeu: "Quando eu me encontrar com Deus, ele não
vai me perguntar se eu fui Moisés ou se eu fui Salomão.
e sim apenas vai me perguntar se eu fui eu mesmo e se nunca fui
buscar a glória do outro por causa da inveja".
Muitas outras histórias ou contos infantis poderiam ser
descritas e que retratam a inveja, como por exemplo" Branca
de Neve, Gata Borralheira, A Raposa e as Uvas , A inveja de Salieri
em face do Talento de Mozart etc.
No livro segundo de Ovídio na sétima metamorfose,
ali está escrita uma das mais perfeitas alegorias da inveja.
A pedido da Deusa Minerva, uma das mais conhecidas deusas da mitologia
romana e Palas Atenas na Grécia, era a favorita entre os
filhos de Júpiter, o deus dos deuses. Segundo a mitologia,
ela nasceu da testa de Júpiter já adulta e vestida
com uma armadura. Os antigos romanos acreditavam que as operações
militares envolviam poderes mentais elevados e, por isso, adoravam
Minerva como a deusa dos aspectos intelectuais da guerra. Aglaura
foi transfigurada em rochedo, para castigar a sua inveja em relação
a Hersea, amada de Mercúrio.
[
Alto ]
[ Primeiro Bloco ]
NOTA da Editora:
Tendo em vista ser este um texto acadêmico, seguindo ABNT,
para apresentação, Domínio Feminino efetuou
algumas alterações gráficas para não
tornar o texto cansativo, por conseguinte, pouco atraente à
leitura dos internautas leigos interessados apenas no conteúdo
das informações. Essas alterações, absolutamente,
em nada altera o referido conteúdo.
Os profissionais da área que desejarem leitura fiel, quanto
a estrutura do documento, visitem o link:
http://psicologia.org.br
— Academia Brasileira de Psicologia —A B P
Sobre o Autor
Prof. Dr. ROQUE THEOPHILO, Psicoterapeuta,
Sociólogo, Pesquisador e Professor Universitário.
Visite www.psicologia.org.br
[ Alto
]
[ Primeiro Bloco ]
|