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Estudo-Ensaio das
Máscaras de Inveja
ou

As mil e uma faces da Inveja


Dr. Roque Theophilo*

 

Bloco2       Bloco1       Dialética da Inveja - Olavo de Carvalho

Nota do Domínio Feminino
Publicado no Domínio Feminino
Coordenação editorial: Berta Ataíde
24, Junho/2002


Inveja e relações mentais
Considerações:
Psicanalíticas
Psiquiátricas
Psicológicas
Tipos de inveja
Histórias Ilustrativas referentes à Inveja
Os Anjos que enfrentaram a Inveja
O Pesadelo que um jovem teve com a Inveja
A Lâmpada mágica e a inveja
Fábula sobre a inveja digna de figurar nos livros de leitura infantil
O Mestre que tinha manifestado sentimentos de inveja

 

 

 

 

Inveja e relações mentais

Considerações preliminares

Muitos invejosos negam a sua patologia e, assim afundarão na mediocridade e pouco conseguirão construir para si mesmos. O tratamento psicoterápico pode ser de grande valia para os invejosos.

Quando a inveja se reflete na sua estrutura-mãe, o invejoso toma consciência deste sentimento e passa a aprender a lidar com a inveja inserida em seu comportamento.

O mecanismo responsável pelos ressentimentos do invejoso é a comparação, que normalmente atinge pessoas com baixa-estima que ao se compararem aos outros, exacerbam o seu comportamento invejoso.

A nossa sociedade é baseada na comparação, porque o homem tem na comparação em muitas ocasiões uma forma de aprendizado; na família, por exemplo, todo o processo vive de comparação, pois que na nossa história familiar é imensa a carga de comparação a que somos diariamente submetidos.

O sistema escolar é todo ele baseado na comparação, como classes mais adiantadas, classes mais atrasadas, notas, avaliações etc.

A força da comparação é tão presente em nossa vida, que poderíamos chamá-la de sangue cultural. E quem não tiver consciência deste processo ao qual é submetido diariamente, em todos os lugares, em todos os momentos, das mais variadas formas, dificilmente conseguirá trabalhar ou sair do seu sentimento de inveja.

Heráclito afirmava que os cidadãos de Éfeso deviam ser todos enforcados pois que eram movidos pela inveja, quando diziam: "Ninguém deve ser o primeiro entre nós".

Certas pessoas vivem eternamente insatisfeitas consigo mesmo quando se comparam ao próximo mas ao menos perceberem e aceitarem que o motivo é a inveja.

Se, de um lado, entendemos que a comparação e a competição sadias provoca estímulos para vencer entretanto quando surge o ciúme instala-se a inveja.

Todo o processo social é comparativo e competitivo e, se a força é tão grande, qual será a maneira de afastarmos o sentimento de inveja e como nos modificarmos relativamente ao sentimento?

Controlar os nossos ímpetos e impulsos comparativos, saturados de ciúme aceitando-nos com sentimentos de auto-estima é uma estratégia

A diferença entre a comparação com os outros e a comparação conosco mesmos difere. Na auto-comparação, fortalecemos o nosso ego, estabelecendo o ponto de equilíbrio. Passamos a nos dirigir, em função do que realmente somos e não em função do que os outros esperam de nós. Passamos a ser o nosso ponto fundamental de referência, levando-nos a um fortalecimento interior.

Na hetero-comparação perdemos a nossa identidade, pois que nem irmão gêmeos univitelinos são iguais; portanto cada pessoa tem a sua maneira de ser e a meta consiste em explorar o nosso próprio potencial. Não é desaconselhável como forma de aprendizagem, criar modelos aprendendo com os outros e até criando sentimentos sadios de admiração, que não acontece com o invejoso, que em vez de admirar, tende a diminuir essa pessoa.

O exercício da comparação sadia nos levará à projetos de reformulação de comportamentos para atingirmos a plena concretização de nossos ideais, e poderemos então compreender o motivo pelo qual, muitas vezes, nos sentimos prejudicados na nossa alegria de viver sendo elas causadoras de nossas perturbações emocionais e dos inúteis desgastes energéticos.

Examinando nosso quotidiano à luz das escolhas que fizemos ou que deixamos de fazer, veremos com clareza que somos, na atualidade, a "soma integral" de nossas opções diante da vida.

A inveja como vivência de um sentimento interior, sob a forma de frustração, de tristeza, de mal-estar, de acanhamento, pela comparação maligna o invejoso sente-se inferior aos outros, e cria um desequilíbrio íntimo, oriundo do sentimento de inferioridade, pela comparação que faz com as posses materiais, qualidades psicológicas, morais, físicas, sociais ou espirituais dos outros.

Tal desequilíbrio entre o nosso eu e o dos outros é decorrente, repita-se, de processo comparativo, que desde cedo a pessoa passa a viver. A constante comparação, não assimilada pelos mecanismos de defesa, gera a tendência do indivíduo desconsiderar que é possuidor do sentimento de inveja, porque este comportamento não aparece tão claro assim.

Porque o processo de ressentimento é muito sutil e encoberto?.

Uma das explicações mais comuns é porque aquele que se sente inferior aos outros, se vangloria com auto-elogios falsos e, para compensar o seu mal-estar, menospreza os outros através de críticas. É por isso que se diz que o arrogante é a pessoa que parte do pressuposto de que é inferior às outras pessoas.

A inveja é, pois, a incapacidade de ver a vitória das outras pessoas, de aceitar as coisas dos outros, redundando numa auto-rejeição. No caso da inveja, a auto-aversão ocorre por não se sentir o invejoso como os outros são.

O que caracteriza a inveja é uma auto-frustração, desde que a vida social é baseada na comparação, e desde cedo, aprende-se a interiorizar esse processo em seu comportamento.

Através do processo educativo, a partir da família, todos os mecanismos são feitos a base de comparação, pois sempre há alguém na história familiar que, num determinado momento, é apontado como modelo.

A comparação é uma força poderosa e poucas vezes se dá conta dela. O processo escolar, profissional, enfim a maior parte do vivenciamento social, é baseado na comparação, e quem não tiver consciência deste processo ao qual é submetido diariamente das mais variadas formas, dificilmente conseguirá trabalhar ou sair do seu sentimento de inveja. E provavelmente viverá em estados depressivos constantes, com freqüentes sensações de impotência e inferioridade e momentos de insatisfação consigo mesmo.

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Considerações Psicanalíticas

A inveja tem na psicanálise um vasto material de estudo, dentro dos mais diferentes ângulos, de acordo com a ótica do cientista.

Melanie KLEIN (1882-1960), criou técnicas terapêuticas para crianças, que tiveram grande impacto. No seu estudo "INVEJA E GRATIDÃO"[3] tece considerações que têm merecido avaliações as mais diversas entre os psicanalistas, e apresenta um exame complexo como a inveja se desenvolve na infância, considerando-a como um fator poderoso no solapamento das raízes dos sentimentos de amor e de gratidão ,pois que ela afeta a relação mais antiga de todas, a relação com a mãe.

É a expressão sádico oral e sádico-anal de impulsos destrutivos, em atividade desde o começo da vida.

A expressão sádico oral origina-se no prazer de sucção, sucedendo normalmente o prazer de morder, isto é, se o bebê não obtiver gratificação no estágio oral de sucção, aumentará a sua necessidade de gratificação no estádio oral de morder enquanto que a expressão sádico anal ou muscular é outro meio natural de ataque, que tem como primeiro objeto o seio frustrador da mãe; mas dirige-se em breve para o interior de seu corpo, que se converge assim no alvo dos ataques sádicos oriundos de todas as fontes no mais alto grau de intensidade.

As criancinhas apresentam desejos de destruição que se alternam constantemente entre desejos anal sádicos e desejos de devorar o corpo da mãe e de impregná-lo de urina; mas o intuito primitivo que consiste em devorar e destruir o seu seio, permanece sempre.

Diz a psicanalista " Meu trabalho ensinou-me que o primeiro objeto a ser invejado é o seio nutridor, pois o bebê sente que o seio possui tudo o que ele deseja e que tem um fluxo limitado de leite e de amor que guarda para a sua própria gratificação. Esse sentimento soma-se o seu sentimento de ódio, e o resultado é uma relação perturbada com a mãe. Se a inveja é excessiva, indica, em minha concepção, que traços paranóides e esquizóides são anormalmente intensos e que tal bebê pode ser considerado doente".

Considera a autora "Minha hipótese é que uma das mais profundas fontes de culpa está sempre relacionada à inveja do seio nutridor e ao sentimento de haver estragado sua "bondade" por meio de ataques invejosos". E prossegue esclarecendo que "O desenvolvimento do complexo de Édipo é fortemente influenciado pelas vicissitudes da primeira e exclusiva relação com a mãe e, quando essa relação é perturbada cedo demais, a rivalidade com o pai aparece prematuramente. As fantasias do pênis dentro da mãe ou dentro de seu seio transformaram o pai num intruso hostil. Essa fantasia é particularmente intensa quando o bebê não teve a satisfação plena e a felicidade que a relação inicial com a mãe pode proporcionar, e não internalizou o primeiro objeto bom com alguma segurança. Tal fracasso depende, em parte, da força da inveja".

Esse parágrafo permite tirar algumas conclusões da inveja generalizada.

Quando uma pessoa tem uma vicissitude ou uma frustração, cria sentimentos de rivalidade, julgando o sucesso do outro como um fator intruso, que tira a sua segurança.

Influenciada por Karl Abraham, apesar deste entender que a inveja é uma característica oral, Melanie Klein presumia que inveja e hostilidade operam num período ulterior que, de acordo com as suas hipóteses, constituía um segundo estágio, o sádico –oral.

Abraham não falou em gratidão, mas descreveu a generosidade como uma característica oral. Ele considerava os elementos anais como um componente importante da inveja e enfatizou a derivação desses elementos a partir dos impulsos sádico-orais.

Embora a concepção kleiniana tenha representado uma grande contribuição, tanto teórica quanto prática, é chegado o momento de reavaliá-la à luz dos últimos desenvolvimentos clínicos e teóricos.

A fatia mais indigesta descoberta por Melanie Klein mostra que, apesar da inveja mirar os nossos circunstantes, somos nós mesmos o alvo predileto de sua artilharia pesada.

Klein liga a inveja à patologia paranóica esquizóide, construída no dualismo, sistemático onde há a oposição da vida-morte, amor-ódio, gratidão- desejo, bom- ruim.

Joan Riviere[4] reportou a inveja nas mulheres ao desejo infantil de despojar a mãe de seus seios e estragá-los. De acordo com os seus achados, o ciúme tem as suas raízes nessa inveja primária.

A tese de Melanie Klein causou estranheza e repulsa muito maiores do que os conceitos incestuosos e da "inveja do pênis", apontadas por Freud, ao dizer que "se nos aprofundarmos bem nas neuroses femininas, não raramente encontraremos o desejo reprimido de possuir um pênis . Denominamos este desejo infantil de ‘inveja do pênis’ e o incluímos no complexo de castração"[5].

Os autores descrevem a evolução do conceito de inveja desde a primeira formulação, feita por Freud, sobre a "inveja do pênis", que adquiriu importância cada vez maior quando foi induzido a definir a sexualidade feminina, considerada simétrica ao do menino.

A expressão "inveja do pênis" parece que já foi admitida no uso analítico, quando Freud a menciona em 1914, para designar a manifestação do complexo de castração na criança do sexo feminino, ela surge por ocasião do descobrimento da diferença anatômica dos sexos; a menina sente-se lesada em relação ao menino e deseja possuir como ele, um pênis. Depois esta "inveja do pênis" toma no curso do Édipo duas formas derivadas: vontade de adquirir um pênis dentro de si, principalmente sob a forma de desejo de ter um filho; e vontade de gozar do pênis no ato sexual"[6], surgindo o complexo de castração, que é expressão psicanalítica que designa medo de que as partes genitais, ou parte equivalente do organismo, possam ser danificadas ou suprimidas, como castigo a impulsos ou ações sexuais proibidas.

A "inveja do pênis" pode evocar numerosas formas patológicas ou sublimadas.

Em suma, o assunto tão discutido nos leva a uma reflexão; se a menina tem a cobiça e se compara com o menino, desejando ter um pênis, estamos indubitavelmente diante do contexto que caracteriza inveja, cujas características básicas são: a dependência de um objeto maternal, que é danificado (na sua representação interna) pelo ódio, resultante do ciúme e inveja da relação da mãe com um rival, e a impossibilidade ou dificuldade externa de reparar este objeto, por deficiência no núcleo reparador no ego do fóbico (cabe ao analista conseguir a introjeção que é o mecanismo psicológico pelo qual um indivíduo, inconscientemente, se apossa de um fato, ou de uma característica alheia, tornando-o(s) parte de si mesmo, ou volta contra si mesmo a hostilidade sentida por outrem e daí deve induzir a figura materna como protetora e boa).

Os conceitos de Melanie Klein, W.R. Bion e de Winnicott, desenvolvidos nos anos posteriores, ajudam o paciente ao aprofundamento progresso, recuperação, e capacidade de pensar. os resultados dessa comparação entre a menina e o menino são sentidos como acontecimentos reais e não como fenômenos psíquicos, não deixando porém de criar sentimentos fóbicos com fortes conteúdos de inveja, verificando-se que na origem dessas fobias estabelece-se uma depressão patológica

Pelas avaliações e experiências da análise individual e de grupo, tira-se a conclusão de que há fantasias da "figura combinada", isto é, quando a criança imagina que durante o coito o pai pode destruir a mãe arrombando-a; mas como a noção da relação genital é confusa, imagina também, em represália, a mãe devorando o genital paterno.

Essas fantasias são, em geral, decorrentes da inveja que a criança sente por um deles, pois que gostaria de permanecer entre eles, separando-os. É o que se pode verificar quando a criança, nas suas fantasias, cria o medo e insiste em dormir entre os pais.

Outra observação interessante com relação a inveja é o coito sádico denominado também de "perseguidor" e que leva o indivíduo a incapacidade de amar, sendo denominada "insatisfação genital típica do Don Juan" O indivíduo em razão da "inveja se pune pela impotência’ , pois que inconscientemente tem o desejo de possuir a vagina que recebe o pênis do pai e que considera objeto tão desejado para conferir-lhe segurança e combater a angústia decorrente das dificuldades da vida Uma corrente de psicanalistas considera este tipo de impotência a mais comum no homossexual. Em suma, a combinação destas causas pode produzir um tipo de impotência mais grave e renitente ao tratamento analítico isto é, a impotência decorrente da introjeção tanto da mãe e do pai invejados, castradores ou maus

A aceitação da "figura combinada reparada" é, portanto, o ideal de todo indivíduo. O pai deve ser preservado contra a voracidade e a mãe deve ser aceita sem inveja.

Assim pois, durante a análise o indivíduo restaura, de modo seguro, os "objetos bons" dentro dele, o que vai fazer diminuir a, o ódio e a ansiedade e principalmente a inveja pelos pais internos, destruidores e perseguidores, que serão reabilitados, como "objetos bons".

Freud em "Totem e Tabu" [7] afirma que tais fatores trouxeram como conseqüência o tabu do incesto, para evitar rivalidades e delimitar um território sexual entre irmãos parentes consangüíneos, erigindo uma base para a constituição das antigas sociedades totêmicas.

Isto termina por gerar o famoso Complexo de Édipo, que é a atração dos filhos pelos pais do sexo oposto.

As mulheres, ainda de acordo com Freud, sentem-se em desvantagem e desenvolvem a "inveja do pênis". Mais tarde, Melanie Klein lançou o conceito de "vagina devoradora", especialmente atemorizante: na qual o homem, pressentindo a ameaça não da figura paterna, mas da mulher voraz e oralmente destrutiva em relação ao pênis.

Autores de formação psicanalítica consideram a inveja como um sentimento complexo, e não como um impulso ou um derivativo dos instintos. e isso ocorre num estágio em que a diferenciação entre o self (eu) e o objeto ainda é muito sutil, levando a sensações que os autores denominam de "precursores da inveja", considerando a inveja propriamente dita um sentimento universal, cuja intensidade depende das interações sujeito-objeto, e que ocorrem durante o processo de diferenciação.

O fato é que, diante deste progresso, o homem evoluiu muito pouco em termos de uma melhor compreensão dele mesmo e de tudo que o cerca. e nas pequenas coisas ainda escorrega em suas imperfeições. em que percebe o caminho correto, porém teima em não seguí-lo. o que acontece quando faz algo de bom para seu semelhante, desejando interiormente um retorno pois que sempre espera recompensas.

Para que se estabeleça a inveja são apenas necessárias duas condições: 1) desagrado pelo êxito do outro; 2) prazer pela mágoa do outro. o que vem confirmar o motivo da inveja viver mascarada, porque o invejoso teme não revelar os sentimentos inferiores que regem o seu comportamento.

É comum, conscientemente, aceitar o amor, paixão e até o ciúme, já que este implica em amor, o que não acontece com a inveja, pois quem é tomado por esse sentimento nega-o ou justifica-se de forma hipócrita quando a frase: "Ah, mas a inveja que eu sinto é boa" .

A inveja nunca é boa, nem para quem sente, nem para quem é a recebe, porque trata se de sentimento carregado de negatividade e destrutividade, sendo impregnada do instinto de tanatos "termo grego (a Morte) ás vezes utilizado para designar as pulsões de morte, por simetria com o termo "Eros" [8]; o seu emprego sublinha o caráter radical do dualismo pulsional conferindo-lhe um significado quase mítico"[9].

O invejoso sofre de pulsões de desespero que é o "processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade), que faz tender o organismo para um alvo. Segundo Freud, uma pulsão [10] tem a sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu alvo é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir o seu alvo". O que acontece é que ele sente um grande vazio interno, que precisa ser preenchido para que ele se sinta realizado. Daí o seu desejo paranóico em relação ao objeto e o procura de forma doentia para alcançar a felicidade , não importando qual objeto porque o que deseja é a sensação de saciedade e plenitude, e quando vê outra pessoa feliz , ele almeja a sua destruição em forma mascarada de inveja

O desejo de destruição é muitas vezes carregado de ódio, o que explica a sindrome de irmãos ou da rivalidade invejosa que existe entre eles. O que existe é um forte componente de rivalidade e que está ligada a duas emoções extremamente importantes, existentes na infância e que atingem a vida adulta: o ciúmes e a inveja ilustrados na Bíblia pelos casos de Caim e Abel [11],

Jacó e Esaú, Josué e seus irmãos, Moisés, Miriã e Arão, Davi e seus irmãos, Roboão e Jeroboão, André e Simão, Tiago e João, etc...

Pelo que acabamos de ver, a inveja tem início nos vários momentos em que a criança começa a competir e a diferenciar em forma de um sentimento bipessoal entre ela e a mãe e transforma-se posteriormente em sentimento tripessoal, quando começa a perceber que além da mãe, existe uma terceira pessoa, o pai, e tetrapessoal quanto então surge um irmão. Dai ela passa a ter ciúmes do irmão que nasceu e passa a ter comportamentos infantis desenvolvendo sentimentos de raiva e hostilidades agressivas, saturadas de fantasias.

Autores que se ocuparam do tema, Freud e Melanie Klein apresentam a sua própria visão sob a luz da psicologia analítica, com especial ênfase às possibilidades criativas da inveja. sugerindo a vivência desta emoção, que carrega símbolos pertencentes ao campo interativo da díade (grupo de dois) invejoso-invejado, o que é possível quando a relação passa a ser vivenciada segundo o padrão de alteridade (qualidade do que é outro), característico das relações de irmandade criativa. Propõe para análise o relacionamento entre pares ou irmãos em ambiente que favorece o aparecimento e a cultura da inveja, examinando assim a presença desta emoção nas relações fraternas.

Na primeira dupla de irmãos do Gênesis, Caim e Abel, quando surgiu a rivalidade invejosa, ocorreu o primeiro caso de fratricídio, e na mitologia grega, alguns pares de irmãos são enfocados: como portadores de inveja-amizade, "arquétipo[12] do irmão" e sua humanização através das figuras fraternas propriamente ditas ou de amigos, como forma adequada para a solução de vivências invejosas dolorosas e sombrias entre irmãos , e sua posterior transformação em fonte propiciadora de harmonia.

Tanto Klein como Winnicott estudavam os aspectos pré-edípicos da personalidade infantil, mas enquanto Klein preferia estudar o mundo da fantasia interna da criança, Winnicott interessava-se mais pelo relacionamento real entre a criança e a mãe. Além disso, Klein tendia a descrever as crianças de forma a ressaltar fenômenos como inveja, agressividade, voracidade e experiências psicóticas, enquanto que Winnicott enfatizava sua saúde, suas necessidades e seu desejo de serem amadas.

Melanie Klein, que era grata a Winnicott, por tratar seu filho Erich, chegou a insultá-lo nos últimos anos de vida, chamando-o de "aquele homem detestável"[13],

Um bom observador dos debates entre Melanie Klein e o Dr. Winnicott, lembra que o seu relacionamento podia ser caracterizado como "um exercício de não-compreensão mútua", acusação um tanto lamentável, aliás, dadas às extraordinárias capacidades dessas duas importantes figuras.

Seria um caso de inveja entre psicanalistas?

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Considerações Psiquiátricas

 

As pessoas invejosas geralmente são ansiosas e portadoras da tristeza, com alto índice de ira e revolta. típica da depressão

Embora o seu padrão de vida seja muitas vezes melhor do que o da pessoa invejada, assim mesmo ficam restritos à morbidez invejosa, como é o caso de pessoas abastadas que invejam os menos afortunados. Como é o caso do patrão que pode ter inveja do empregado, porque ele conhece melhor as técnicas de trabalho ou porque é mais elegante etc.

Tais emoções se caracterizam por experiências afetivas traumatizantes, como é o caso de crianças que sofreram perdas na infância, ou situações desagradáveis e negativas que repercutem no seu componente psico-físico. Estas reações embora vivenciadas por todos os seres humanos em inúmeras situações, são desvinculadas da cultura e posição social e econômica em que vivem e o.desajustamento pode ser em razão de transtorno de saúde mental (angústia, ansiedade, depressão, etc.) ou física. Tais transtornos atingem níveis intensos provocando a eliminação de hábitos saudáveis tais como exercícios físicos, lazer etc. Passam em conseqüência ao consumo de álcool, drogas ilícitas ou não como calmantes etc. podendo desencadear pelo uso constante o estágio das práticas de "drogadição" [14] ou "craving"[15] .

A inveja, com o seu poder de alterar a homeóstase que é a tendência à estabilidade do meio interno do organismo que estabelece a imunodepressão que é a diminuição, de grau variável, proposital ou não das resistência orgânica a doença, e obtida mediante recursos artificiais e dai o invejoso ser mais vulnerável ao desenvolvimento de moléstias infecciosas (como gripe, herpes, etc.), quando não as psicossomatizações constantes, atingindo a vulnerabilidade a ponto de provocar câncer uma vez que pessoas com forte rancor e ira provenientes de surtos de inveja. A gravidade da moléstia aumenta pois que tais doentes não conseguem reagir por terem inveja das pessoas sadias julgando-se injustiçados pelo fato de que eles sofrem e os outros não. Duas são as conclusões: 1ª) a inveja, através do ódio e rancor, teria gerado a moléstia ou 2ª) a perpetuação do rancor a agravará ainda mais a moléstia.

Estudos recentes demonstram que pessoas que padecem de câncer e passam a ficar centradas na cura da moléstia, usando a fé como arma, conseguem manter um quadro mais estável que as pessoas citadas anteriormente.

Sob o ponto de vista psicológico, a alegria, o medo, a ansiedade e a ira são emoções naturais que ocorrem com todos os indivíduos, das mais diferentes culturas. As emoções estáveis afastam, como poderosos motivadores, a conduta invejosa, porque as emoções exercem importante papel no bem estar psicológico dos indivíduos afastando o poder reptício da instalação da inveja. As emoções têm um fortes componentes na saúde e na doença porque através das propriedades motivacionais, têm a capacidade de estabelecer condutas "sadias" (exercício físico moderado, dieta equilibrada, descanso, lazer, etc.) e "não sadias" (consumo de drogas, sedentarismo, desânimo, ansiedade, ira, tristeza-depressão, sendo consideradas as três ultimas emoções negativas as mais importantes.

Em suma os componentes doentios que acompanham, os invejosos, não acontecem com os portadores das emoções positivas que vivem experiências agradáveis como a alegria, a felicidade e o amor. Hoje há dados suficientes para afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde mental , enquanto as emoções negativas tendem a diminui-la.

Toda a fobia das situações sociais (phobie du situations sociales), termo introduzido por Janet em 1909 e que em 1980 incorporado no DSM-III [16] tem sido o centro de grande quantidade de estudos e com muitas transformações constatando-se, que a maioria de seus portadoras são vitimas de surtos de inveja.

Os sintomas que caracterizam o transtorno de ansiedade social agrupam-se nos transtornos de ansiedade, com sintomas cognitivos, neurovegetativos, e de conduta.

O sintoma nuclear dos sintomas cognitivos é o medo da avaliação negativa que os outros podem fazer, e defensivamente seus portadores atacam antes de serem atacados, criando um clima que se caracteriza com uma forte incidência de inveja. Quando o invejoso se sente ameaçado na presença de outros, procura situações defensivas, como por exemplo a "fofoca", repasse distorcido e mal intencionado de um fato com uma única intenção de difamar a pessoa do invejado, quer pela calúnia, informação falsa, mentirosa, difamadora etc. O fofoqueiro, em lugar de se esforçar para crescer e progredir, prefere denegrir os outros para compensar a sua indolência e ociosidade.

Outros aspectos cognitivos importantes na fobia social são as expectativas de ameaça, quando o sujeito vai enfrentar situações sociais, criando o quadro de ansiedade antecipatória. Para resguardar-se, o invejoso cria fantasias paranóicas das pessoas que julga serem as possíveis "ameaçadoras" e passa a criar o mecanismo que rege a inveja, "a tristeza sentida diante do bem do outro", passando em razão de tal síndrome a anular todas as alegrias que lhe batem a porta.

As perturbações neurovegetativas, são distúrbios pertencentes ou relativos ao sistema nervoso vegetativo, provocando distonia com perturbações funcionais que afetam geralmente o aparelho circulatório, ou o digestivo, ou ambos, distúrbio de tonicidade muscular, distúrbio funcional dos setores simpático e parassimpático, do sistema nervoso autônomo, seja no sentido de aumento ou de diminuição concomitante da excitabilidade de ambos, isto é aumento da excitabilidade de um, com diminuição da do outro ou sem sendo a sua origem significativa de uma alteração psicológica.

As Perturbações de conduta surgem pelo mau procedimento moral e podem as manifestações de comportamento serem típicas dos portadores de síndromes psicológicas, neurológicas e psiquiátricas responsáveis pelo atraso ou prejuízo no relacionamento social a ponto de necessitar atendimento terapêutico especializado.

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Considerações Psicológicas

 

A inveja sendo um comportamento onde um dos mecanismos básico e intelectual responsável é o ciúme, que estabelece ressentimentos através da comparação.

Sem a análise do processo comparativo, dificilmente chegaremos a entender e exterminar o sentimento invejoso. Estudos têm avaliado que a inveja no adulto tem comprometimentos principalmente quando a idade psicológica é inferior à idade cronológica.

O invejoso é normalmente inseguro, supersensível, irritadiço, desconfiado, observador minucioso e investigador da vida alheia; sempre armado e alerta contra tudo e contra todos, finge superioridade quando, na realidade sente-se inferiorizado, sendo tal fato o provocador do ar de sarcasmo e de ironia que o invejoso costuma manifestar. O comportamento descrito o leva a exaustão, porque necessita ocultar o seu precário estado de harmonia interior.

Inveja-ciúme geradora da comparação com as outras pessoas, cria fortes sentimentos de inferioridade. devendo-se salientar que nem sempre a mera comparação significa inveja.

Quando é patológica provocada pelo ciúme [17], a emulação transforma-se na competição-rivalidade mesclada de raiva, provocada pela "decepção" ou "amor-próprio ferido" cujo sentimento interior aparece sob a forma de frustração, tristeza, de mal-estar, de acabrunhamento pelo fato de o invejoso sentir-se inferior ao outro, por não possuir o que o outro possui, e por não ser como o outro é. tais como posses materiais, qualidades psicológicas, morais, físicas, sociais ou espirituais do invejado.

Os sentimentos de inferioridade são criados pela comparação-ciúme.O ciúme seria a chave da Inveja? Shakespeare em Othelo [18] diz que "o invejosos por causa do ciúme destrói o objeto. "Mas os ciumentos não atendem a isso; Não precisam da causa para o ciúme: Têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro. Que gera em si mesmo e de si nasce"

O sentimento é doloroso, e compreende o desejo de posse da pessoa amada, e qualquer suspeita ou certeza de sua infidelidade fazem nascer a emulação, a competição, a rivalidade, o despeito em última análise os geradores da inveja é o que explica que a pessoa invejosa é insaciável, e nunca pode ser satisfeita porque sua inveja nasce de suas entranhas, e sempre encontra um alvo sobre o qual vai mirar e atirar. Daí se pode perceber os elos bem entrelaçados entre ciúme, insaciabilidade e inveja.

Para avaliarmos como inveja e ciúme têm conotação muito estreita, mais uma vez vamos voltar aos irmãos Caim e Abel.

Abel era pastor e Caim lavrador. Ao fim de algum tempo, Caim apresentou ao senhor uma oferta de frutos da terra. Por seu lado, Abel ofereceu primogênitos do seu rebanho e as gorduras deles. O senhor olhou favoravelmente para Abel e para as suas ofertas, mas não olhou para as de Caim. Caim ficou muito enciumado e irritado, o seu rosto transformou-se-[.......] Logo que chegaram ao campo, Caim lançou-se sobre o irmão e o matou [19]

A tendência para a inveja é um desequilíbrio que se inicia-se cedo. Instalando-se mecanismos de defesa, e é por isso que o invejoso provoca obnubilação dos seus sentimentos invejosos, julgando não ser portador deste sentimento.

Embora os invejosos tenham índoles diferentes, a síndrome da inveja os torna idênticos pelo mal-estar que sentem quando o próximo tem uma condição que pareça ser melhor do que a sua, para desafogarem a sua patologia usam métodos vis como, por exemplo, escrevem cartas e fazerem telefonemas anônimos para denegrirem o invejado, quer no emprego, quer com a sua família.

A morbidez dos invejosos faz com que eles ataquem até os grandes personagens da história mortos, como se os detestassem pessoalmente pelo fato das obras que realizaram

Shakespeare, no seu "Yago feroz". Os definiu como "porcos humanos" que vivem num chiqueiro amontoado de infâmias e covardias, capazes de todas as traições e deslealdades etc...

O maior antídoto contra a inveja é o ideal de vida. Quem se extasia diante uma obra de arte ou mesmo de uma poesia ou um romance, ou se comove a ponto de rolarem lágrimas pela face ao ouvir uma peça musical, tem criatividade para elaborar pesquisas científicas, ou trabalhos literários e artísticos, jamais, terá um "neurônio" capaz de alojar qualquer manifestação invejosa.

Como a inveja nasce psicologicamente de sentimentos de inferioridade e de baixa-estima com pessoas ou objetos, os invejosos estabelecem emulação maligna para tentar conseguir o sentimento de superioridade, nessa ocasião pode surgir a inveja temporária ou permanente conforme o alcance da sua meta.

O invejoso usa como mecanismo de defesa a vangloria e a presunção infundada cheia de bazófia, auto-exaltação com elogios excessivos das suas qualidades procurando sempre diminuir os outros pela crítica maledicente, mascarando a sua inferioridade, daí passa a ser arrogante com a pessoa pressupostamente inferior às outras, e a dificuldade de aceitar as pessoas com dotes superiores, passa a ter sentimentos de auto-rejeição.

A inveja com a sua competição maligna e a competição verdadeira são parentes na mesma proporção do carvão e do diamante.

A inveja sublimada, que é o caso da pessoa, que é capaz de sentir aleatoriamente, e em determinadas ocasiões, sentimentos invejosos, e imediatamente toma consciência, com a capacidade de controle, reprimindo sob a forma de sublimação, procurando elevar-se na escala dos valores morais, intelectuais ou estéticos; afastando o impulso negativo com certeza conseguirá afastar a inveja permanente ou maligna.

. A inveja pode assemelhar-se a árvore pelo fato de possuir raízes e galhos ramificados. O orgulho, o ciúme etc. seriam as raízes e depois como tentáculos se ramificam em outros comportamentos malignos, o que levou Aristóteles a dizer [20] "A Inveja procede a vanglória", e São Gregório Magno [21], lembrava a "vanglória como a filha principal do orgulho", embora para os filósofos citados as raízes da inveja diferem do orgulho, porque o orgulhoso não teme seus rivais e acredita ser insuperável, tendo medo de perder, ao admitir a superioridade dos outros.

 

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Tipos de inveja

 

Compulsiva

É o desconforto, sentido por uma situação vivida pelo outro. As pessoas que sofrem desse mal, se encobrem sob a "máscara" da inveja, tornando-se difícil identifica-la em muitos casos, porque o seu portador considera mesquinho o comportamento descrito.. Exemplos: a inveja do feio pelo bonito, o rico do pobre, o inculto do inteligente etc.

Verdadeira

A sua característica é o fato de que o "bem alheio é considerado um mal próprio", como dizia São Tomas de Aquino, "Os invejosos ficam tristes porque o bem não possuído os rebaixa" [22], a auto-imagem que criam faz com que se sintam humilhados aos seus olhos e ao dos demais, daí a constante antipatia e aversão do invejoso por pessoas felizes e benquistas por causa da baixa estima.

Lamentação

Os invejosos julgando-se abandonados e esquecidos por Deus, blasfemam contra o Criador, por acharem que somente o seu vizinho é privilegiado. Quando o comportamento descrito chega a extremos o que denota um forte descontrole é comum tais pessoas se inserirem na dinâmica dos que provocam suicídio porque julgando--se sem amparo, recorre em sinal de desespero chega ao extremo de por fim a vida.

Mascarada

A máscara da hipocrisia é um disfarce para esconder o invejosos das verdadeiras intenções A inveja mascarada faz com que a sua vítima expresse sorrisos afetuosos e palavras amáveis com o intuito de encobrir a compulsão maldosa que carrega dentro de si. como é o caso do invejoso que desencoraja um companheiro a aceitar uma proposta sensacional de emprego porque para ele sendo impossível consegui-lo pressiona para afastar o outro.

Piedosa

Os que se mostram mansos e humildes de coração podem ser portadores da inveja "piedosa" como a dos fariseus em relação a Jesus. "Dá Glória a Deus!", diziam eles ao cego de nascença que Cristo acabava de curar [23] "nós sabemos que esse homem- Jesus- é um pecador". Cheios de aparente piedade, queriam "livrar" o pobre cego da "má companhia" de Cristo:, diziam "Sabemos bem que Deus falou a Moisés, mas deste Jesus- não sabemos de onde é". Hoje não faltam "fariseus" entre os invejosos.

Melancólica

O pensamento de Tomas de Aquino ao dizer "Pode-se ter tristeza(melancolia) diante do bem alheio não porque o bem que ele tem nos falta". A melancolia surge porque não termos as mesmas coisas que admiramos nele. O Doutor Angélico glosa "se for uma aspiração, mais do que uma tristeza amarga, até que as aspirações não são condenáveis".

Maledicente

É torpe, ignóbil. repugnante, obscena por ser desonesta, O bem-aventurado Escrivá disse "A maledicência é filha da inveja; e a inveja, o refugio dos infecundos" Com palavras candentes o Padre Bernardes [24], no verbete "Inveja" escrito há quase quatro séculos dizia a respeito dos invejosos maledicentes o seguinte: "Os miseráveis, em cujo coração se embrenha, a serpente da inveja..., o bem alheio têm por mal próprio, e não podem conter-se que não falem mal da pessoa invejada, vomitando contra ela detrações e calúnias". Em outras palavras a maledicência.

Competitiva

As sua arena situa-se quando duas ou mais pessoas competem quer em emulação construtiva e portanto positiva, ou destrutiva, que é negativa. O consumismo desenfreado é um forte componente para a instalação da inveja competitiva que está se ampliando cada vez mais

Odiosa

Tais invejosos acham como os fariseus, que não existe bondade, e se alguém aparece com tal comportamento, o catalogam de hipócrita, dizendo que atrás de tal bondade esconde-se algum interesse escuso, como ocorreu com Madre Teresa de Calcutá, que foi taxada de "demagoga", obscurantista, escrava, dos poderes terrenos, propagandista de causas reacionárias.

Insensata

Os invejosos insensatos pensam "Se eu tivesse a metade que o outro tem eu seria feliz- Será? Até São Paulo escrevendo a Tito [25] cita como era invejoso antes de abraçar a fé em Cristo: "Éramos insensatos.....,vivendo na malícia e na inveja.". Insensatos, eis a palavra exata para qualificar os que vivem na inveja.

Passiva

São servis, porque sob a máscara da servidão vão repticiamente corroendo as bases das pessoas que invejam, ao contrário do ativo que é eloqüente, usando uma verborragia com o intuito de envolver e enganar os outros com palavras vazias.

Enfatizamos que o invejoso alterna os seus comportamentos conforme a ocasião, através da máscara da hipocrisia.

Medíocre

Os invejosos envolvidos pela mediocridade bajulam perdendo os foros das qualidades boas que determinam a conduta e a concepção ética. em razão da forte ansiedade que sentem

Orgulhosa

São arrogantes e por vaidade perdem a dignidade, que é a sua antítese. Sem auto-estima porque não tem energias psíquicas e amor próprio se alimenta de elogios bajulatórios, com temor de censura; com exagerada sensibilidade ao juízo de valor está sempre preocupado com" o que será que os outros pensarão de mim".

Vaidosa

Aquele que tem o desejo imoderado de atrair admiração ou homenagens vive se comparando aos outros., e apesar de a pessoa comparada ser inferior assim mesmo o invejoso vaidoso através da competitividade maligna compara-se ao inferior. Fica procurando "agulha no palheiro", para encontrar a mínima diferença, para logo passar a sentir inveja da pequena diferença que o outro tem, como entre os inúmeros exemplos da pessoa que tem um terno feito com tecido de primeiríssima qualidade mas por ter um corpo desengonçado inveja a outra pessoa que tem uma roupa de baixa qualidade mas como o seu corpo faz com que caia de forma impecável o invejoso vaidoso passa a manifestar inveja

Neurótica

Os portadores de distúrbios de personalidade podem apresentar comportamentos invejosos, devidos a ressentimentos oriundos de depressões, distimias, que é um estado em que a pessoa está sempre mal humorada, introversão, melancólia, preocupação pela sua insuficiência pessoal etc. Os invejosos vaidosos são propensos a doenças psicossomáticas.

A vaidade sendo repleta de arrogância, a sua vítima tem altas doses de rixas e disputa desenfreada, ódios e rancores. Tais comportamentos podem levar o vaidoso quando não logra o seu intento destrutivo ao distresse (estresse maligno), responsável por um sem número de doenças físicas e mentais.

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Histórias ilustrativas referentes à Inveja

 

Os Anjos que enfrentaram a Inveja.

Certo dia um casal e seu filho ao chegarem do trabalho encontraram pessoas estranhas e mal encaradas dentro de casa, achando que eram ladrões e ficaram muito assustados, mas o dono do lar, que era um homem forte e saudável, perguntou "quem são vocês"?.

Recebeu como resposta: "Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos de vocês e de toda a humanidade e estamos em toda parte do mundo".

"Mas afinal quem são vocês? - pergunta a mulher, em tom enérgico.

Um dos estranhos retrucou: "Eu sou a Preguiça e estamos aqui para que vocês escolham um de nós para sair definitivamente das suas vidas".

Indagou a mulher "Como pode você ser a preguiça, se tem um corpo forte e parece um atleta que vive praticando esportes"?

A preguiça respondeu: "eu sou forte como um touro e peso toneladas nos ombros dos que me aceitam, e não deixo ninguém ser um vencedor".

Do outro lado, uma mulher velha e curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia uma bruxa diz: "Eu, sou a Luxúria!".

Diz o homem "Não é possível,. pois que você não pode atrair ninguém com essa feiúra".

Recebeu como resposta: "Não há feiúra para a luxúria, meus queridos. eu sou velha porque existo há muito tempo entre os homens, sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos e até a morte, sou astuta e posso me disfarçar, quando o desejar, na mais bela mulher".

Um mau cheiroso homem, vestindo roupas maltrapilhas mais parecia um mendigo diz: "Eu sou a cobiça, e por mim muitos já mataram, abandonaram famílias e pátria, e sou tão antigo quanto a Luxúria, mas eu não dependo dela para existir, tenho essa aparência de mendigo porque por mais bem vestido que me apresente, por mais rico que seja, sempre vou querer o que não me pertence".

"E eu, sou a Gula".- diz uma lindíssima mulher com um corpo escultural e cintura fina, e tudo no seu corpo tinha harmonia de forma e movimentos.

Os donos da casa estavam assustados, e a mulher diz: "Sempre imaginei que a gula seria gorda ".

- Responde ela "Isso é o que vocês pensam sou bela e atraente porque se assim não fosse, seria muito fácil livrarem-se de mim", minha natureza é delicada e normalmente sou discreta, quem tem a mim não se apercebe, mostro-me sempre disposta a ajudar a busca da luxúria".

Sentado numa cadeira num canto da casa um senhor, também velho, com o semblante bastante sereno, voz doce e movimentos suaves, diz: "Eu sou a Ira, e alguns me conhecem como cólera, tenho muitos milênios de existência, não sou homem, nem mulher, assim como meus companheiros que estão aqui".

Indaga a senhora "Ira"? parece mais o vovô que todos gostaríamos de ter".

A Ira responde "A grande maioria me tem assim, matam com crueldade, provocam brigas horríveis, destroem cidades quando me aproximo, e sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer luta, e penetrar nas mais protegidas casas, mostro-me calmo e sereno para enganar que a Ira pode ser aparentemente mansa e posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem me manifestar provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças".

Mas quem apresentou de forma mais desdenhosa foi uma pessoa multifacetada, difícil de ser descrita, pelo grande poder de simulação que usava. "Vocês querem saber qual é a minha identidade?, eu me orgulho por ser poderosa". Em tom solene e arrogante se apresenta: "EU SOU A INVEJA" e faço parte da história do homem desde sua aparição e desde os tempos bíblicos já provoquei muitos estragos diz a estranha criatura, que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, braceletes de brilhantes, roupas recamadas de pedras preciosas, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa, pois que não poupei os irmãos Caim e Abel e até os fundadores de Roma, Romulo e Remo, que por minha causa houve morte".

Em face da revelação, indaga a senhora, "se és tão rica e bonita e parece ter tudo o que desejas, porque praticas tanta maldades"?

Reponde-lhe a Inveja: "Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, eu estou sempre no meio deles, porque fico muito molestada onde há felicidade, amor, harmonia e como urubu na carniça me alegro onde existe o sofrimento a amargura a desarmonia". Apesar de todo o seu aparato era a mais tenebrosa, rancorosa e falsa dos invasores. No ímpeto da sua inquietude para praticar o mal, e por não querer ver ninguém feliz, o inocente garoto que brincava alheio a tudo o que estava acontecendo. a inveja fazendo de conta que não se apercebera da criança brincando, esmaga o seu inocente brinquedo e diz: "Não gosto de ver alguém melhor do que eu, pois que nesse instante eu queria ser uma criança para poder brincar placidamente, como esse menino e não posso por não ser mais criança".

As tenebrosas criaturas perguntam aos donos da casa quem deles queriam que saisse da casa.

"Queremos que todos vocês saiam o mais depressa possível, principalmente essa tenebrosa senhora , denominada Inveja".

O menino, com ar severo e com a voz forte de um orador experiente diz- "Oh! tenebrosa inveja, que aparentas jovialidade e bondade, porque tens o dom de enganar, saia dessa casa pois que nem diante da grandeza de Deus você consegue portar-se com dignidade, cobiçando o seu poder." Os invejosos sentem o seu orgulho ferido quando vêm o sucesso, não encarando o sacrifício que foi feito para alcançá-lo e procuram assim mesmo destruí-lo".

A Inveja exalava um cheiro de enxofre e as criaturas que sofreram com a sua presença saíram todos sem olhar para trás, e ao baterem a porta, um fulminante raio de luz invadiu o recinto. O casal juntamente com a criança desintegraram-se.

Diz a lenda que eles viraram Anjos.

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Pesadelo que um jovem teve com a Inveja [26]

Era hábito todas as noites quentes, após o jantar, principalmente na fase de lua cheia, quando as damas da noite exalam um estranho e delicioso odor, eu ir me deleitar para um reconfortante descanso num parque próximo da minha casa, em que se reuniam crianças que brincavam, ao mesmo que ao que cantarolavam músicas de acalanto, que embeveciam pela suavidade das vozes e a beleza da harmonia. "Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou".... e depois "Teresinha de Jesus abre a porta ver quem é, é um homem pequenino que tem medo....". O céu com as estrelas em lusco-fusco pareciam pirilampos, que pelo seu brilho exerciam um fascínio hipnótico..... De repente surgiu um vulto feminino, com ares sinistros e tenebrosos, toda vestida de preto, com o rosto encoberto com um véu, também preto, que como máscara encobria totalmente o seu rosto. A sua presença não era nada agradável, pois que tudo nessa dama estava encoberto, até mesmo as mãos com luvas negras. Imediatamente, pelo tipo de presença tão estranha, gaguejando, para livrar-me logo dela, lhe perguntei: "Senhooora posso ser-lhe útil para alguma coisa"...?. Seu silêncio tenebroso resolveu falar. Disse-me: "Meu jovem, quero levar-te para conheceres um mundo cheio de perversidades e será bom para você, que és jovem, porque esse passeio somente é conhecido por pessoas muito idosas. Quero entretanto de você um compromisso, somente ouça e não perguntes" Confesso que andamos muito, e chegamos numa grande praça. O que me deixava perplexo era que por mais que tentasse ver-lhe o rosto, mais ele se ocultava ao meu olhar. Depois da praça entramos numa estrada íngreme, cheia de cardos espinhosos e a sua aparência tenebrosa aumentava o teor de minha perplexidade e de meu medo. "Jovem, essa é a estrada da vida e da existência e é muito difícil alguém passar por ela sem ser vítima de meus algozes subordinados. Olhe aquela sombra solitária, de quem poucos se aproximam, é a bondade, tendo ao lado a humildade. Elas conversavam com harmonia. Aquela outra, de difícil visualização, não aparece com nitidez porque fica camuflada, e tem um íntimo arrogante, despreza as boas criaturas isoladas: é a Hipocrisia, que tem uma terrível parceira, talvez a mais devastadora de todas, que como a Hidra de Lerna, que é uma serpente de sete cabeças, que renasce assim que são cortadas, é a INVEJA. A bondade, a modéstia e a razão estão quase sem vida, pelo vampirismo da INVEJA. Então disse a Senhora: "Meu jovem, a Inveja é a mãe de todos os males, porque se esconde atrás de máscaras, muito mais encobertas da que eu uso. Ela é sorrateira como uma serpente venenosa, que sem barulho ataca e envenena a sua vítima, que nem percebe, e acaba sorvendo-a pela própria capacidade de magnetismo dessa terrível INVEJA. Meu coração pulsava diante de tantos enigmas e não podendo suportar tanta aflição e ansiedade do fundo das minhas entranhas gritei. "Mas afinal de contas quem é a senhora"? Ela calmamente respondeu-me: "Meu jovem eu sou a vida".....e deu uma gargalhada metálica e fria e foi se tornando sombra até desaparecer. E em surdina ouvi o badalar do relógio da praça, abri os olhos. De fato badalavam três horas da madrugada.

Eu havia adormecido no banco e tive um terrível pesadelo com a INVEJA.

 

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A Lâmpada mágica e a inveja

Uma pessoa moída pela inveja andava pelo campo quando deparou-se com uma lâmpada mágica. e ao esfregá-la, surgiu um gênio que disse: "Pelo fato de me libertar, você terá direito a três desejos. só que há um detalhe, "tudo o que você desejar, seu vizinho vai ganhar em dobro"

O homem então pensou e pediu:- "Quero ter uma fortuna tão grande que, por mais que eu gaste dinheiro, ela nunca se acabe".

O gênio lhe concedeu esse desejo e deu o dobro ao seu vizinho conforme o combinado.

O segundo desejo foi:

"Quero ser muito bonito para agradar todas as mulheres".

O gênio concedeu-lhe o desejo transformando o homem grosseiro e mal humorado numa criatura de extrema beleza. Seu vizinho tornou-se duas vezes mais belo.

Então o gênio disse:

"Qual é seu terceiro e último desejo"?

O invejoso que não se conformava com o bem estar do outro disse" "Quero que você me dê uma surra que me deixe quase morto "Pano rapidíssimo.......

 

 

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Fábula sobre a inveja digna de figurar nos livros de leitura infantil.

Era uma vez um sapo barrigudo que coaxava no pântano, quando viu resplandecer, no ponto mais alto de uma rocha um vagalume. Pensou que nenhum ser tinha o direito de revelar as suas próprias qualidades. Mortificado pela impotência, saltou até o local onde estava o vagalume, e o cobriu com o seu ventre gelado.

O inocente vagalume timidamente perguntou-lhe- "Por que me cobres? E o sapo congestionado pela inveja, de forma arrogante respondeu-lhe "Por que brilhas".

 

 

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Mestre que tinha manifestado sentimentos de inveja

Um mestre idoso estava à morte e tinha muitas vezes tivera sentimentos de ciúmes e inveja. Seus discípulos perguntaram: "Mestre, você está com medo de morrer?" "Estou", porque tenho medo de me encontrar com o Criador".

Disse um discípulo "Mas, como você teve uma vida exemplar. e como Moisés, tirou-nos das trevas da ignorância!?

Outro discípulo disse "Mestre você fez julgamentos justos como Salomão"

O Mestre respondeu: "Quando eu me encontrar com Deus, ele não vai me perguntar se eu fui Moisés ou se eu fui Salomão. e sim apenas vai me perguntar se eu fui eu mesmo e se nunca fui buscar a glória do outro por causa da inveja".

Muitas outras histórias ou contos infantis poderiam ser descritas e que retratam a inveja, como por exemplo" Branca de Neve, Gata Borralheira, A Raposa e as Uvas , A inveja de Salieri em face do Talento de Mozart etc.

No livro segundo de Ovídio na sétima metamorfose, ali está escrita uma das mais perfeitas alegorias da inveja. A pedido da Deusa Minerva, uma das mais conhecidas deusas da mitologia romana e Palas Atenas na Grécia, era a favorita entre os filhos de Júpiter, o deus dos deuses. Segundo a mitologia, ela nasceu da testa de Júpiter já adulta e vestida com uma armadura. Os antigos romanos acreditavam que as operações militares envolviam poderes mentais elevados e, por isso, adoravam Minerva como a deusa dos aspectos intelectuais da guerra. Aglaura foi transfigurada em rochedo, para castigar a sua inveja em relação a Hersea, amada de Mercúrio.

 

 

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NOTA da Editora: Tendo em vista ser este um texto acadêmico, seguindo ABNT, para apresentação, Domínio Feminino efetuou algumas alterações gráficas para não tornar o texto cansativo, por conseguinte, pouco atraente à leitura dos internautas leigos interessados apenas no conteúdo das informações. Essas alterações, absolutamente, em nada altera o referido conteúdo.

Os profissionais da área que desejarem leitura fiel, quanto a estrutura do documento, visitem o link:

http://psicologia.org.br — Academia Brasileira de Psicologia —A B P

 

 

 

 

Sobre o Autor

Prof. Dr. ROQUE THEOPHILO, Psicoterapeuta, Sociólogo, Pesquisador e Professor Universitário.

Visite www.psicologia.org.br

 

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